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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sábado, 25 de novembro de 2023

Olhos surdos

 Anda comigo

dois inimigos:
Fim de domingo
saudade de um amigo

Desprezo só me consome
por dor ou por fome
quando o mal bate na porta e
alguma doença que se nos tome

Antes o que era eu?
Se eu só pudera ser
nem comigo, nem consigo
a mais do que menos digo

Se a vida fosse lembrar,
e a morte eternizar
a morte mais que certeira
haveria de, em mim, morar

Amizade é como o amor,
nunca se extingue de vez
Uma vez enamorado
para sempre haverá de ser

Coração que logo esquece
tem problema de memória
perdeu todo sentido
ou esqueceu sua
própria historia.

Hertinha Fischer.

domingo, 12 de novembro de 2023

Vento de pensamento

 Vento, neve e carga

Foi para ti que nasci,
foi para ti que cresci.
Nada que não seja ontem
hoje ainda é promessa.
Andei na povoada,
aprendi alvorada.
Foi para ti,
conserva anônima.
Chance de rega, de poda.
Chance de me dar
de receber,
de pertencer em liberdade.
Luz de felicidade.
colhida e disputada.
Foi para ti, fui e serei,
nave cósmica,
neve sísmica,
energia eólica.
Temperança, esperança
e andança, aliança!
Hertinha Fischer.

Rima interna

 De um abraço ao beijo,

do vinho ao queijo,
De um mel ao melado
de um agravo ao afago
De uma luta a comunhão
do olhar ao coração.
da jaca ao morango
da galinha ao frango
Do suco a vitamina
da gloria a sina
Do amor a amizade
do romance a solidariedade
Da razão a sobriedade,
da fama a sociedade.
Da bondade a verdade
da bronca a bondade
Do rancor ao perdão,
do pecado á salvação
da venda o valor
do fruto, o sabor
da cama o descanso
da fúria o manso
da cobra ao bote,
da menina o dote
da gente a generosidade,
do passado a saudade.
Do homem a grandeza
De Deus a gentileza
de mim, eu sei
de você neguei.

Hertinha Fischer.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Em teu ventre

 Ah! E os campos falam de ti, cantam em versos os teus passos, declamam o teu rosto.

O passado volta a ter voz dentro do peito, realçado no amor que te contemplei.
Ainda em tempo de te ver de novo, espelhada em doces lembranças.
Quando pensei-te eterna, quando vivi em teu tempo, que o tempo limitou.
Ainda sinto aquela sensação boa de prece, de Deus me aconchegando em seu colo, quando a madrugada espirrava vaidades.
Do leite me alimentando, do leito simples com cheiro de préstimos, das longas noites que me velastes, do olhar que sempre me destes.
Do teu melhor me acompanhando, da tua fé me defendendo, do ruído que incendeia minhas lembranças, como um fogo que nunca se acaba.
Nunca ninguém no mundo me fez tão completa, como a costura de teu poder e o alinhavar do seu amor.
A Senhora do meu destino, minha mãe, inspiradora de minha história, escritura do meu viver.
Hertinha Fischer.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Mentes e mentas

Gosto de escrever.


Acendo a lâmpada letreira


e caminho como vagalume.


A vida é um aprendizado,


Nascer é uma iniciação.


Crescer é desafio,


passar é superação.


A composição ao meu redor me acolhe,


O esplendor das árvores que parecem tocar o céu.


O olhar que desvenda o invisível,


O sentir que soa como ópera.


Há um pacto com o saber


que revela.


Um desdobramento sutil e tão distinto,


Vai além do ar que se respira,


passarinhos que inspiram ainda mais.


Guardiã de algo, sal e sálvia,


Sabor e fragrância,


peixe e cardume,


mais sonho do que costume..

Hertinha Fischer


 



quarta-feira, 4 de outubro de 2023

O fim do mundo


Não quero perceber, perceber dói.
Quero a frustração do não saber.
Quero sair para o encanto do novo dentro do velho.
Do sangue preto do asfalto reparado, as marcas das velhas trincas da terra.
Mesmo em seca severa, espero o melhor do gotejar.
Imundo seria trocar um mundo já pronto para um desmundo disfuncional.
Quando o que era já não tem lugar e a verdade, tão lucida, está trancafiada em algum manicômio, cuja esperança já não tem, cujo remédio a engana.
Não! não quero perceber!
O violão perdeu as cordas, a musica perdeu a memória , o homem perdeu seu lugar.
As mãos perderam a força, usam-se da artificialidade para esquecer.

E o que será do futuro sem memória?

Hertinha Fischer


quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Memorias de fotografia


Ela, a pedra. Eu, o silêncio ao lado dela.
Memórias em fotografia, a ilusão de existir.
O ontem que vivi, o hoje que esqueci.
Somando tudo, a matemática da vida.
Tirando tudo, a luz se apaga.
Um dia! Aquele dia! Que dia foi?
Hertinha Fischer.