Para ser poeta basta ter imaginação!
Fazer da vida letras para compor uma bela canção.
O sol torna-se um hino,
e a lua uma benção.
A natureza fala do que
está cheio o coração.
De amor tristeza e paixão.
de saudade e abnegação.
O poeta é ingenuidade
não conhece falsidade.
tudo é felicidade
tanto na vida no campo
quanto a vida na cidade.
Fala da rosa como se não fosse flôr
E seu perfume como se fosse de amor
E do mundo, como se não houvesse dor
de um beijo cálido e doce
Diz que é de um beija-flôr.
Do homem faz um herói
Da mulher uma princesa
da fraqueza uma vitória
e da alegria uma certeza.
Ser poeta é acreditar
que tudo pode mudar
na terra, no mar, nas estrelas
no que é triste tranformando em alegria
o que é feio ver a beleza.
Ser poeta é poder viajar
dum lugar a outro, num piscar
É ser feliz em todo lugar
È viver, sorrir e amar
sem nunca ter que chorar.
autora: herta fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
domingo, 31 de julho de 2011
sábado, 30 de julho de 2011
Sempre é tempo
Conheci uma mulher que vivia sozinha numa casinha humilde, cheia de sonhos. Já não era tão jovem, mas estava sempre repleta de vida. Trabalhava como se a palavra cansaço não existisse, e o que fazia deixava qualquer homem com inveja. Sempre pronta a ajudar quem passasse por ali precisando de algo, tinha um coração do tamanho do mundo. Os cabelos, tão brancos quanto sua alma preciosa, contrastavam com as pernas frágeis que pareciam não sustentar seu corpo, mas sua força vinha de um lugar misterioso. Trazia sempre um sorriso nos lábios e uma palavra amiga para os de coração partido, além de um prato de comida quentinho no fogão para quem chegasse com fome. Mulher de fibra, sustentava-se sozinha e ainda enviava mantimentos para filhos e noras. Seu trabalho não era fácil — o cabo da enxada contava os calos das mãos e as olheiras profundas revelavam o quanto já limpou de chão. Quantos pés de laranjeira testemunharam suas lágrimas e suor, à espera da bênção das suas mãos. Muitas vezes a vi empurrando uma carriola pesada, cheia de lenha e esperança, e nada podia deter a força daqueles braços feitos para brilhar. Limpava flores, cortava a grama, podava árvores, colhia frutos e não desperdiçava nada; quando não comia, dava aos outros ou transformava em sucos e geleias, sempre dando bom destino ao que colhia ou plantava. Quando ouvia alguém reclamar da vida, lembrava do exemplo da boa senhora que desconhecia a palavra descanso e nunca reclamava. Um dia me contou que, logo após se casar, o marido a levou para um lugar distante, onde a casa era de madeira, não havia nada para preparar comida, nem mesmo um fogão — apenas um latão velho e alguns poucos grãos de feijão.
Então, com o conhecimento de quem já sofreu, ela resolveu improvisar: cavou um buraco no barranco do tamanho de seu latão, buscou água no rio, acendeu o fogo e, quando o marido chegou ao cair da tarde, já havia feijão quentinho à mesa. Ele ficou surpreso com a força de sua mulher; qualquer outra se desesperaria sem saber o que fazer, mas ela não! Sempre dizia que quem quer nem imagina o poder que tem. Quero registrar aqui um pouco da vida dessa mulher, como forma de agradecer por tudo que aprendi com alguém tão grande em um corpo tão pequeno. Seu nome era... era Daura, pois infelizmente já não está entre nós. Deixou uma saudade imensa no meu coração!
Autora: herta fischer
Então, com o conhecimento de quem já sofreu, ela resolveu improvisar: cavou um buraco no barranco do tamanho de seu latão, buscou água no rio, acendeu o fogo e, quando o marido chegou ao cair da tarde, já havia feijão quentinho à mesa. Ele ficou surpreso com a força de sua mulher; qualquer outra se desesperaria sem saber o que fazer, mas ela não! Sempre dizia que quem quer nem imagina o poder que tem. Quero registrar aqui um pouco da vida dessa mulher, como forma de agradecer por tudo que aprendi com alguém tão grande em um corpo tão pequeno. Seu nome era... era Daura, pois infelizmente já não está entre nós. Deixou uma saudade imensa no meu coração!
Autora: herta fischer
Coração solitário
Onde está quem eu vivo procurando?
Meu coração está desempregado!
Vazio, solitário e desenganado.
Pode morrer a qualquer hora
se não encontrar o seu amor
Mostre-me a direção que segue,
vou te encontrar aonde for
Não seja tão escondidinho,
reflita só um pouquinho.
E me mostre o seu caminho!
Autora: herta fischer
Meu coração está desempregado!
Vazio, solitário e desenganado.
Pode morrer a qualquer hora
se não encontrar o seu amor
Mostre-me a direção que segue,
vou te encontrar aonde for
Não seja tão escondidinho,
reflita só um pouquinho.
E me mostre o seu caminho!
Autora: herta fischer
Comovente sensação
A simplicidade do amor me comove!
No pequeno e incompreensível gesto de um botão virando flôr.
Na chuva que cai sobre a terra, Incorporando sobre ela os seus renovos verdejantes.
No tênue sorriso de um viajante antecipando a alegria da chegada.
Numa criança no colo da mãe, sugando no peito o soro da vida.
No sorriso que transborda do rio da vida.
