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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

domingo, 14 de julho de 2024

E o tempo esqueceu

 A doce criancice

que de muito doce
se lambuzava
Não conhecia doce
e era doce que não faltava
Pés de feiões enfeitavam
a margem da terra da rua
Cresciam bem a noitinha
ao som da seresta da lua
Faróis acesos de quando
carros por ali passavam
alumiavam a passagem
da palhoça que desvendavam
De olhinhos abertos e vivos
No terreiro abaixo brincavam
A correr pela passagem estreita
onde vagalumes cercavam
A terra da rua a brincar
em poeiras se transformavam
Hoje a estradinha está triste,
a terra ressequida também,
Derrubaram a palhoça, e
as crianças se foram também.

Hertinha Fischer.

sábado, 13 de julho de 2024

Sonhos enviesados

 O convívio com a noite me enternece,

sobre a cama que me aquece
entro em transe como prece.
Da entrega a liturgia,
da volúpia á magia
que mais se pediria
anjos bons destilaria
Compreende-se descanso
enfadado, recluso e manso
a derramar o corpo em remanso
do sono de tanto ranço
Vai deixando-se levar
até a orla do divagar
Esse mar quer dessalgar
e a alma elevar
Somos apenas criaturas
que de dia segue as ruas
a resfolegar nuas e cruas
o nascer do sonho que te incluas.
Hertinha Fischer.

Vale do apreço

Sossego e espera, mas mais espero do que sossego. Vejo-me desperdiçado a vagar, sementes vazias de tempo que me prendem a coisas sem valor, misturando-se às poucas que realmente valem a pena. Se vale, que valha; se não, que o vento leve. Vivo de súplicas dispersas, sempre atento ao que não vale. Mais vale o pouco que importa do que o vale irrelevante do prazer fútil e inútil.  

Hertinha Fischer







quarta-feira, 10 de julho de 2024

Se não houvesse

 Se não houver um amanhã,

de hoje farei minha fé
Consciente serei de mim
um segundo em meu jardim,
Se só hoje me completasse
tudo de mim seria agora
o resto ficaria de fora
menos a rosa que se demora
Se ontem me resgatasse
de hoje eu fugiria
Só para ter você de volta
e de amor eu te falaria
Se só o amanhã sobrasse
mesmo não sendo, eu pediria
uma dose de vida ainda
pra estar com você Maria.

Hertinha Fischer.

sábado, 6 de julho de 2024

Sótão do coração

 

Poesia que proseia
Não tenho saudade, tenho historia
De barro, de terra, de verão
De gente que se perderam no estradão.
De cigarras agarradas as cascas de cedro,
de crianças deixando rastros nas cinzas
do tempo.
de cabelos presos, soltos ao vento
Não tenho saudade, tenho é mania de reproduzir
sentimentos no sótão do coração.
Ali, onde o tempo não sente solidão
O presente no passado.
costas do tempo virado
Os gorjeios dos pássaros nas doces tardes inocentes.
O cantar do galo nas madrugadas, circundando a aduela
da janela da lua.
Os preciosos momentos de simplicidade,
com um copo de leite e farinha nas mãos.
A pequena vendinha, onde se consumia comunhão
Os resmungos da enxada sobre o chão
E eu, mesmo sem asas, voando nesse mundão.
O campo é livre, tão livre quanto a emoção.
O passado consome as coisas e deixa rastros no coração.
Sem saudade, só um grande amor por meu sertão.
Se derem o nome de saudade, também tá tudo bão!
Hertinha Fischer.

subterfúgios


As perfumadas tardes laranjeiras,
jasmins salientavam nas beiras.
Doce cantar das jabuticabeiras
sobre as asas dos ventos verceias

Encantos das rochas agulhas
no calcanhar se mergulhas
lançando-se em fagulhas
fazendo algazarras e bulhas

O ar que se prece e morte
vento que parece forte
se aquieta e apura a sorte
de sul, leste e norte.

De quando cerceia o medo
das mãos se falta o dedo
de noite o dia é cedo
o falso remédio é placebo

Do nada se rende o profeta
ousar de pronto a meta
aponta seguro a seta
e o seu coração se aquieta

Felicidade já se perdeu
na hora que não aconteceu
esperança que já morreu
e de dor adoeceu

Hertinha Fischer.



quinta-feira, 4 de julho de 2024

Garras do sorriso

Com que garras tu me prendes, oh, sorriso,


Com que júbilo me aqueces  

Na amizade sempre justa,  

Como um refresco de mel e menta.  

Na descida me acolhes,  

Na subida me sustentas;  

Riso fácil é a marca  

De quem no frio se aquece.  

Traz paz na sua luz,  

Colheita generosa de felicidade.  

Quem me conhece já sabe:  

É o sorriso que me traduz.  

Hertinha Fischer.