Ainda estou a desvendar esse labirinto de tijolos e telhas, onde minha alma se refugia em um corpo já marcado por lutas e labutas. Ainda quero caminhar, ainda quero voar mais um pouco na ponta dos pés.
Como quem, parado, se desloca por dentro.
A última gota não secou, transborda serena. Não desejo coisas, quero o que está além delas. As estrelas ainda brilham. Há um céu de encantos e desencantos nos cantos. Uma porta pequena ainda se abre, e há uma certa suavidade além das cortinas das janelas, voltadas para tempos e contratempos.
Se pudesse voltar, mudaria algo? Talvez! Esse sabor que ainda sinto em rostos que já nem vejo mais... Onde estariam agora, se ainda estivessem?
Há um desejo que ainda persiste, uma conexão entre a mente e o coração, que ainda guarda o que o tempo escondeu.
O "meu tempo" passou entre as urtigas, temperadas com sal, enquanto meus passos absorviam as gotículas suaves da vida. Sempre havia sorrisos na boca da noite e suavidade nos olhos do sol.
Hertinha Fischer.
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