O vento parou, chuva a caminho.
Quando venta aqui dentro, é como cavalgar,
balança.
Agita-se uma emoção que muitas vezes nem tenho, mas insisto!
Sou especialista em me sentir culpada, juíza das minhas próprias causas.
Estou sempre devendo, mesmo sem dever nada. Nem amor!
Faço minhas preces de gratidão com as mãos, sempre
procurando ocupação, para não me sentir tão desleal.
Cansaço? Que cansaço! Me dou bem com o corpo dolorido.
Enquanto não me volto contra meu corpo, meu espírito permanece inquieto.
Ainda bem que tenho o travesseiro para me acalmar e uma boa
noite para descansar.
Soo-me desafinada, como cordas de um violão esquecido.
Já bordei e costurei, nunca obtive bons resultados. Quero tudo para ontem.
Admiro quem gosta da noite. Eu a evito.
Queria entender o amor dos outros, para definir os meus. Me acho (nesse sentido) um
pouco neutra.
Acredito que sou muito intensa e lúcida para me perder no irreal dos fatos.
Não acho que as pessoas são chatas, só não descobriram como ter uma boa conversa.
Gosto de saber de tudo, menos do que todo mundo já sabe ou do que não me sustenta.
Detesto assistir o mesmo filme duas vezes. Só poemas e poesias nunca me cansam!
Nem sei por que escrevo: se é para me isolar ou para me refugiar.
Aliás, tudo o que faço é trabalhar, o melhor refúgio de todos os tempos.
Hertinha Fischer
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