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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

lugares vazios

Ultimamente estou mais para ficar na minha, mesmo porque,
já estou muito grandinha para acreditar em papai noel.
Esse auê que se faz mediante uma coisa sem valor, esta mais para quem
não encontra satisfação em nada..
Ontem, eu parei para pensar e fiquei contando nos dedos as pessoas que eu vi passando.
foram amontoando-se nomes em minha cabeça, e pensei: Quantos lugares ficaram vazios!
Poderei dar uma volta ao mundo, sondar cada cantinho, que nunca mais vou achá-los.
E, também, algum dia deixarei meu espaço vazio.
E fico a imaginar: onde estarei?
Tenho certeza que não estarei em nenhuma parte que
a vaidade humana inventa, só para se dar a ideia de que
ainda poderei de alguma forma, estar presente em suas fantasias.
Estou me alegrando hoje por esta descoberta, pois sei que, Deus em sua grandeza e onipotência, consagrará sua promessa de ressuscitação prometida, por Seu filho amado já ter dado mostra de como será..
No mais, ainda tenho que seguir esta jornada até que tudo mude e volte a sua forma original, e eu também possa, ao lado de muitos, ser agraciado pelo perdão em tempos oportunos... Não mais como quem procura e acha, mas, como quem acredita ter sido achado.
Herta Fischer

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Recado da vida

O dia chegou,
assim, como quem não quer nada,
e me abraçou.
Me vesti com um belo sorriso
e lhe dei de presente.
Tanto era o amor
que nos unia.
Levantei-me, e de um salto,
me vi na vitrine da vida,
satisfeita em mim mesma.
Cabelos dançantes
enfeitavam minha alegria, enquanto
uma musica suave acariciava
meus ouvidos ávidos por som.
Só então, abri a janela,
e lá estavam todos, a rodopiar
em torno de si mesmos.
Quiz aproximar-me, mas estavam
tão preocupados com afazeres
estranhos, que de mim, não se deram
conta, Nem da minha alegria.
Fechei a janela com tristeza,
voltando para o silencio das coisas
que me rodeavam, estava tudo
arrumadinho, cada coisa em seu lugar,
Meu coração estranhou aquele silencio
que se fazia la dentro, e minha alma
se agigantou de tal forma que
quase nem cabia mais em mim.
Perguntei então ao dia:
-Que me trazes,

se me acordas para viver só?
E silenciosamente, ele se encollheu um pouco,
como que envergonhado por acordar-me
e só me oferecer ausência..
E respondeu-me: - Abra mais uma vez a janela!
E eu abri. Lá estavam sobre o mundo, todas os
sorrisos, todos os amores, enquanto o som
sublime de cantos enchiam o ar.
Então me disse com ar zombeteiro:
- Só fica só quem quer.
Tudo a seu dispor: flores, pássaros,
nuvem, céu, sol, e ainda quer mais amor?
Não é só os que falam que podem te trazer
bem, assim como não é só o que
se come que sacia a fome.
Eu estou aqui todo alvorecer te cobrindo
com o manto da vida, te dou tudo o
que precisa, todas as ferramentas
para se realizar, porém, o que me cobra é,
justamente o que ainda não posso te dar. Ou
aquilo que ainda não consegue ser.
Adianta-te, clama pela fé, cobre-te com
esperança, enquanto o dia ainda o é,
pois, ante a escuridão da noite, nada mais
se poderá fazer, a não ser, me esperar.
Herta Fischer (hertinha)

