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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Fuga dos amanhãs

 Tinha os amanhãs ao meu dispor,

Vivia todos com vivacidade.
O silêncio, quase sempre,
a me escutar.
Os andaimes dos sonhos, montados
A lua, o sol de minhas frágeis noites
me sondava pelos buracos das telhas folgadas.
O céu sempre azul, roubava
os brancos das nuvens só para
se compreender.
Ah! os amanhãs do ontem!
Sobejava crença e desordem
Nunca falhava e nunca estava
Escapava pelas frestas das portas
Fugia para o esconderijo
do hoje,
só para que continuasse
lhe desejando.
Hertinha Fischer.

terça-feira, 14 de maio de 2024

Sabores remotos

 Ainda me sento em esperança

nas quinas de tantos sonhos.
Na meiguice da inocência
feitas de tábuas e pregos
Delírios que se medem
com réguas de subsistir
Subtraindo tempo, andando
para trás.
Para emergirem os pequenos
sentimentos deixados
no ar
As quinas que ainda cheiro
as narinas que querem ver
Se pudesse voltar,
sem ter que passar.
Olharia com paladar.
Quanta imagem ainda padece,
Quantos sabores carrego
nas costas, e quanta
linguagem escorre
por entre veias.
Os trechos que não escrevo,
as letras que a memória espanta
O sabor de vias e lágrimas
que ainda conservo na garganta.
Saudade viaja, saudade voa
nas cataratas perdidas e
nos furos de uma canoa.
Hertinha Fischer.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Pente fino

 Eu nem queria estar aqui, onde o sol nasce

complacente.

Não queria ser rio nem nascente

Se me entristeço, sou demente;

se sorrio, estou contente,

Sem sorrir na dor que é sua,

  na dor alheia é que  usufrua.

Há de convir que são tão puros,

na lama constroem seus muros

Corpo sarado e alma doente

cabelos alisados

e piolhos no pente.

Hertinha Fischer




quinta-feira, 9 de maio de 2024

Som de tristeza

 Som de minha tristeza

Ecoa por dentro
palavras que nem consigo dizer
Não há letras no lamento
Se em lágrimas almejasse
olhos tristes derramastes
Quantas almas carregastes
quanta bondade tu mostrastes.
Hertinha Fischer.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

laços internos

Me encontrei com o mundo das letras quando meu mundo se resumia a nada. Fui duramente maltratada pelas circunstâncias, que não gostavam de silêncio, e eu não sabia falar. Carregava muito dentro de mim, toneladas, e não fazia ideia de onde guardar. Foi então que surgiu aquela sede de escrever, mesmo sem saber como expressar. 


Fui aos poucos, transitando e rabiscando em linhas quase intransitáveis, até alcançar um pequeno trecho que me permitiu seguir um pouco mais. Ainda erro e, às vezes, exagero. Mas sigo aberta ao aprendizado, mesmo achando que já é um pouco tarde. 


Escrever, para mim, é como sair na chuva em um dia quente. Sinto a magia das letras se formando, um alívio para a quietude repleta de significados. Nunca mais me senti tão só, agora preenchida por histórias, contos e até arrisco “poesiar” um pouco comigo mesma.

Hertinha Fischer.




domingo, 5 de maio de 2024

Deleite com café

A janela, onde o sol nasce, sobe as escadas floridas e ali permanece, sentado, até que a porta da poesia se abra, lá pelas bandas das letras. Perfume se espalha, bem-te-quer canta, aquecendo qualquer coração. Ah, nem precisa de conto, os olhos se encantam, repousando suas amarguras. Um deleite acompanhado de café numa xícara de cristal.

Hertinha Fischer.

ABCD da oração

 Bem te vi, bem me quer

Passarinho, passarei

Quem te aprecia, aparecia

Quadro branco, colorido

Escritor de sonhos, sonharei

Eis que vem, esperarei

Ao chegar, abraçarei

Sentimento, calor intenso

Amor imenso chora por dentro

Esquece a hora, composição

Afina os segundos no coração

Aberta a comporta da imaginação

Colore a alma com sua canção

Alegria de consoantes e vogais

Que sorrindo se dão as mãos


Hertinha Fischer



sábado, 4 de maio de 2024

Teia de seda

 Escrevem, descrevem prescrevem

Revelam sem se mostrar
Acordam e dormem em dormência
Sem lembrança do próprio sonhar
Ontem já foi e ontem que vem
nem ontem e nem hoje, desdém
Cravo, cravina, cravisco
Rubro e negro refém
Sustância e substância
Ânsia de ir muito além.
De ouvido prurido nem ouvem
E a fala se cala também
Os atos desatam e desbotam
a tez se avermelha ao sol
Como peixinho que é preguiçoso
enrosca sua vida no anzol.
Hertinha Fischer.

Valor ilusório

 Hoje sai de mim,

fui dar umas voltas no ar
senti a leveza do corpo
a flutuar.
Me neguei diante de mim,
senti que era alguém
dentro do tudo que me cegava
a tristeza riu também
Não havia céu, nem cor azul
nem estrelas, nem cometas
somente suave silhuetas
sombreados no norte e sul
Ar que nem se via,
vias sonhando caminhos,
e sonhos desalinhados
na ânsia dos conquistados
escritos em pergaminhos
Duvido de que existo,
Almas não tem olhos,
imaginam corpo,
assim como as estrelas
estão apagadas,
com a luz alheia
é que podemos vê-las.
Seria tudo ilusão de ótica,
tão perfeito como dia claro?
Se da terra fomos
feitos,
somos a perfeição
do barro!
Hertinha Fischer.