Na amizade que desconhece falsidade.
Na simplicidade de um lar em festa.
No carinho da família que se abraça.
No aconchego de um coração que acredita.
Na fé que se tem no que não vê.
Na esperança daquilo que aguardamos.
No sol que não se cansa.
Na lua que vive mudando suas fases.
Na mãe natureza que nunca esconde sua beleza.
E na força que mantém vivo, todos que nela esperam.
Autora: Herta fischer
No pequeno e incompreensível gesto de um botão virando flôr.
Na chuva que cai sobre a terra, Incorporando sobre ela os seus renovos verdejantes.
No tênue sorriso de um viajante antecipando a alegria da chegada.
Numa criança no colo da mãe, sugando no peito o soro da vida.
No sorriso que transborda do rio da vida.
Na amizade que desconhece falsidade.
Na simplicidade de um lar em festa.
No carinho da família que se abraça.
No aconchego de um coração que acredita.
Na fé que se tem no que não vê.
Na esperança daquilo que aguardamos.
No sol que não se cansa.
Na lua que vive mudando suas fases.
Na mãe natureza que nunca esconde sua beleza.
E na força que mantém vivo, todos que nela esperam.
Autora: Herta fischer
Esse amor que me fascina
Meu amor por você é tão grande e destemido.
Atravessa mares e tempestades só no desejo de te encontrar.
É tão poderoso! Faz o tempo parar. Comete loucuras, muda o rumo, conserva-se puro só pelo poder de te amar.
Asas abertas, pulo certeiro, presa certa para meu coração.
Alegrias imensas, veias pulsantes diante dos presságios contagiantes de pura emoção.
Pensamentos incertos, estranha corrente, formando um elo difícil de separar.
Risos e delirios, vergonha e medo, ao ouvir sua voz a me encantar.
Tateando no escuro, com a ponta dos dedos, tentando desvendar seus mais intímos segredos.
Vou deslizando lentamente, como as águas de um rio querendo chegar a algum lugar.
Vou abrindo caminho, com palavras tiradas de uma bela canção.
Até encontrar o rumo seguro do seu coração.
Com a chave esculpida por anjos, abrir, entrar e para sempre te amar!
O amor é um mistério gostoso de desvendar.
Ainda mais quando tenho certeza que esse amor que me fascina tem um nome: O seu!
Autora: Herta Fischer
Atravessa mares e tempestades só no desejo de te encontrar.
É tão poderoso! Faz o tempo parar. Comete loucuras, muda o rumo, conserva-se puro só pelo poder de te amar.
Asas abertas, pulo certeiro, presa certa para meu coração.
Alegrias imensas, veias pulsantes diante dos presságios contagiantes de pura emoção.
Pensamentos incertos, estranha corrente, formando um elo difícil de separar.
Risos e delirios, vergonha e medo, ao ouvir sua voz a me encantar.
Tateando no escuro, com a ponta dos dedos, tentando desvendar seus mais intímos segredos.
Vou deslizando lentamente, como as águas de um rio querendo chegar a algum lugar.
Vou abrindo caminho, com palavras tiradas de uma bela canção.
Até encontrar o rumo seguro do seu coração.
Com a chave esculpida por anjos, abrir, entrar e para sempre te amar!
O amor é um mistério gostoso de desvendar.
Ainda mais quando tenho certeza que esse amor que me fascina tem um nome: O seu!
Autora: Herta Fischer
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Preconceito
É difícil falar sobre esse tema, especialmente quando nos referimos á preconceitos de pessoas que vivem como se fossem os mais certinhos do mundo. Mero engano: "Quem não tem pecado que atire a primeira pedra".
Todos temos defeitos que podem desagradar a outros, e não gostamos que falem sobre eles. Quando alguém quer nos aconselhar, mostrando o jeito certo de viver, a gente sempre acha que o nosso modo é o certo e que cada um deve cuidar de sua vida.
E é assim mesmo que tem de ser, desde que nossa atitude não prejudique nem interfira na vida de outrem. Não existe nada mais precioso do que a liberdade.
Estamos vivendo em um mundo muito dividido, e a causa é justamente a intolerância.
Mesmo que nossa causa seja diferente da maioria, mesmo assim não devemos usar a violência como forma de proteção.
A forma mais eficaz de proteçao é o amor. Quando olhamos pelos olhos do amor, acabamos compreendendo que o ser humano é cheio de fraquezas e medos, mas nunca devemos esquecer que somos seres humanos. Também estamos sujeitos a todo tipo de fraquezas.
Quem julga, acaba julgando a sí próprio e se condenando, porque podemos não estar fazendo o mesmo ato condenável, mas outros atos que ao ver de outras pessoas podem ter o mesmo peso de condenação.
Vamos brincar de vida?
Eu cuido da minha e você cuida da sua.
Cada um torna-se responsável pelas suas próprias escolhas. Se for bom para ele, ótimo, se não for, ninguém tem nada com isso.
O que eu penso ou sou, independe do que o outro pensa ou seja.
Se sou azul e o outro é amarelo, qual a importância disso na minha vida?
Se a sua religião é essa e a minha aquela, que te importa?
Se a preferencia de um é o leão, e do outro o cordeiro, o que muda para você?
Nada!
Não acrescenta nem diminue.
Continuamos vivendo, fazendo nossas escolhas, errando e acertando e nem por isso queremos ser punidos por isso ou por aquilo.
