Há memórias que nunca se apagam, como os luares de outros tempos e lugares. Havia uma criança, e essa criança era eu, com um mundão à minha espreita e o pouco que eu sabia. Mesmo sem ver, eu ouvia. Pela manhã, o cheiro de café chegava aos meus ouvidos e me dizia que era dia. As comédias dos grandes pássaros começavam ao nascer do sol, tentando ganhar dos pequenos, que eles punham a correr. Da grandeza da Tereza, que dava leveza ao dia, ouvia-se o seu cantar: "Essa vida é uma beleza." Essa saudade que corre solta, esfola a alma e nunca morre. Se uma estrada se fecha, logo outra socorre.
Hertinha Fischer
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