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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Pente fino

 Eu nem queria estar aqui, onde o sol nasce

complacente.

Não queria ser rio nem nascente

Se me entristeço, sou demente;

se sorrio, estou contente,

Sem sorrir na dor que é sua,

  na dor alheia é que  usufrua.

Há de convir que são tão puros,

na lama constroem seus muros

Corpo sarado e alma doente

cabelos alisados

e piolhos no pente.

Hertinha Fischer




quinta-feira, 9 de maio de 2024

Som de tristeza

 Som de minha tristeza

Ecoa por dentro
palavras que nem consigo dizer
Não há letras no lamento
Se em lágrimas almejasse
olhos tristes derramastes
Quantas almas carregastes
quanta bondade tu mostrastes.
Hertinha Fischer.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

laços internos

Me encontrei com o mundo das letras quando meu mundo se resumia a nada. Fui duramente maltratada pelas circunstâncias, que não gostavam de silêncio, e eu não sabia falar. Carregava muito dentro de mim, toneladas, e não fazia ideia de onde guardar. Foi então que surgiu aquela sede de escrever, mesmo sem saber como expressar. 


Fui aos poucos, transitando e rabiscando em linhas quase intransitáveis, até alcançar um pequeno trecho que me permitiu seguir um pouco mais. Ainda erro e, às vezes, exagero. Mas sigo aberta ao aprendizado, mesmo achando que já é um pouco tarde. 


Escrever, para mim, é como sair na chuva em um dia quente. Sinto a magia das letras se formando, um alívio para a quietude repleta de significados. Nunca mais me senti tão só, agora preenchida por histórias, contos e até arrisco “poesiar” um pouco comigo mesma.

Hertinha Fischer.




domingo, 5 de maio de 2024

Deleite com café

A janela, onde o sol nasce, sobe as escadas floridas e ali permanece, sentado, até que a porta da poesia se abra, lá pelas bandas das letras. Perfume se espalha, bem-te-quer canta, aquecendo qualquer coração. Ah, nem precisa de conto, os olhos se encantam, repousando suas amarguras. Um deleite acompanhado de café numa xícara de cristal.

Hertinha Fischer.

ABCD da oração

 Bem te vi, bem me quer

Passarinho, passarei

Quem te aprecia, aparecia

Quadro branco, colorido

Escritor de sonhos, sonharei

Eis que vem, esperarei

Ao chegar, abraçarei

Sentimento, calor intenso

Amor imenso chora por dentro

Esquece a hora, composição

Afina os segundos no coração

Aberta a comporta da imaginação

Colore a alma com sua canção

Alegria de consoantes e vogais

Que sorrindo se dão as mãos


Hertinha Fischer



sábado, 4 de maio de 2024

Teia de seda

 Escrevem, descrevem prescrevem

Revelam sem se mostrar
Acordam e dormem em dormência
Sem lembrança do próprio sonhar
Ontem já foi e ontem que vem
nem ontem e nem hoje, desdém
Cravo, cravina, cravisco
Rubro e negro refém
Sustância e substância
Ânsia de ir muito além.
De ouvido prurido nem ouvem
E a fala se cala também
Os atos desatam e desbotam
a tez se avermelha ao sol
Como peixinho que é preguiçoso
enrosca sua vida no anzol.
Hertinha Fischer.

Valor ilusório

 Hoje sai de mim,

fui dar umas voltas no ar
senti a leveza do corpo
a flutuar.
Me neguei diante de mim,
senti que era alguém
dentro do tudo que me cegava
a tristeza riu também
Não havia céu, nem cor azul
nem estrelas, nem cometas
somente suave silhuetas
sombreados no norte e sul
Ar que nem se via,
vias sonhando caminhos,
e sonhos desalinhados
na ânsia dos conquistados
escritos em pergaminhos
Duvido de que existo,
Almas não tem olhos,
imaginam corpo,
assim como as estrelas
estão apagadas,
com a luz alheia
é que podemos vê-las.
Seria tudo ilusão de ótica,
tão perfeito como dia claro?
Se da terra fomos
feitos,
somos a perfeição
do barro!
Hertinha Fischer.