Então porque julgas ao teu irmão, se você mesmo não consegue encontrar sua própria direção?
Se fosse tão seguro de sí, saberia entender a fraqueza da carne, mostraria superioridade diante de pensamentos e atitudes que fossem diferente das suas.
Na natureza existem rios, vegetações, pedras, cachoeiras, areias, mares, ilhas, pássaros, animais. Pode observar, quantas variedades. Nem por isso ficam se matando ou agredindo uns aos outros?
Tudo existe por existir, algum propósito deve ter, e brigar para mudar é dar murro em ponta de faca.
Quanto mais se dá importancia para algo, mais importante esse algo será!
Viva a sua vida e deixe os outros viverem em paz.
Só assim, voce poderá realmente acreditar que poderá mudar o mundo. Mudando primeiramente sua postura diante da vida. Quando você muda, tudo muda á sua volta.
Se você for bom, tudo a sua volta será bom , mas se você for mal, viverá no meio da podridão e será contaminado por ela. A escolha é sua! Escolha viver. Escolha amor, ao invés de ódio!
Autora: Herta fischer
Todos temos defeitos que podem desagradar a outros, e não gostamos que falem sobre eles. Quando alguém quer nos aconselhar, mostrando o jeito certo de viver, a gente sempre acha que o nosso modo é o certo e que cada um deve cuidar de sua vida.
E é assim mesmo que tem de ser, desde que nossa atitude não prejudique nem interfira na vida de outrem. Não existe nada mais precioso do que a liberdade.
Estamos vivendo em um mundo muito dividido, e a causa é justamente a intolerância.
Mesmo que nossa causa seja diferente da maioria, mesmo assim não devemos usar a violência como forma de proteção.
A forma mais eficaz de proteçao é o amor. Quando olhamos pelos olhos do amor, acabamos compreendendo que o ser humano é cheio de fraquezas e medos, mas nunca devemos esquecer que somos seres humanos. Também estamos sujeitos a todo tipo de fraquezas.
Quem julga, acaba julgando a sí próprio e se condenando, porque podemos não estar fazendo o mesmo ato condenável, mas outros atos que ao ver de outras pessoas podem ter o mesmo peso de condenação.
Vamos brincar de vida?
Eu cuido da minha e você cuida da sua.
Cada um torna-se responsável pelas suas próprias escolhas. Se for bom para ele, ótimo, se não for, ninguém tem nada com isso.
O que eu penso ou sou, independe do que o outro pensa ou seja.
Se sou azul e o outro é amarelo, qual a importância disso na minha vida?
Se a sua religião é essa e a minha aquela, que te importa?
Se a preferencia de um é o leão, e do outro o cordeiro, o que muda para você?
Nada!
Não acrescenta nem diminue.
Continuamos vivendo, fazendo nossas escolhas, errando e acertando e nem por isso queremos ser punidos por isso ou por aquilo.
Então porque julgas ao teu irmão, se você mesmo não consegue encontrar sua própria direção?
Se fosse tão seguro de sí, saberia entender a fraqueza da carne, mostraria superioridade diante de pensamentos e atitudes que fossem diferente das suas.
Na natureza existem rios, vegetações, pedras, cachoeiras, areias, mares, ilhas, pássaros, animais. Pode observar, quantas variedades. Nem por isso ficam se matando ou agredindo uns aos outros?
Tudo existe por existir, algum propósito deve ter, e brigar para mudar é dar murro em ponta de faca.
Quanto mais se dá importancia para algo, mais importante esse algo será!
Viva a sua vida e deixe os outros viverem em paz.
Só assim, voce poderá realmente acreditar que poderá mudar o mundo. Mudando primeiramente sua postura diante da vida. Quando você muda, tudo muda á sua volta.
Se você for bom, tudo a sua volta será bom , mas se você for mal, viverá no meio da podridão e será contaminado por ela. A escolha é sua! Escolha viver. Escolha amor, ao invés de ódio!
Autora: Herta fischer
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Simplicidade
Certo dia eu entrei em um templo para dar testemunho de minha fé. Enquanto falava, as pessoas que lá estavam me ouviam com atenção.
A emoção tomou conta de mim e as palavras fluíam facilmente, como se o que falava já estivessem escritas em meu coração. Era como se estivesse lendo ás páginas de um livro.
E...eu falava que:
A maioria das pessoas tem uma imagem distorcida de Deus. Só conseguem enxergá-lo quando estão diante de um problema sem solução.
Eu sei que sou tão pequenina, mas consigo vê-lo até mesmo enquanto estou com a barriga encostada numa pia, lavando a louça. Quando a água tão mansa escorre pelos meus dedos, eu nem consigo imaginar o quanto a mesma viaja pelos canos, nem quantas curvas, subidas, retas e descidas percorre até chegar em minha torneira.
Para muitos isso pode ser um processo simples, mas podemos imaginar o quanto pode ser belo crer que na simplicidade das coisas se esconde um Ser indiscutivelmente superior que não revela seu rosto, mas nunca esconde seu poder.
É através desse poder que observamos todos os dias podemos usufruir de sua presença.
Quase sempre esperamos que aconteça algo extraordinário em nossas vidas, imaginando um Deus que sacie nosso ego. Esquecendo que Ele vive nas coisas mais simples.
Temos um Deus que ama os humildes, porque é na simplicidade que o maior amor se revela.
Enquanto os Judeus esperavam pela pompa de um rei, um menino nascia em uma pequena manjedoura, cercado por animais.
