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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Nuvens de inverno

E o ano se vai, novamente,

finda-se a meia noite,

para brotar outras estações

nos dias seguintes.

Me  deixa sem seus acasos

comigo termina o que executei,

Flui como nuvens de inverno,

a escorar o céu com suas manias

Vem de todo, passa rápido e

volta não se sabe aonde.

Para novamente acender as

suas luzes de ciclo

Sem finalizar o que começou.

á brilhar estrelas dentro da gente.


Hertinha Fischer






quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O tempo e o amor

 Volta sempre que puderes,

mesmo que seja dentro da saudade
Volta como o frescor de vento
em noites quentes.
Como o aguçar das águas em vertentes
Volta que te ofereço os meus sonhos,
ainda vivos.
Que tão, quente, ainda te sente.
Te encontrarei na imensidão,
onde se perdeu em meu coração.
Volta, para que de ti não me esqueça,
Em lembrança me carregue,
antes que o tempo me negue
e a luz desse ensejo enfraqueça
Meus cabelos já embranqueceram,
meus olhos enfraqueceram, mas,
meu corpo e minha alma não
te esqueceram.
Hertinha Fischer.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Ciclo anual

 Queridos(as) Abram o coração pelos olhos, enxerguem pelos pés.

Abracem os irmãos como se fossem felicidade.
Agarrem-se em Deus como células se agarram as próprias células.
Faça de sua família um lugar de repouso.
Caminhem em Cristo.
Sosseguem-se, por dentro, como uma flor sossega em seu caule.
Vivam para os outros, como a terra vive para os seres.
Sejam água, pura, para dar de beber a quem tem sede.
Deixem a terra girar em torno dela mesma, enquanto dança
para a fraternidade.
Feche os olhos para qualquer mal que possa te tirar da linha da vida.
Estique-se ao máximo para alcançar aquilo que está além das pobrezas do mundo.
Seja! E sendo, controle-se.
Viva, mas, vivendo, permita-se ser lugar de conforto.
Creia que existe muitas coisas boas te esperando, onde seus olhos não alcançam. Coloque seu coração e sua vida á esse dispor.
No mais: Desejo felicidades á todos aqueles que fizeram aniversário neste ano! Parabéns!
Hertinha Fischer.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Briga velha

 Morre eu, morre tudo a minha volta, Talvez uma plantinha de saudade nasça em algum lugar, a esperar por reencontro.

Eu vou, e vou feliz, Tudo valeu e nada ficou a dever, só essa intolerável briga velha não deu em nada.
Nasci dos quintais austeros, Cresci em meio a pouca valia, solitária é o meu codinome.
Sinto que pouco aprendi, ainda, que, como tantos, tenha me entendido.
Ponho-me a pensar que deveria ser diferente - sem essa mania de
gostar de solidão, Não me sentir bem em festas, onde só se come e só se bebe. De resto é só culto a si mesmo.
Tive família e os amei, No entanto, ainda assim, me senti só e desamparada.
Tive amigos, muitos, ou me equivoquei, seriam só colegas temporários?
E assim, os anos foram me levando, as vezes, no colo, noutros, calejando a sola dos pés.
Não permito que ninguém carregue minha carga, nem que alivie minha dores.
Enfrento tudo com muita decisão, embora seja tão prolongada e dolorida essa trajetória.
Tenho a fé em Deus para me dirigir, E os encantos dos encantos da vida - de quem- do que, merece meu olhar.

Hertinha Fischer.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

O arrepio do mar

 Ah, aquele vislumbrar da alegria chegando,

em marés solta saltando.
O arrepio das águas no frio,
Espumas com peixes brincando.
De pijamas e de chinelas, o
sol se levantando,
no acolchoado pico
das aventuras do leste,
Teu olhar me enternece
De longe, meus olhos marejam
Já te almejo, e nem cheguei,
de longe sinto teu abraço,
nas curvas que simulei.
Em ondas me espera na areia,
enfeitas com barcos teu corpo,
Roubas a cor do infinito,
enfeitas de aurora teu dorso.
Para poder me esperar,
e me presentear,
amo amar esse mar.
Hertinha Fischer.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Enredo das teias do tempo

 Um pouco de mim se vai, ao embalo

do ponteiro.
Assim como a noite cai,
amortecendo o dia inteiro.
Sou passo da passagem,
aceno em despedida,
vento forte trazendo morte,
para a luz da lamparina.
Velha estrada empoeirada,
passagem despercebida.
Cai a lua sobre o espaço,
e o sol usa o seu laço,
Falta sensibilidade no beijo,
e frouxo está o abraço.
Segue a alma em devaneio,
a procura de floreio,
Nem rosas, nem margaridas,
só pragas entram no meio.
A inteligência faltando,
e a liberdade balançando.
Pílula para o corpo,
e a alma despencando.
Seca severa.....
Hertinha Fischer.

Fim dos tempos

 Aquele cheiro de torresmo que nascia

em varais acima do fogão, a lenha, de Dona Francisca, somado
com caldo, fino, de feijão e os bijus de farinha de milho de Dona Vicentina. Chega a salivar nas lembranças. Oh, por que mundo?
Oh, mundo por que faliu na simplicidade.
Nunca mais se verá cena mais deslumbrante.
O pequeno riacho que lavava roupas, enquanto mulheres cantavam.
As roseiras brancas enfeitando trilhos de passagem. Margaridas rolando ladeira abaixo, perfumadas e descuidadas.
O tilintar da chuva a cair nas folhas das árvores, cantando em versos, cheiro de terra molhada.
Liberdade da felicidade que rodeava as margens dos rios, a aspergir integridade e confiança aos arredores.
Quando foi que a escuridão roubou o caminho da luz?
Em que tempo tudo virou lembranças?
Em lugar de terra, asfalto, em lugar de flores, pó, em lugar de gente, carros, em lugar de alegria, confusão.
Bem diz a escritura: Quando disserem, paz! viria completa destruição.
Desce sobre a terra um espírito maligno que se chama mentira e confusão, destruindo o melhor de nós. Toda sabedoria humana não passa de braços estendidos de pedintes, De gente destruindo gente. De máquinas manipulando conhecimento.
Foi ensinado ao ser humano toda espécie de arte, para que sobrevivesse e bem. No entanto, tudo está sendo esquecido em nome da tecnologia artificial. E os braços dos homens, assim como o cérebro está definhando, doando a sua inteligência a quem não precisa comer, nem falar, nem sentir, nem desejar.


Hertinha Fischer