Aqueles instantes singelos e, ao mesmo tempo, loucos por conhecimento, mergulhavam naquele mundo ainda imerso na escuridão. O sol parecia distante e frio, enquanto a lua roçava de leve a borda das sombras, quase iluminando algum trecho que nem existia.
Eu, quase alguém, enfrentando esse mundo desconhecido, entre cinzas e vestígios de fogo, apostava nesse viver morno e sem fôlego. Submergia, afogado, nas profundezas das carências, tentando ser luz ao ultrapassar as nuvens.
Tocava de leve o vazio e sentia a magia do tudo no nada que se revelava em outros que não me pertenciam. Estava dentro e, de fora, explorava-me.
O que são paixões: chamas ou apagões? Lá fora, o tempo corria, dia após dia, crescendo. Tempo que me levou sem notar, tempo que passou sem que eu soubesse.
Um presente e um futuro – um só instante, anos a fio passando no reflexo de um único luar. E o fim à espreita, até quando existir?
Hertinha Fischer
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