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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A solidão da gente

Houve um tempo em que eu sentia falta das pessoas, quando sorrisos e gargalhadas vinham apenas dos vizinhos, e eu me perguntava: – Que felicidade era aquela? Dentro de mim habitava uma tristeza profunda, uma tristeza que doía. Eu via os momentos acontecendo do lado de fora, queria fazer parte deles, mas não conseguia.

Demorei anos para perceber que minha tristeza não estava em mim, mas nas pessoas que não sentiam minha falta. Lembro de uma vizinha que mal me conhecia e, aos domingos, sem que eu pedisse, me trazia um prato de comida quentinho, talvez nem tão especial, mas com gosto de cuidado. Eu trabalhava, ganhava meu dinheiro, não me sentia pobre, mas comer sozinha é a maior pobreza que existe. Não era pobre de bens, mas de amor.

Perguntam-me se eu sabia amar. Não, eu não sabia. Minha solidão era tão grande que desaprendi, perdi o gosto de gostar. Nas tardes de verão, quando não trabalhava, saía às ruas, sentava na calçada e brincava com as crianças. Talvez fosse o único consolo que aquecia meu coração.

A solidão destrói. Pensar nela ainda dói mais. A comida satisfaz a fome do corpo, mas o que dizer da fome do coração? Tudo dói; até o simples pensar e sentir-se rejeitada dói. Morar sozinha tem dessas coisas; nem sempre há com quem conversar, dividir ou chorar.

O Natal é pensado como um dia especial, um dia em que ninguém deveria estar só. Mas e os outros dias, passados na mais profunda solidão? Sei que isso faz parte do passado, mas lembro bem do que significa. Estive tão só que, se desaparecesse, só notariam minha ausência após muitos dias. Fui esquecida.

Essa solidão de que falo, hoje, sei que só me fez bem, pois me transformou.
Herta Fischer.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O pouco e o muito

O espaço é pequeno, quase não me caibo.
Solitária raiz que me enche e preenche, sem nunca ver a luz,
como uma pequena rainha que espera e se desespera por não conseguir 
ser comum.
Dizem, ou costuma-se dizer, que temos a sabedoria em nossas mãos,
que podemos escolher e recolher o que plantamos. Mas,
tão certo como a chuva que vem em seu tempo,
o acaso é que nos faz.
Se acordo pela manhã com alegria, pode ser que a tarde me deixe triste, por
saber-se pequena. Com o avançar das horas, ela, (a tarde) morre nos braços da noite que também precisa entrar nos planos da sabedoria que homens desconhecem.
Não temos o poder de escolha, somos o que a vida fez ou faz de nós. pois, se realmente fossemos responsáveis por aquilo que nos acontece, nenhuma situação ruim nos alcançaria.
Tantas pretensões é que nos faz raças briguentas, cheias de incompreensões, infelizes recalcados.
Criamos o hábito de conservar o que é nosso, ou, o que acreditamos ser nosso,
sem nos preocuparmos com o sentimento alheio, pois o que nos aflige são exatamente as nossas perdas, "pimenta nos olhos dos ouros não arde".
Porém, assim como as árvores plantadas ou nascidas ao acaso, sobrevivem também ao acaso do tempo, á vontade de Deus, assim também o homem não precisa se preocupar, á seu tempo, pouco ou muito, a vida o leva e o acaso conta-lhe os dias...
Herta Fischer.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Feliz natal

Eu nunca estive só..
Eu nunca estou só!
Sempre ha alguma lembrança a falar de amor, de amizade, 
de carinho.
Houve, haverá.
uma luz a me acompanhar nos
olhos de alguém,
uma chama de cumplicidade
uma escolta silenciosa que
me vê em meio
a multidões.
que me reconhece sem
som, sem melodia, mas lá no íntimo
eu ouço, eu vejo o amor
como aquilo que me regerou
quando eu ainda não era,
não escutava nem entendia.
Alguma mão me segurava
e não era uma mão qualquer.
Parecia humana, tinha um calor humano.
mas lá, em seu íntimo era
a Divindade a fazer-lhe....
Herta Fischer

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Então é papai Noel

O natal, alguém sabe o que significa?
É relativo a nascimento; natalício.
onde ocorreu o nascimento (de alguém ou de algo);
Seria um dia de comemoração do nascimento em conjunto de todas as criaturas. todos temos uma data para comemorar, mais um ano de vida, e no natal, deveríamos comemorar mais um ano de todos..
Além, claro! o de comemorar o nascimento do Filho de Deus, que ocorreu, talvez, não nesta data, pois, naquele tempo, ainda não existia calendário de números.. Os meses, anos e outras datas de comemorações eram feitas pela fase da lua, e, ou, datas de plantação ou de colheita.
Era para ser um dia de reflexões, um dia de alegria, não somente para dar e receber presentes, isso se relaciona com comercio. Porque nós já recebemos o maior presente que alguém poderia nos oferecer. E o que oferecemos á quem possibilitou que pudéssemos comemorar todos juntos o ainda fazer parte dos dias?
Então, damos valor a um velhinho que nem conhecemos, cuja unica finalidade é dar o presente que nem foi ele quem ofertou.
Ao invés de proclamar á Cristo, o aniversariante, proclamamos, mais uma vez, apenas um simbolo de bondade: o espirito Natalino que diz respeito a papai Noel?
Porque acham que é bom estimular as crianças a seguir costumes.
Afinal, pobre criança que não acredita no papai Noel! Com certeza, crescerá frustrada por saber, que, quem realmente lhe dá o presente é o seu pai e a sua mãe.
E, assim, o papai e a mamãe que não pode comprar tantos presentes em datas comemorativas tem em quem colocar a culpa.
Eu sei bem que o povo não abre mão dos costumes. Passam eras sem que se faça algo diferenciado. uma bondade fabricada pela sociedade, com o dever de ser bom em determinado dia. ser o papai Noel de muitos, apenas para aliviar a consciência daquilo que não fez em outros onze meses vividos.
Não sou contra a comemoração: sou contra a obrigatoriedade
de levar presentes, que na verdade são apenas troca. O que dá, espera receber, e vice-versa.
Herta Fischer