Total de visualizações de página

Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

domingo, 24 de agosto de 2025

O resolver matemático da vida

Quem mais poderia me enxergar como os olhos de minha mãe? 


Era um olhar claro, cheio de amor e fé. Não podia andar com meus próprios pés, nem escolher os caminhos, mas podia contar com o calor do seu colo quando o inverno se instalava no meu semblante. 


Os tropeços da infância não deixavam muitas marcas, mas, com o tempo e a correria da vida, as quedas se tornavam mais intensas e as feridas, maiores. Fui deixando para trás as brincadeiras inocentes e entrando em um mundo perigoso, onde um vulcão de emoções explodia. 


Minhas andanças ficavam cada vez mais frenéticas, e o mundo me cercava de tal forma que eu me perdia em seu labirinto de poder. Ainda havia aquele medo de crescer – de descobrir para onde não ir, de aprender o errado, mas não com os erros. 


A arrogância da adolescência não traz sabedoria – segue com olhos entreabertos, cerrados, descrentes. Todos pareciam tão certos, tão amáveis, tão plenos, enquanto eu, meio tonta, vacilava à revelia. 


Buscava me relacionar, sentia uma urgência em ser aceita, mas a pressa me levou ao mundo das frustrações. Havia uma riqueza de palavras dentro de mim, mas a timidez prendia minha língua. Meus familiares eram de poucas palavras, e com eles aprendi a ser reservada no falar. Contudo, minha mente vagava livremente, sonhando com a vastidão dos sentimentos profundos. 


Assim foi minha entrada na vida adulta, aprendendo muito na solidão, quando o silêncio me tocava e os sonhos ganhavam brilho. Só após muitos calos nos pés e dissabores na alma, descobri que todos somos iguais. 


O que a boca não conta, os olhos revelam. Minha história não foi a melhor nem a pior, mas esteve cheia de agitação e riqueza nos detalhes. Às vezes intensa, às vezes leve e solta. É assim que a vida nos molda. 


De repente, mais próxima do horizonte. 


Hertinha Fischer








Nenhum comentário:

Postar um comentário