Me pusestes entre as tuas filhas
a debulhar milhos,
saciando a fome de seus pintainhos.
Entre minhas pernas pusestes a semente
que perpetuas.
Grunhindo leões a espreita
por meus filhos.
Manjando suores,
deliciando-se sem
temer.
Subindo a aurora
a transformar-se em dia,
serenando as tuas mãos,
Colhestes minhas sementes
em teus seleiros brancos,
destinando-me ao fogo.
Minha preces subiram até vós,
como fumaça de cachimbo, e tu
ouvistes e não me orientastes.
Andei como nômade, nas terras de
minha mocidade, vagando sem
controle.e sem controle entrei
em teus átrios sagrados, desnudo
e descalço. Acorrentado em ignorância, por
teu nome clamei.
E teu nome estava tão alto, e tão escondido,
como a alcova de uma raposa. por
mais que gritasse, não poderia me ouvir.
Desci mais do que podia, andei a duvidar
de tudo, e de tudo me esquivei.
Até que clareou o dia, como sol
da meia noite, e num sussurro
de gratidão, foi então
que eu o vi.
Sentado em seu suntuoso trono,
a observar-me tranquilo, dando ordens
sobre mim, estavas tu a sorrir.
Quem és tu que me perturbas
desde os primórdios tempos,
que de tudo que aprendes nem sequer compreendes?
fez o que te ensinei, de ti nada recebi, nem sequer uma prece.
Fechou teus olhos a tudo, achando que de tudo sabias. mas,
só colhestes suas dores, sobre tudo que já plantei.
Viras tua face ao contrario
de onde podes me achar, e acaba-se em nada em dia
que nunca pode me achar.
Eu sou o teu coração quando me alcança,
mas, agora, é hora de temporão..
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sábado, 3 de novembro de 2018
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