Bom era andar ao redor da tarde, com aquela sensação de estar rodopiando furta cor.
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Restos do resto
Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
Ao redor da tarde
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Labirintos
Ainda restam os anos,
que se demoram em mim
Ainda resta uma rosa
no campo desse jardim
Que a vida se estenda no hoje
demore-se no amanhã
Me hospede nessa jornada
E no futuro seja anfitriã
Que o fim não me espreite
antes de chegar a hora
Quando for dia certo
É certo que vou embora
O caminho se abriu por inteiro
Empedrados e escurecidos
Como lanças que são lançadas
nos afetos esquecidos
Que branca pombinha se busca
Com lacinhos sobre os pés
Trazendo de longe a mensagem
De arcas e seus Noés.
O tempo ofuscou o caminho
Labirintou as pegadas
Já não se vê retidão
Nas curvas e encruzilhadas
Quem sabe ainda eu chego
Onde se abre o começo
Me esqueça dessas agruras
Da vida que ainda padeço.
Hertinha Fischer
Aventura da folha
Ah, minha pequena folha serena,
sábado, 21 de setembro de 2024
Ribeirão em fuga
Um dia de margarida
Um dia de pele verde, vestida
de vestido branco,
a brincar com o verso cor de rosa,
Suspenso no denso roxo do lírio
azul.
Entre as, rimas da ramadas, dos cipós
siameses, a balançar ao vento.
Arrancando suspiros do invejado
barranco que despencava sobre o
peito dos juncos.
Enlameado de sapos e rãs,
a coaxar lua e horizonte.
Onde tudo se revelava, as escuras, na dança
do apagão.
Furtivamente, se via a água, a relampejar,
no estrondoso vale, repleto de vulcões
espelhados.
Seria eu a margarida, já nem tão branca,
com os miolos amarelados de tanto
usar as pétalas da esperança
para vencer a retomada do lugar,
ou já relaxada, pronta para se erguer
sobre o chão que já sumia.
Água suja, água suja, se não limpa, "caramuja"
Lá se foi o ribeirão em fuga, derrubando
o barracão sobre a margem, adentrando
o limite que a terra ostentava.
Com seu bocão esfomeado,
cada vez mais aberto,
engolindo a vegetação
que não sabia correr.
O silêncio, enfim, venceu.
Já não se ouvia o clamor das corredeiras,
nem as canções das espumas entre as pedras,
Tudo se resumiu em lama e porcos.
Num fuça a fuça de fim.
"Este é o destino de todo aquele que se esquece de Deus; assim perece a esperança do ímpio"
Hertinha Fischer.
domingo, 15 de setembro de 2024
Puro e inocente
Era uma casinha pobre,
cheia de cristais por dentro,nada feito com as mãos
Riqueza de sentimento.
Ouro estava na água
Diamante no chiqueiro
Tudo puro e natural
sem precisar de dinheiro
Só plantar e colher
O resto a natureza cuidava
O dia fazia prece,
a noite o vento rezava
Deus sempre presente
Nos roçados nos levava
cuidava da nossa casa,
e com os pássaros cantava
Pés desnudos sobre a relva
alma vestida de festa
sapo cantando na lagoa
E os grilos fazendo seresta
Que lindo luar se levanta
No céu do meu sertão
Onde é sempre primavera
dentro do coração.
Quando a lua se ausentava
Enviava o vagalume
A alumiar o morro,
desde a borda até o cume.
Hertinha Fischer.
sexta-feira, 6 de setembro de 2024
Geração do amor
Era somente mais uma semente,
entre tantas, semeadas
Garantida pela lisonjeira terra,
destilando vida pelos poros,
as fez cheias de vibrações. Emoções.
A chuva que cuidava, o sol que
a amava, e o oxigênio que demandava. Exalava.
A vitória das flores, das favas e o amar de
quem cuidava. o Universo sorria.
Transbordava verdor, cativante fotossíntese. Amor.
A entrada do simples, a saída do exemplar. Estupendo
Como organizar uma série de sons, captadas pela sensível
luz, que dança a musica celestial.
Na penumbra se deita, na aurora se renova, e com o sol se aprova. Deus.
Amar não significa algo que se deseja, Mas, algo que não se explica. Além do imaginário.
Tem o alcance das alturas, captado pelo astro mais profundo. Tudo que a alma pode alcançar.
Assim como uma semente se
transforma dentro do seio da terra e se rompe do útero, sangrando e gemendo as dores do parto para lançar-se nas ondas do tempo, trazendo as informações que jamais se esquece. no mais profundo silêncio, encantando os olhos das gentes. Perpétuo espetáculo.
Hertinha Fischer.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Olhos da terra
Como me entender,
se nem estou mais aqui.
Tenho muitos rabiscos
que nem sequer transmiti
Sou como a rosa, que só pé,
enterrada sobre ciscos
sem poda e sem cuidado
como ovelhas sem apriscos
Desvendando os ponteiros
Seu caminho circulado
Horas marcam todo dia
de rodar, já está cansado
Como sinos pendurados,
sobre a igreja no telhado
Há muito esquecido,
com badalo enferrujado
Muitos só vivem de enfeite
Como anão em seu jardim
Não falam e nem ouvem
Mesmo feitos de marfim
Estou seguindo em minha orla
maré que sobe e que desce
Esculpindo pedras com beijos.
Nos braços de uma prece.
Hertinha Fischer
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