Cresceu em um lar simples, tendo um marceneiro como pai e uma dona de casa como mãe. Cristo não viveu em ostentação, muito pelo contrário, a simplicidade foi característica da maior revelação da história da humanidade.
Suas vestes eram simples, andava a pé como a maioria de seu povo, e escolheu pescadores como discípulos.
Sempre ajudava os mais necessitados, justamente aqueles que não tinham como pagar, doava o seu amor sem peso nem medida.
È um amor do tamanho do cèu, não digo da terra, porque o amor não é terreno, os homens terrenos são maus, portanto o amor não emana da terra, e sim, do céu, onde se encontra o trono de Deus.
Esse amor infinito só se revela quando o Senhor passa a viver no coração daquele que pratica o amor e a caridade.
No coração que não faz distinção, que ama somente pelo prazer de amar.
Viemos do pó e para o pó voltaremos, não existe bisturí que prolongue a vida, nem dinheiro que compre tempo.
Ricos e pobres, brancos e negros, gordos e magros, bonitos e feios, nacionais e estrangeiros. Todos entraremos no vale da morte. A única esperança que podemos ter é crer que Cristo pagou nosso resgate com sacrificio de sangue, e é através desse sacrifício santo que receberemos o galardão da vida eterna.
A emoção tomou conta de mim e as palavras fluíam facilmente, como se o que falava já estivessem escritas em meu coração. Era como se estivesse lendo ás páginas de um livro.
E...eu falava que:
A maioria das pessoas tem uma imagem distorcida de Deus. Só conseguem enxergá-lo quando estão diante de um problema sem solução.
Eu sei que sou tão pequenina, mas consigo vê-lo até mesmo enquanto estou com a barriga encostada numa pia, lavando a louça. Quando a água tão mansa escorre pelos meus dedos, eu nem consigo imaginar o quanto a mesma viaja pelos canos, nem quantas curvas, subidas, retas e descidas percorre até chegar em minha torneira.
Para muitos isso pode ser um processo simples, mas podemos imaginar o quanto pode ser belo crer que na simplicidade das coisas se esconde um Ser indiscutivelmente superior que não revela seu rosto, mas nunca esconde seu poder.
É através desse poder que observamos todos os dias podemos usufruir de sua presença.
Quase sempre esperamos que aconteça algo extraordinário em nossas vidas, imaginando um Deus que sacie nosso ego. Esquecendo que Ele vive nas coisas mais simples.
Temos um Deus que ama os humildes, porque é na simplicidade que o maior amor se revela.
Enquanto os Judeus esperavam pela pompa de um rei, um menino nascia em uma pequena manjedoura, cercado por animais.
Cresceu em um lar simples, tendo um marceneiro como pai e uma dona de casa como mãe. Cristo não viveu em ostentação, muito pelo contrário, a simplicidade foi característica da maior revelação da história da humanidade.
Suas vestes eram simples, andava a pé como a maioria de seu povo, e escolheu pescadores como discípulos.
Sempre ajudava os mais necessitados, justamente aqueles que não tinham como pagar, doava o seu amor sem peso nem medida.
È um amor do tamanho do cèu, não digo da terra, porque o amor não é terreno, os homens terrenos são maus, portanto o amor não emana da terra, e sim, do céu, onde se encontra o trono de Deus.
Esse amor infinito só se revela quando o Senhor passa a viver no coração daquele que pratica o amor e a caridade.
No coração que não faz distinção, que ama somente pelo prazer de amar.
Viemos do pó e para o pó voltaremos, não existe bisturí que prolongue a vida, nem dinheiro que compre tempo.
Ricos e pobres, brancos e negros, gordos e magros, bonitos e feios, nacionais e estrangeiros. Todos entraremos no vale da morte. A única esperança que podemos ter é crer que Cristo pagou nosso resgate com sacrificio de sangue, e é através desse sacrifício santo que receberemos o galardão da vida eterna.
Laços de amor
No recanto manso do seu coração
quero encostar minha vida,
Nas ondas sinceras do seu olhar
com os olhos fechados mergulhar,
Quero conhecer o seu caminho
para ao seu lado caminhar.
Provar de seu carinho,
e em seus sonhos me embalar.
Quero conhecer os seus segredos
e todo seu corpo decifrar.
Vagar sem rumo pelo seu mundo,
provar da delícia de te amar.
Quero ser um poeta,
para em letras garrafais
escrever nosso romance,
no sabor de quero mais.
Me enlaçar toda em seu corpo
para nunca mais soltar.
com laços e fitas de amor,
carinho atenção e muito mais.
Porque a vida só vale a pena,
para aquele que sabe amar,
no encanto que o tempo não desfaz.
autora: Hertinha
,
quero encostar minha vida,
Nas ondas sinceras do seu olhar
com os olhos fechados mergulhar,
Quero conhecer o seu caminho
para ao seu lado caminhar.
Provar de seu carinho,
e em seus sonhos me embalar.
Quero conhecer os seus segredos
e todo seu corpo decifrar.
Vagar sem rumo pelo seu mundo,
provar da delícia de te amar.
Quero ser um poeta,
para em letras garrafais
escrever nosso romance,
no sabor de quero mais.
Me enlaçar toda em seu corpo
para nunca mais soltar.
com laços e fitas de amor,
carinho atenção e muito mais.
