Vidas fragmentadas entre as virtudes e os vícios, aurora que não tem luz, luz que não tem aurora.
Pudera eu ser alguma coisa que pudesse se colocar entre o adulto e uma criança.
Fazendo carícia naquele que grita, que chora, que se lamenta, por ter perdido a sua essência no caminho destruído pela indiferença.
Pudera eu fazer diferença nessa vida sem razão, nesse lamento sem decisão, nessa força que se espera, neste
mundo de ilusão.
Eu queia poder te abraçar e dizer que é tudo brincadeira, que não existem barreiras, que a vida é simples como uma canção.
Eu quisera ser algo que te impulsiona, que te da motivos para encarar de frente quaisquer fraquezas, dizer que tudo é fácil, que não existem competições.
Mas tudo é tão vago, até mesmo meus motivos, o que me leva a ter fé. Fé que você pode mudar, que o mundo e as pessoas não são o que parecem, que podemos dar uma reviravolta , que o poço não é tão fundo, que minhas mãos podem te alcançar.
Mas, os vícios são um laço, tão apertado como nós de marinheiro, difícil de desatar.
Só o poder de um marujo, cuja força encontra no mar, entre os rebentos das ondas, sempre acham o seu lugar.
Eu queria ser essa força, esse poder de decisão, essa luta incessante de lhe estender a mão e de todos os vícios do mundo pudesse ser libertação.
Mas de mim , vejo que sou nada, menos até que minha vontade de merecer estar nesse palco, pois a minha atuação é nula, porque pra quem gosta de verdade é difícil ser atriz. Tudo o que se faz por debaixo do pano é podridão sem fim.
Essa podridão contamina as crianças, os jovens e até mesmo o adultos que buscam um meio de fugir dessa peça que não lhes mostra a saída,. apenas as condenam , as espreitam e as obrigam a atuar na marginalidade.
Queria apagar desse mundo a ideia das drogas!
Autora: Herta Fischer Direitos reservados
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