(Talvez doa um pouco, acima dos espinhos, floresce uma rosa)
Esses dias que me desvendam,
revelaram-me em outros tempos.
O passado foi revisado,
os rascunhos que me contaram.
Vencendo as horas que já esqueci,
quando o relógio me venceu enfim,
No ciclo das mesmas horas,
um pouco de mim foi se perdendo.
A noite que mal descanso,
o dia que chega apressado,
Tempo, anda mais devagar,
pois aqui sou só um viajante.
De repente, aqui me vi
com o rosto ruborizado.
Lá se foram os melhores dias,
e já me sinto derrotado.
Sulcos que abri com esforço
agora marcam minha pele.
Meus órgãos, antes tão puros,
por dentro já me repelem.
Pernas já se esgotaram,
olhos ficaram turvos,
unhas frágeis nas pontas dos dedos,
ossos agora enfraquecidos.
Por dentro, sempre criança,
quer brincar e se distrair.
O corpo já tão exausto,
só deseja o alvorecer.
A lua pela metade,
os campos adormecidos,
meia luz, meio nevoeiro,
nos sonhos que foram perdidos.
Hertinha Fischer.
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