Porque a vida só vale a pena,
para aquele que sabe amar,
no encanto que o tempo não desfaz.
autora: Hertinha
,
Razão de tudo
A noite cai e a terra se cobre com seu vestido negro, escondendo-se da luz atrás de uma cortina rendada, e a beleza que antes brilhava vira apenas vultos ameaçadores. As vozes agitadas do dia se calam para dar lugar aos sons noturnos. O dia se transforma em noite, a luz em penumbra, e os corações dos aflitos ficam ainda mais sombrios. Luiza caminha devagar pela calçada, como se carregasse um peso enorme nos ombros. Os olhos vermelhos de tanto chorar contam uma história de dor e agonia, tão escura quanto a noite ao redor. Ela precisou deixar o seu ninho, pois naquela idade e daquele tamanho sentia que já não cabia mais nele. Seu pai, antes tão carinhoso e doce, após casar de novo, virou alguém que ela já não reconhecia. Ou talvez fosse ela que já não era a menininha que aceitava tudo com facilidade. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas três anos; mal teve tempo de sofrer, pois não entendia o que havia perdido. Lembra apenas de pessoas chorando, de uma caixa grande onde sua mãe parecia dormir... depois, uma ausência dolorosa e uma mágoa guardada. Então outra mulher entrou pela porta, tomou conta de tudo, mandava em tudo, disputando até o carinho do pai. Assim cresceu: meio esquecida, perdida numa confusão de sentimentos que ninguém conseguia entender. O pai, sempre ausente, só supria as necessidades materiais. E foi assim até os dezessete anos, quando conheceu Arthur. Ele era um homem muito interessante, sabia conversar, enganar e mentir como poucos. No início, ela se encantou com seu jeito calmo de falar, deixou-se levar pelos elogios exagerados e, principalmente, pelo carinho que nunca tinha recebido antes.
Entregou-se a uma paixão cega, sem pensar em si mesma, deixando-se levar pelos desejos do corpo. A consequência foi cruel. Uma semana depois, ele desapareceu sem dar explicações, sumiu como fumaça. Desesperada ao descobrir que estava grávida e sozinha, tomou uma decisão precipitada. Não podia contar com a madrasta, que só a rebaixava, e tinha vergonha de confessar ao pai sua grande burrice. Resolveu abandonar o ninho, já frio há muito tempo, tão frio quanto seu coração ao sentir-se traída por quem tanto jurou amor. Arrumou uma pequena mala para guardar seus sonhos, escreveu um bilhete contando sua dor e, sem pensar muito, virou as costas e partiu. A rua estava triste, rude e escura; lágrimas quentes rolavam pelo rosto bonito. Tremendo de medo, desviava o olhar das figuras sem expressão que surgiam na penumbra, querendo aterrorizá-la ainda mais. Pensou no pouco que viveu, lembrando que, não muito longe dali, numa cidade pitoresca, morava a irmã de sua mãe, a única tia que conhecia e única pessoa capaz de lhe estender a mão. Luiza caminhava pelas sombras, tomada pelo medo. Tentava lembrar o rosto da tia Lúcia, que havia visto apenas uma vez, há muito tempo. Sabia que ela morava naquela cidadezinha, mas não tinha ideia de onde. Tremendo de frio e medo, encolhia-se no casaco sempre que ouvia vozes, temendo por sua segurança nas ruas tão escuras.
Pareceu-lhe que havia passado uma eternidade, mas finalmente alcançou uma rua mais iluminada. Levou as mãos aos olhos e os esfregou até se acostumar com as luzes mais fortes. Então percebeu que havia chegado ao seu destino. Por ora, estava satisfeita. Procurou pelo balcão de informações e um rapaz simpático saiu de uma pequena salinha para atendê-la.
Luiza e Frederico se aproximaram e encontraram o pai de Luiza, a madrasta e a tia em uma pequena reunião no jardim da entrada da casa. Assim que o pai percebeu sua presença, parou de falar com a cunhada e se virou para o portão, dizendo:
Acho que ele não teve muito tempo, pois passou por aqui tão rapidamente. Como você sabe, sendo representante no setor de alimentos, vive viajando.
Entregou-se a uma paixão cega, sem pensar em si mesma, deixando-se levar pelos desejos do corpo. A consequência foi cruel. Uma semana depois, ele desapareceu sem dar explicações, sumiu como fumaça. Desesperada ao descobrir que estava grávida e sozinha, tomou uma decisão precipitada. Não podia contar com a madrasta, que só a rebaixava, e tinha vergonha de confessar ao pai sua grande burrice. Resolveu abandonar o ninho, já frio há muito tempo, tão frio quanto seu coração ao sentir-se traída por quem tanto jurou amor. Arrumou uma pequena mala para guardar seus sonhos, escreveu um bilhete contando sua dor e, sem pensar muito, virou as costas e partiu. A rua estava triste, rude e escura; lágrimas quentes rolavam pelo rosto bonito. Tremendo de medo, desviava o olhar das figuras sem expressão que surgiam na penumbra, querendo aterrorizá-la ainda mais. Pensou no pouco que viveu, lembrando que, não muito longe dali, numa cidade pitoresca, morava a irmã de sua mãe, a única tia que conhecia e única pessoa capaz de lhe estender a mão. Luiza caminhava pelas sombras, tomada pelo medo. Tentava lembrar o rosto da tia Lúcia, que havia visto apenas uma vez, há muito tempo. Sabia que ela morava naquela cidadezinha, mas não tinha ideia de onde. Tremendo de frio e medo, encolhia-se no casaco sempre que ouvia vozes, temendo por sua segurança nas ruas tão escuras.
