Total de visualizações de página

Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sábado, 21 de setembro de 2024

Ribeirão em fuga

 Um dia de margarida


Um dia de pele verde, vestida
de vestido branco,
a brincar com o verso cor de rosa,
Suspenso no denso roxo do lírio
azul.
Entre as, rimas da ramadas, dos cipós
siameses, a balançar ao vento.
Arrancando suspiros do invejado
barranco que despencava sobre o
peito dos juncos.
Enlameado de sapos e rãs,
a coaxar lua e horizonte.
Onde tudo se revelava, as escuras, na dança
do apagão.
Furtivamente, se via a água, a relampejar,
no estrondoso vale, repleto de vulcões
espelhados.
Seria eu a margarida, já nem tão branca,
com os miolos amarelados de tanto
usar as pétalas da esperança
para vencer a retomada do lugar,
ou já relaxada, pronta para se erguer
sobre o chão que já sumia.
Água suja, água suja, se não limpa, "caramuja"
Lá se foi o ribeirão em fuga, derrubando
o barracão sobre a margem, adentrando
o limite que a terra ostentava.
Com seu bocão esfomeado,
cada vez mais aberto,
engolindo a vegetação
que não sabia correr.
O silêncio, enfim, venceu.
Já não se ouvia o clamor das corredeiras,
nem as canções das espumas entre as pedras,
Tudo se resumiu em lama e porcos.
Num fuça a fuça de fim.
"Este é o destino de todo aquele que se esquece de Deus; assim perece a esperança do ímpio"

Hertinha Fischer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário