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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Globo da criação- Ars

 Ainda assim me via e ouvia quando as fraudas de pano de saco estavam encharcadas de frio.

Uivava ainda a criança chacal dentro da comodidade do cerco.
Quando as circunstâncias da fome afagava o silêncio dos vigias.
Uma sede de descobrir além, um choramingar de esperança, um defender-se quase que destrutivo diante do perigo a rodear.
O mundo circulando ante seus olhos atentos, numa expressão selvagem de olhos famintos naturais.
O céu de olhos azuis, titubeando sobre a luz fraca do sol entre nuvens negras e pegajosas.
Enquanto mastigava um pedaço de capim seco, entre dentes, ainda de leite, branquicentos e lentos, sacolejando, as ancas, no prelúdio de uma força imaginária.
Uma coroa de penujem sobre a cabeça, ouriçada pela mágica sensação de já poder ser como os demais.
Tudo parecia imenso diante dos seus passos, incompreensível e poderoso para que encarasse como fato.
Uma janelinha que mais se parecia com um buraco negro, se abria para o sul de seus dias, que a noite engolia como se brincasse de viver e morrer. E a vida solvia seus goles.
Brincar de pega-pega com as folhas soltas de uma árvore, solrisando de prazer nas brincadeiras inocentes, como se brincar fosse a moral.
E assim, como não se quer nada, e nada a se esperar, as águas corriam em seus mananciais, cresciam e seguiam seu curso meio que descampando.
Esperar e esperar, até que os vigias voltem com a recompensa do abandono. E o tempo o empurre para o crescimento, para que esteja apto a vigiar por si mesmo.

Hertinha Fischer.

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