Pareceu-lhe que havia passado uma eternidade, mas finalmente alcançou uma rua mais iluminada. Levou as mãos aos olhos e os esfregou até se acostumar com as luzes mais fortes. Então percebeu que havia chegado ao seu destino. Por ora, estava satisfeita. Procurou pelo balcão de informações e um rapaz simpático saiu de uma pequena salinha para atendê-la.
— Pois não? — disse ele.
Com uma voz fraca, Luiza apenas balbuciou:
— A que horas sai um ônibus para Franca?
O rapaz quase não a ouviu e repetiu a pergunta, temendo não ter escutado direito:
— A que horas o ônibus sai para Franca?
Luiza o olhou, desconcertada com a repetição. Ia responder perguntando se ele era surdo, mas se conteve; nunca fora mal-educada e não seria naquela circunstância que começaria a ser. Levantando um pouco mais o tom de voz, murmurou:
— Sim!
— Olha, moça, o ônibus sai daqui às cinco horas da manhã. Ainda falta muito tempo. Tem certeza de que quer esperar?
— Estou aqui para isso! Não atravessei a cidade inteira, passando por ruas escuras, para depois ter de voltar.
Foi então que o moço percebeu que Luiza estava com os nervos à flor da pele. Sentindo pena dela, resolveu não fazer mais perguntas e apenas a convidou para se sentar em uma poltrona na salinha de espera. Ela se sentiu menos aflita naquele momento, pois sabia que estava segura; nenhum malandro ousaria incomodá-la ali, e o rapaz da recepção estava logo ao lado. Fechou os olhos para descansar um pouco. Sabia que a adrenalina não a deixaria dormir e também temia a reação do pai quando percebesse sua ausência.
Era um pouco culpa dele ela estar naquela situação. Nunca tiveram muitos amigos e também nunca falaram sobre assuntos considerados perigosos, apenas o necessário. Se ela soubesse que poderia engravidar na primeira relação, teria tomado mais cuidado. Mas ninguém a avisou. Descobriu que estava grávida ao ouvir algumas amigas do colégio comentarem sobre o atraso da menstruação, e a dela também estava atrasada. Não havia mais dúvidas. Enquanto Luiza cochilava, do outro lado da cidade Frederico colocava suas coisas em uma pequena mochila, animado com a ideia de se tornar independente. Sua mãe entrou no quarto naquele instante, olhos brilhantes, parecendo ter chorado. Ele a abraçou comovido, alisando seus cabelos, e disse carinhosamente: – Mãe, não quero que se preocupe comigo, eu vou ficar bem! Prometo que sempre que tiver folga nesse meu novo emprego, venho te ver! Nora se soltou do abraço, segurou suas mãos e respondeu meigamente: – Eu sei que você é um bom menino, não é por isso que estou agoniada. É que já estou sentindo a sua falta! – Eu também sentirei muito a sua falta, mas sei que preciso me soltar desse laço. Já é hora de fortalecer minhas asas, porque nem sempre teremos os pais ao nosso lado. Nora apenas fez um gesto de consentimento com a cabeça. Frederico pegou a mão dela, colocou seus sonhos nas costas e seguiram em silêncio até a garagem. Poucos minutos depois, despediam-se na rodoviária. Nora ajeitou a gola da jaqueta dele, deu umas batidinhas nas costas e, num fio de voz, fez uma oração.
— Que Deus te proteja, meu filho. Mande um abraço para a Lúcia!
Era um pouco culpa dele ela estar naquela situação. Nunca tiveram muitos amigos e também nunca falaram sobre assuntos considerados perigosos, apenas o necessário. Se ela soubesse que poderia engravidar na primeira relação, teria tomado mais cuidado. Mas ninguém a avisou. Descobriu que estava grávida ao ouvir algumas amigas do colégio comentarem sobre o atraso da menstruação, e a dela também estava atrasada. Não havia mais dúvidas. Enquanto Luiza cochilava, do outro lado da cidade Frederico colocava suas coisas em uma pequena mochila, animado com a ideia de se tornar independente. Sua mãe entrou no quarto naquele instante, olhos brilhantes, parecendo ter chorado. Ele a abraçou comovido, alisando seus cabelos, e disse carinhosamente: – Mãe, não quero que se preocupe comigo, eu vou ficar bem! Prometo que sempre que tiver folga nesse meu novo emprego, venho te ver! Nora se soltou do abraço, segurou suas mãos e respondeu meigamente: – Eu sei que você é um bom menino, não é por isso que estou agoniada. É que já estou sentindo a sua falta! – Eu também sentirei muito a sua falta, mas sei que preciso me soltar desse laço. Já é hora de fortalecer minhas asas, porque nem sempre teremos os pais ao nosso lado. Nora apenas fez um gesto de consentimento com a cabeça. Frederico pegou a mão dela, colocou seus sonhos nas costas e seguiram em silêncio até a garagem. Poucos minutos depois, despediam-se na rodoviária. Nora ajeitou a gola da jaqueta dele, deu umas batidinhas nas costas e, num fio de voz, fez uma oração.
— Que Deus te proteja, meu filho. Mande um abraço para a Lúcia!
Frederico não se conteve e, num momento de grande emoção, beijou a testa da mãe, soltando-se do abraço lentamente até as pontas dos dedos. Virou-se e saiu apressado, sem olhar para trás.
