O prazer constrói verdades, mesmo que saibamos onde estão as falhas. Durante a vida, quando enfrentamos a necessidade de mudança, pedem-nos que deixemos o "eu" de lado e abdiquemos das paixões. Ainda assim, inclinamo-nos para o que nos traz satisfações carnais, mesmo que isso esteja envolto em mentiras. A satisfação da carne é uma necessidade que, muitas vezes, vai além de si mesma, pois queremos ser vistos, de qualquer maneira e por qualquer motivo. É por isso que lutamos tanto contra as ilusões que a carne constrói em nós.
Comida, bebida, relacionamentos e outros aspectos da vida em sociedade ainda nos mantêm presos à ignorância. Se colocássemos, de fato, o capacete da renúncia e da compreensão, trocando tudo isso pela paz, nos tornaríamos uma raça extinta. Há guerras e divergências pela própria necessidade de crescimento, e o adubo que as fortalece é justamente aquilo que ainda se busca, o que ainda não foi conquistado: uma verdade tão distante de nós. Ninguém se imagina construindo para os outros ou dividindo o que conquistou. Estamos tão presos a nós mesmos que o outro se tornou indiferente; a fome e as dificuldades do outro não nos dizem respeito. Sempre surge a consciência: "Se eu posso e tive condições, o outro também deve ter". Um estômago cheio não sabe o que é fome.
Herta Fischer.
Herta Fischer.
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