Só tenho o bem que ainda posso
ante a ruína de todas as formas,
que em tropeço me faz cair, sem
que asas tenha para me levantar.
Atrás da porta mora o anjo,
lá que nunca ouço, ora,para fora, com
a porta fechada, ora, para dentro,
com a porta encostada.
E os gritos dos falantes,
que não mais falam mansamente
ouvidos ainda tenho, mas não
quero ouvir.
La se foram os anos
como quem não volta mais,
só saudade da lembrança,
só lembrança de saudade.
Os rios empobreceram,
as comportas estão fechadas,
os pingos vãos que entranham
entre grades, de sufoco
pouco falam.
No insistir, mastigo esperança,
como pedaço de carne a digerir,
eis que é demora e ânsia,
nada mais que insistir.
Amanhã o abrigo se fará,
será?
ao meio dia nem sombra sobra,
a tardinha já se foi.
Onde estarei quando tudo cessar?
Correm-se entre ventos, norte
e sul a contratempo, nem se pega,
nem se larga, tudo
é questão de momento.
Largado no pó,
o passado, o presente
Só tenho o bem que ainda posso
ante a ruína de todas as formas,
que em tropeço me faz cair, sem
que asas tenha para me levantar.
Atrás da porta mora o anjo,
lá que nunca ouço, ora,para fora, com
a porta fechada, ora, para dentro,
com a porta encostada.
E os gritos dos falantes,
que não mais falam mansamente
ouvidos ainda tenho, mas não
quero ouvir.
La se foram os anos
como quem não volta mais,
só saudade da lembrança,
só lembrança de saudade.
Os rios empobreceram,
as comportas estão fechadas,
os pingos vãos que entranham
entre grades, de sufoco
pouco falam.
No insistir, mastigo esperança,
como pedaço de carne a digerir,
eis que é demora e ânsia,
nada mais que insistir.
Amanhã o abrigo se fará,
será?
ao meio dia nem sombra sobra,
a tardinha já se foi.
Onde estarei quando tudo cessar?
Correm-se entre ventos, norte
e sul a contratempo, nem se pega,
nem se larga, tudo
é questão de momento.
Largado no pó,
o passado, o presente
a coar mosquitos,
e o futuro, no infinito, a
separar os normais
e os esquisitos.
Eu, a parte, apenas anseio,
como todos,
apenas vejo,
o que me interessa e o
que desejo...
Herta Fischer (direitos reservados)
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
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