Luiza ouviu passos no corredor; os passageiros já se apressavam para o embarque. Ergueu os olhos por cima da mureta que a separava do corredor e viu, pelas costas, um rapaz muito apressado. Só deu tempo de reparar na cor da mochila. Devia estar na hora do seu embarque.
Pegou o celular na mochila: o relógio marcava quinze para as cinco. Levantou-se, foi ao banheiro, jogou água no rosto e se olhou no espelho, sem gostar do que viu — um rosto cansado, cabelos ruivos emaranhados sob a jaqueta.
Passou a escova nos cabelos, um batom nos lábios e sentiu-se renovada. Caminhou até o guichê para comprar a passagem. As filas já se formavam, e ela procurou o local de venda para Franca. À sua frente estava o rapaz que chamara sua atenção momentos antes, reconhecido pela cor da mochila pendurada nas costas.
Pouco depois, já estava entrando no ônibus. Ficou contente ao perceber que se sentaria ao lado do jovem da mochila cor de carne, imaginando que assim poderia puxar conversa e tornar a viagem menos cansativa.
O rapaz sentou-se na poltrona junto à janela, e Luiza aproveitou para puxar conversa:
O rapaz sentou-se na poltrona junto à janela, e Luiza aproveitou para puxar conversa:
— Você se importa de trocar de lugar comigo?
Frederico olhou para a moça um pouco contrariado, pois gostava de viajar apreciando a paisagem e estava contente por ter conseguido aquele assento. Mas, ao se deparar com um par de olhos tão expressivos numa garota linda de doer, apenas se levantou e abriu passagem para ela.
Já acomodados, Frederico quebrou o silêncio:
— Meu nome é Frederico, mas pode me chamar de Fred. E o seu, qual é?
— Luiza! — respondeu ela, meio sem jeito.
— Vai a Franca a passeio?
— Vou procurar uma tia!
— Procurar? Então não sabe onde ela mora?
— Pior que não, não tenho a menor ideia. Só sei que se chama Lúcia de Alcântara.
Um belo sorriso surgiu no rosto de Frederico, surpreso com a coincidência:
— O destino é mesmo incrível!
— Por que diz isso?
— Acredite ou não, eu também vou para a casa de uma amiga da minha mãe chamada Lúcia de Alcântara!
Luiza olhou para ele, incrédula, e quase gritou de surpresa:
— Está falando sério ou está brincando comigo?
— Estou falando muito sério. Parece brincadeira, mas não é. Estou tão surpreso quanto você!
Então Luiza disparou um monte de perguntas:
— Como ela é? Faz tempo que a conhece? Em que bairro ela mora? Ela tem filhos?
— Ei, uma pergunta de cada vez!
— Desculpe-me, fiquei muito empolgada. Não conheço bem minha tia, aliás, só a vi uma vez, quando eu ainda era menina.
— E como você acha que chegaria até ela?
— E como você acha que chegaria até ela?
— Sinceramente... não pensei nisso!
Frederico a olhou desconfiado, questionando sua sanidade. Como alguém vai para uma cidade desconhecida, procurar uma pessoa sem rosto, sabendo apenas o nome? Decidiu deixar o assunto para depois, pois a moça ainda aguardava respostas.
— A Lúcia é uma mulher muito bacana. Foi ela e o filho que arrumaram um lugar para eu ficar e também um emprego. Ela é amiga da minha mãe há muito tempo, embora se falem mais por telefone. O filho dela dá um pouco de trabalho, não para em emprego e é meio galinha.
— O que quer dizer “meio galinha”? — perguntou ela, sorridente.
— Quer dizer que é mulherengo!
— Ah, sei!
Ela não soube explicar nem para si mesma, mas, de repente, perdeu o interesse em saber da vida da tia. Queria, na verdade, conhecer mais sobre aquele rapaz tão envolvente, pois homem galinha, infelizmente, já conhecia muito bem — e a prova estava dentro dela.
Frederico quebrou o silêncio:
— Posso saber no que está pensando?
— Mais ou menos... estou pensando no meu pai e em alguns segredos que ainda não posso revelar.
— Nossa! Não posso imaginar que uma pessoa tão linda e tão jovem tenha um segredo tão cabeludo que não possa contar.
— Não é que eu não possa contar, até posso, mas ainda não é o momento.
Luíza decidiu mudar o rumo da conversa:
— Você tem irmãos?
Frederico coçou a palma da mão antes de responder:
— Não, sou filho único. Fui adotado por um casal que não podia ter filhos!
— Desculpe, não devia ter perguntado!
— Desculpe, não devia ter perguntado!
— Não, tudo bem, eu consigo lidar bem com isso. Amo demais minha família e sou muito grato a eles por tudo.
— Que bom!
Luiza voltou a se fechar em seus pensamentos, imaginando como estaria seu pai. Será que já havia lido seu bilhete? Se leu, por que ainda não ligara? Como se lesse seus pensamentos, o celular tocou. Ela apenas conferiu o número, fechou o aparelho contrariada e continuou em silêncio. Era o número de sua casa, provavelmente sua madrasta querendo notícias, mas, por enquanto, ela não queria dar sinal de vida. Queria que sentissem um pouco sua falta.
O tempo passou rápido. Logo entraram na cidade, e ela relaxou, aproveitando para curtir a paisagem que se desenhava no vidro do ônibus enquanto passavam por árvores e casas. Frederico chamou sua atenção:
— Está gostando da cidade?