O limiar das ilusões

Só tenho o bem que ainda posso
ante a ruína de todas as formas,
que em tropeço me faz cair, sem
que asas tenha para me levantar.
Atrás da porta mora o anjo,
lá que nunca ouço, ora,para fora, com
a porta fechada, ora, para dentro,
com a porta encostada.
E os gritos dos falantes,
que não mais falam mansamente
ouvidos ainda tenho, mas não
quero ouvir.
La se foram os anos
como quem não volta mais,
só saudade da lembrança,
só lembrança de saudade.
Os rios empobreceram,
as comportas estão fechadas,
os pingos vãos que entranham
entre grades, de sufoco
pouco falam.
No insistir, mastigo esperança,
como pedaço de carne a digerir,
eis que é demora e ânsia,
nada mais que insistir.
Amanhã o abrigo se fará,
será?
ao meio dia nem sombra sobra,
a tardinha já se foi.
Onde estarei quando tudo cessar?
Correm-se entre ventos, norte
e sul a contratempo, nem se pega,
nem se larga, tudo
é questão de momento.
Largado no pó,
o passado, o presente

Só tenho o bem que ainda posso
ante a ruína de todas as formas,
que em tropeço me faz cair, sem
que asas tenha para me levantar.
Atrás da porta mora o anjo,
lá que nunca ouço, ora,para fora, com
a porta fechada, ora, para dentro,
com a porta encostada.
E os gritos dos falantes,
que não mais falam mansamente
ouvidos ainda tenho, mas não
quero ouvir.
La se foram os anos
como quem não volta mais,
só saudade da lembrança,
só lembrança de saudade.
Os rios empobreceram,
as comportas estão fechadas,
os pingos vãos que entranham
entre grades, de sufoco
pouco falam.
No insistir, mastigo esperança,
como pedaço de carne a digerir,
eis que é demora e ânsia,
nada mais que insistir.
Amanhã o abrigo se fará,
será?
ao meio dia nem sombra sobra,
a tardinha já se foi.
Onde estarei quando tudo cessar?
Correm-se entre ventos, norte
e sul a contratempo, nem se pega,
nem se larga, tudo
é questão de momento.
Largado no pó,
o passado, o presente

a coar mosquitos,
e o futuro, no infinito, a 
separar os normais
e os esquisitos.
Eu, a parte, apenas anseio,
como todos,
apenas vejo,
o que me interessa e o
que desejo...
Herta Fischer (direitos reservados)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Minhas raízes

Hoje eu me vi como
nunca me tinha visto,
uma prega despregou-me
da sensibilidade
com que tenho crido.
E dei-me com alguém desconhecido,
que cresceu e se esqueceu
de quem foi.
Fechou-se meus olhos por longo
tempo, e a historia
foi se desvendando
em passos.
Deixei-me para trás e comigo
foi-se esvaindo sonhos.
Nas curvas da estatura, meu
chão anuviou-se, e dei
de cara com outro tempo,
um tempo até
então desconhecido,
onde não se aceita pés descalços,
nem vestidos remendados.
A velha espiga sonhada como
bonequinha, a brincadeira com
meus vaga-lumes, se perderam no pó
da estradinha velha de terra batida.
E o que levei comigo foi esquecido dentro da maleta.
No porão deste coração que bate, envelheceram-se
as fantasias, e a realidade brotou lá em cima,
como uma outra forma de crença.
Crescer é isto: abandono da gente?
Não tenho mais quem eu tinha, outros
rostos se fizeram presentes, outros
momentos pularam em minha direção
e o que foi, caiu no esquecimento.O que plantei, sequer cresceu.
Tenho saudade de tudo: da roça
viçosa la no fundão da estrada,
da brincadeira de ir e vir toda suja de terra.
Do cavalo a relinchar no pasto, a pedir
para trabalhar.
Dos irmãos que brigavam, mas que unidos,
sempre estavam.
Dos sentimentos que hoje desune, e que, antes, não existiam.
Eu mudei, creio que mudei mesmo,
e certos sentimentos não mais me nutrem,
só me trazem desassosssego.
Quero retornar, mas, não posso!
Não existe mais nada por lá.
a não ser despedida e saudade.
E aqui, onde vivo, ainda
ha muitas lembranças vivas,
que de quando em quanso, ainda insiste em machucar...

Herta ( Hertinha Fischer)