Ainda assim me via e ouvia quando as fraudas de pano de saco estavam encharcadas de frio.
Uivava ainda a criança chacal dentro da comodidade do cerco.Quando as circunstâncias da fome afagava o silêncio dos vigias.Uma sede de descobrir além, um choramingar de esperança, um defender-se quase que destrutivo diante do perigo a rodear.O mundo circulando ante seus olhos atentos, numa expressão selvagem de olhos famintos naturais.O céu de olhos azuis, titubeando sobre a luz fraca do sol entre nuvens negras e pegajosas.Enquanto mastigava um pedaço de capim seco, entre dentes, ainda de leite, branquicentos e lentos, sacolejando, as ancas, no prelúdio de uma força imaginária.Uma coroa de penujem sobre a cabeça, ouriçada pela mágica sensação de já poder ser como os demais.Tudo parecia imenso diante dos seus passos, incompreensível e poderoso para que encarasse como fato.Uma janelinha que mais se parecia com um buraco negro, se abria para o sul de seus dias, que a noite engolia como se brincasse de viver e morrer. E a vida solvia seus goles.Brincar de pega-pega com as folhas soltas de uma árvore, solrisando de prazer nas brincadeiras inocentes, como se brincar fosse a moral.
E assim, como não se quer nada, e nada a se esperar, as águas corriam em seus mananciais, cresciam e seguiam seu curso meio que descampando.
Esperar e esperar, até que os vigias voltem com a recompensa do abandono. E o tempo o empurre para o crescimento, para que esteja apto a vigiar por si mesmo.
Hertinha Fischer.