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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

domingo, 7 de abril de 2024

Se tu para tu mesmo

 Mesmo que sejas só tu e suas palmas. Parabenize-se!

Jogue-se no perfume e sinta-se o jardim. Depois floresça para ti mesmo!
Hertinha Fischer.

sábado, 6 de abril de 2024

Convicção de valor

 Ainda chorava minhas manhãs perdidas,

elas se iam com as horas.
A tarde, como sempre, me incentivavam
com as suas preguiças.
Buscava, então, a coragem como familiaridade.
Seguir pela tarde já não era como irmã.
O pulsar fica mais lento diante da perspectiva da pressa.
Fazer dar certo, na pressa, seria o mesmo que errar.
Tinha, por sorte, as lamparinas sagradas, que se davam com a luz do luar. E os sombreados auxiliavam na composição dos afazeres.
O não enxergar direito não vê defeito.
O dia, porém, me dava o rumo.
Quase sempre me mostrava o conceito dos defeitos.
Via minhas íris escuras, minhas pisadas falsas e meu saber na crença, quase que emaranhadas.
Pensava no caótico fim.
E fim não havia.
Embora se acredite na morte de todas as coisas.
Os números não mentem. Pra onde vai toda essa gente que
se despede?
A terra pode por um fim na matéria, E a sensibilidade, a identidade em si, a maturidade, a sutileza da promessa, quem poderá suprimir?
Impossível se criar o vento para a calma, ou o diluvio para a seca?
Não se constrói para destruir, nem se cria para nada.
Há sempre um propósito para o sol e outro para a lua, para a terra e para o mar, será que só o homem foi criado para não ser?
Hertinha Fischer.

Silencio da palavra

 Penso, logo me calo. Em escritas me consolo.

Ergo meus silêncios aos céus,
para então ouvir.
Essa ausência murmura na alma, a espera de
um cântico qualquer.
Como aquele que embala a árvore de um pássaro
Nada mais é como é.
Tudo se perdeu nas poças
Barros que afundam a mensagem
Arrogâncias que pulam pra fora
Nada pra se dizer.
Hertinha Fischer.

Uivando céu

 O cansaço do dia me traz noite,

acomoda-se na linha do sonho,
que ainda nem sonhei.
Uma vontade de voltar sem ir, de crescer
ao reverso.
Nem quero mais do que sou, nem
mais do que mereço, apenas descansar
as pregas das pernas num jogo
de lençóis azuis, para uivar céu de madrugada
como um lobo uiva para sua lua preferida.
Hertinha Fischer.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Asas da fé

Eu que avanço, eu que não volto atrás.  

Perdoa-me, tempo, sou contra o tempo.  

Se me desmoronas, eu me refaço.  

Se me inspiras, eu te respiro de volta.  

Lentamente, me consumo, me construo a cada instante.  

Há quem te diga: nunca mais!  

Eu creio no que não vejo como destino.  

Se me enrosco, me desenrolo.  

Se me feres, me curo bem.  

Se me levas, levo-te comigo.  

Se me derrubas, eu te ergo.  

Se me esqueces, eu me recordo.  

Sou mais ousada e teimosa que o infinito.  

Vou além de tudo,  

o aquém me sustenta.  

Deus, meu universo.  

Deus, minha vida.  

Deus, início, meio e fim.  

Hertinha Fischer.  

quarta-feira, 3 de abril de 2024

A nevoa

 O homem fala, discute, questiona e sente.

Mais fácil amar quem apenas anda, come e respira
Esse tipo de amor que queres não existe.
A própria historia do homem conta.
Quando apenas um, podia falar consigo mesmo, responder o
que quisesse, isso não o faria aprender.
Quando dois, Quem somos? Um é um,
outro é outro, ambos pensam desigual
O que, geralmente, incomoda, é não ter o outro. Quer dizer: Não possuir o outro como um objeto util.
Amem! Amem! Amem! gritam: Quando nem sabem direito o que é amar. Estão sempre colocando o amor numa balança de pretensão.
Passam ao lado do semelhante como se este não existisse.
Não é só quem tem fome no estômago que precisa de alimento. O ato de ignorar maltrata muito mais que a fome de coisas.
As vezes, dão muito mais valor a quem está longe do que quem está perto, por que quem está longe não disputa lugar, nem interesse.
Ninguém fala mal de desconhecidos, Já os conhecidos
são massacrados em conversas fiada nas esquinas.
Onde escondemos nosso tesouro?
Quem apagou a luz da sabedoria?
Por que se dão ao trabalho de esmiuçar fatos sem relevância, querendo
descobrir outros mundos, e destruindo seu próprio?
Estou muito estranha também. Não tenho mais vontade de estar no meio.
Objetivo a obra, mais que o valor.
Cansada demais para disputas, seja de carinho, preocupação ou consideração.
Um nevoeiro nos envolve, incapacitando os olhos a enxergar o que se deve. E o coração, de sentir livremente.
Hertinha Fischer

Silêncios ao céu

 Penso, logo me calo.

Ergo meus silêncios aos céus,
para então ouvir.
Essa ausência murmura na alma, a espera de
um cântico qualquer.
Como aquele que embala a árvore de um pássaro
Nada mais é como é.
Tudo se perdeu nas poças
Barros que afundam a mensagem
Arrogâncias que pulam pra fora
Nada pra se dizer.
Hertinha Fischer.