É aqui que tudo começa e, provavelmente, será aqui que tudo terminará. Houve um tempo em que tudo me parecia vivo, as coisas se encaixavam naturalmente. Nada parecia tão incerto, e a correria da vida me impulsionava a seguir cada vez mais rápido, até que, sem perceber, tudo mudou de repente. Passei a ver a vida sem encanto, tudo ficou pesado, até as tarefas mais simples me causavam desânimo, como se já não houvesse mais caminhos abertos como antes. O tempo correu demais e me deixou para trás; parece ter se renovado, mas me tornou mais lenta. Às vezes, choro ao abrir a janela pela manhã, pois já não encontro a mesma alegria que me recebia. No lugar das árvores e do cheiro de mato, sinto o gosto de combustível no ar, vejo postes e fios se entrelaçando, escondendo o céu. Tenho uma vontade imensa de voltar, mas o passado roubou meu retorno; nem mesmo minha pequena casa de esperança existe mais. Só a saudade amarga abre feridas no meu peito. Tento achar um lugar de descanso para aliviar a angústia, faço o possível para seguir, mas onde estão minhas estradinhas de terra? Quando as enterraram? E meus poucos sonhos, em que encruzilhada ficaram? Minha realidade vem perdendo identidade, não consigo lidar com as mudanças. Já não há relógios nos pulsos, nem consciência nos meus dias, que passam rápido demais e não percebem que minhas pernas não correm antes. Há um burburinho constante na minha mente, quero agir, quero entrar nesse mundo sem pátria, quero fazer parte, mas só me resta a parte que me nega.
Herta Fischer
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