O amor floresceu em nós em tempos de bonança, espalhando-se em flores pela primavera. Ousamos transpor o tempo e, nos invernos, nos reinventamos. Cada hora chegava para visitas constantes, no rodopiar de ponteiros precisos, sustentados pela fé que não se cansa. Todos os dias colocamos mais um pequeno galho sobre o telhado do nosso ninho, que nunca envelhece. Tudo vive na magia do sentimento, alimentado pela Divindade, mesmo sabendo que é inconstante. Um dia, a despedida chega sem avisar, e teremos que dividir, em lágrimas, a mesma mesa. Ainda assim, toda a vida vivida será lembrada, e toda a felicidade compartilhada nos consolará. A festa, em algum momento, acaba. Os pés cansados de tanto dançar pedirão descanso e, descansando, tudo parecerá completo. Até mesmo a terra, que já recebeu tantas sementes e as transformou em gratidão para alimentar tantos, um dia se cansará e precisará de consolo e repouso. Renovada, se preparará para novas espécies e novos amores. Não há esquecimento, nunca! O que foi, é! Assim como a chuva, que se vê cair e depois parte, mas um dia retorna do seio da terra para irrigar esperança e fé. Milhões de anos depois, aqui estamos, fincados na mesma raiz, na mesma forma, com os mesmos sentimentos crescendo como folhas, conscientes das mesmas promessas e contando histórias diferentes no mesmo papel.
Hertinha Fischer.
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