Hoje o tempo está meio triste, talvez sentindo falta do sol. Envolta em cobertas, sob a arrogância do frio, me encontro tomada pela saudade. Dizem que não devemos afirmar que o passado foi melhor que o presente, pois ele não volta. Então, olho demoradamente para o mesmo céu que já nos acolheu antes, com o mesmo amor de hoje, e percebo que sinto saudade não do tempo em si, mas das pessoas que estiveram comigo e, com delicadeza, me ajudaram a ser quem sou, despertando em mim uma imensa ternura. Lembrá-las me faz bem, e saber que já não sofrem me traz ainda mais paz. Sei que, em breve, eu também serei passado, e talvez alguém sinta minha falta, não tanto pela minha presença, mas por algum bem que tenha deixado. Antes eu nada tinha; hoje, mais envelhecida, a vida me deu um pouco mais de estabilidade financeira, permitindo-me dedicar ao que sempre amei: escrever. Sou grata aos meus pais pelo esforço para que eu tivesse instrução, e a Deus pelo dom e pela força de lutar por mais do que simplesmente existir. Sei que estou de passagem, mas enquanto a vida me leva, mesmo sentindo-a se esvaziar aos poucos, vivo cada momento como único e me entrego como se fosse o último dia. Não me entristeço demais, pois entendo que sou um propósito e preciso seguir. Coragem sempre foi meu lema, mesmo na falta do essencial, mesmo na solidão e inutilidade, quando ninguém vinha socorrer, pensava em Deus que me amparava. Quando a dor era insuportável, havia em mim algo de bom que me fazia grata. Não alcancei nem um terço do que sonhei, mas, em contrapartida, vivi momentos que jamais imaginei. Somando tudo, percebo que a vida, com seus altos e baixos, me presenteou de formas inesperadas.
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
terça-feira, 24 de maio de 2016
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