Vivo dentro desse mundo invisível, que me abraça todo tempo.
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sábado, 26 de fevereiro de 2022
Redoma de fé
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Bom condutor
O silêncio sempre fala melhor das coisas, por isso é que não devemos ficar borbulhando como água a 100C*, como chaleira no fogo. Deus em sua magnitude ouve em silencio, e em silencio reanima. Não é preciso convencê-lo de nada, nem repetir mensagens como se fosse surdo. Aja de coração aberto, viva na constância do que é - refreando a língua, o corpo - em obediência ame, em obediência dirija, em obediência segue, regue e construa, sem, no entanto, tomar o caminho só para si...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
Universo físico
Quando e onde me despertei desse sonho que não sonhei?
Havia uma luz lá em cima, coisa de lua cheia - iluminando as ramadas dispersas sobre uma árvore. Desciam até o chão sem se quebrarem. Braços e abraços de cordéis se entrelaçavam em orgias de folhas azuis.
Eu, mera espectadora de tudo. De tudo que era visão.
Charlataria pensar que sabia, quando olhava e percebia, sem entender o que o mundo anunciava sobre a escuridão. Uma escuridão redonda, sombria e espalhafatosa - amando sua noite pelas frestas, enquanto a madrinha da festa, se embrulhava entre nuvens e imagens. Que imagem mais atraente, quando, em seresta, os grilos e sapos cantavam alegremente em seus vestidos de junco. O olhar de lua cheia, clareando as densas e povoadas claraboias que se abriam acima dos Thypha domingensis que atuavam as margens dos rios doces.
Uma dança frenética de seres alados, com suas finas e sofisticadas roupagem de gala, a desfilar para a lua, enquanto despejavam- se em desejos de se acasalar. Abaixo, depois do amor, serviam-se em banquetes para os peixinhos que também aproveitavam da festa de lua cheia. O mundo ali se manifestava entre os magníficos pontos de luz e sombra,
Havia aquela lambança, entre lágrimas e esperança, no linguajar da floresta, que destacava, orquídeas entre cascas, soltas e acabadas, de uma árvore qualquer. Na ribanceira, sem teto, a despencar em saudade, do que já ia morrendo - ante resquícios de vento, a uivar seu desalento. Até, que a lua fugia, ao sentir que era hora do sol despertar seus amores, Tudo ficava quietinho, a dormir suas dores, em uma cova qualquer.
Outra luz , já surgia, lá detrás de um morro, como se nascesse do pé de um gigante, o sol se levantava.
Tomava seu caminho, lambendo o azul do céu, numa paixão de raiar. As águas desciam a pé e em silêncio, saudosa e matreira, entre barrancos escorria. E os peixinhos, satisfeitos, pelo banquete da noite, em ziguezague se cumprimentavam. As corredeiras, em transe, a espumar pelas ventas, as pressas passavam, se jogando pelo precipício sonhado, até se regalarem do outro lado.
Assim, a vida ia surgindo, entre margens - as marcelas floridas, que de sol não se cansavam, doavam-se ao terreno, amarelando o derredor de prazer. Lá se vinham os tatus, com seus focinhos pontudos, duro como facão afiado, a esburacar suas casas. Eu, que nem fazia parte, fui crescendo em fé, ante aquele anfiteatro natural. Havia palco pras garças de um pé só, a sondar as águas, como se lhe pertencesse. Olhos grandes e parados, parecia uma estatua nascida das margens. Havia lugar na arquibancada para os ratos, que do banhado surgiam, a procurar por petiscos, que caia do banco de areia. O sol, transitando, como guardião da floresta, de olho em tudo que acontecia, nunca perdia uma parada, nem se escondia de nada.
E o dia vingava e crescia depressa
Conforme crescia, o sol crescia com ele, e se davam - como o menino apaixonado oferece uma flor pra amada. Se acomodam um no outro, versando luzes e cores - inspirando amores, O pequeno caracol a levar sua casa nas costas, lambuzando a terra com sua saliva gosmenta. As hortênsias, casadas com duas cores, que as completam, ditosamente, com olhares de rosa e tons de azul celeste, oferecidos ao céus. A begônia, tão viçosa, pronta para casar, toda vestida de branco - como uma noiva á esperar pelo seu noivo na entrada da igreja. E o grilo, após uma noite de cantoria e orgia, descansava, sobre um colchão de bambu.
E a fé vai na frente, empurrando a esperança, do dia e da noite que nunca se cansa.
Herta Fischer
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
Favorecimento impio
A gente se esconde dentro de um pano de prato,
domingo, 6 de fevereiro de 2022
Frase
"Não ocupamos nenhum lugar na vida dos outros,
mesmo por que, um corpo, não pode ocupar o mesmo espaço,
a menos, que, se tome posse de sua alma"
Hertinha
Burlando a si mesmo
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
O segredo do vento
E o vento lhe contava segredos, soprando suavemente suas histórias de amor. Os cabelos dançavam freneticamente na calma desenfreada daquela extravagante narrativa. O enredo seguia rumo ao norte, junto às corredeiras do ar que surgia apaixonante e explosivo. Empurrava doces nuvens com um sopro quente, dilatando pupilas e marejando olhos de algodão. O vazio aplaudia com um pincel sujo de tintas azuis, celebrando o evento do vento em suas andanças e esperanças. Gotas subiam de graça enquanto outras desciam sobre a perturbação oscilante de um rio. A força frenética dos raios soltava faíscas brilhantes diante de um temporal refrescante. As folhas medrosas suavam pelas faces, sofrendo o instante que antecede a dor da lambida do caramujo sonhador.
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Queria novamente as estradas que percorriam minha alma, corajosas com suas nuvens de pó a fechar meus olhos. Dando nome ao novo, sussurrando...
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Ando em linha reta pelos caminhos tortos, morro um pouco, mas não por completo. Sei que a justiça tarda, mas, um dia, ela trará as sua...
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Eis que ainda brilha a esperança no pó da estrada. Sem cavaleiro, o cavalo troteia; sem trovador, os versos encontram seu destino. Ainda se ...