Antes que pudesse responder, o ônibus deu um solavanco ao passar por um quebra-molas. Então Luiza respondeu:
— Linda, mas meio violenta.
Os dois caíram na gargalhada. Era a primeira vez que Luiza sorria desde que saíra de casa, e Frederico adorou aquele sorriso que revelava dentes tão branquinhos. Pensou consigo mesmo que adoraria ainda mais se pudesse unir seus lábios aos dela.
Ao chegarem à rodoviária e já fora do ônibus, Luiza decidiu ligar o celular. Mal tinha colocado o aparelho na bolsa quando ele tocou novamente. Ela olhou para o visor, embora já soubesse que era uma ligação de casa, e atendeu.
— Oi! — disse, meio contragosto. Do outro lado, uma voz alterada quase gritou:
— Luiza, onde você está e o que significa aquele bilhete dizendo que saiu de casa?
— Pai, acabei de chegar em Franca. Vou para a casa da tia Lúcia, depois ligo para contar mais detalhes.
O pai de Luiza esbravejou:
— Como assim, na casa da sua tia em Franca? Precisou fugir de casa para isso? Por que não falou conosco? Quase nos matou de susto!
— Pai, depois, por favor, depois, tá? — e desligou o celular.
Frederico perguntou se ela queria pegar um táxi, mas ela respondeu que não, preferia andar um pouco. Saíram da rodoviária em silêncio, Luiza apenas seguia seus passos, olhando ao redor, mas sem realmente prestar atenção.
Após alguns minutos, Frederico quebrou o silêncio dizendo que já estavam na rua da casa da tia. Foi então que Luiza, sozinha, apontou e disse:
— Aquele carro... É aquela a casa, não é?
— É sim! — respondeu ele, surpreso. — Como você sabe?
— Não sei! Mas aquele carro eu conheço. É o carro do meu pai, só não sei como ele chegou aqui tão rápido.
— Você fugiu de casa?
— Digamos que saí sem dizer para onde ia.
Luiza e Frederico se aproximaram e encontraram o pai de Luiza, a madrasta e a tia em uma pequena reunião no jardim da entrada da casa. Assim que o pai percebeu sua presença, parou de falar com a cunhada e se virou para o portão, dizendo:
– Aí está a fujona. Que bonito, hein!
Luiza engoliu em seco. Precisava inventar alguma desculpa para dar aos seus. Apenas conseguiu balbuciar:
– O que vocês estão fazendo aqui? Como chegaram tão rápido? Como descobriram que eu viria para cá?
O pai, furioso, respondeu com mais perguntas:
– Você é uma criança que se acha muito esperta, não é? Tem certeza de que não sabe por que estamos aqui, nem como chegamos antes de você, e que realmente não descobriríamos para onde viria?
– Estamos aqui por sua causa. Viemos de carro, e o lugar era tão óbvio.
Luiza mantinha uma expressão de quem não entendia nada. Perdendo a paciência, o pai segurou seu braço e a obrigou a sentar-se ao seu lado no pequeno banco do jardim.
– O que passou pela sua cabeça, Luiza? Fale, pelo amor de Deus!
Ela reuniu toda a força para mentir. Como uma santinha, abaixou os olhos e disse:
– Eu precisava sair um pouco de casa, queria cortar os laços que nos unem, preciso crescer, voar... Você entende?
– Não, não entendo! Em nossa casa você tem tudo, nunca deixamos faltar nada. Por que isso agora? Qual é o motivo dessa rebeldia?
– Pai, muitos pensam que ter tudo é vestir-se bem, ir à escola, ganhar presentes caros, ter comida na mesa... E por um tempo isso basta, mas, à medida que crescemos, passamos a enxergar além dessas necessidades básicas. Precisamos de muito mais para sermos felizes! Queremos voar mais alto, explorar novos lugares, conhecer outras pessoas, errar também, por que não?
Falou isso mais para aliviar a própria consciência, referindo-se ao seu erro. – Só assim podemos crescer sem medo, sem usar os pais como muletas e sem culpá-los pelos nossos fracassos.
O pai quase a olhou com admiração, não fosse o fato de ela ter saído de casa daquela forma, fugindo.
– Não teria sido mais decente da sua parte falar assim antes? Eu até poderia ter entendido. Se tivesse mostrado sinceramente a vontade de conhecer sua tia, eu mesmo a teria acompanhado.
– Desculpe, pai, fiz tudo errado, eu... Não! Ainda não tinha coragem de contar toda a verdade. Limitou-se a dizer: – Eu te amo, me deixa ficar, por favor, eu preciso de um tempo.
O pai sorriu e a abraçou, dizendo: – Está bem, vamos conversar com sua tia. Com toda essa história, até me esqueci de apresentá-la.
Depois das apresentações, a tia de Luiza os convidou para entrar e tomar um café. Enquanto a mulher foi para a cozinha, Luiza conversou com a madrasta:
– Neide, me desculpe por tudo, agi como uma criança nessas últimas horas. Você sempre foi muito legal comigo; eu confundi tudo. Agora entendo: sempre tive ciúme de você, do lugar que ocupa na vida do homem mais importante para mim.
Os olhos da mulher à sua frente se encheram de lágrimas. Muito emocionada, respondeu:
– Eu é que devo pedir perdão. Também falhei com você, principalmente por deixá-la longe da família da sua mãe. Mas já conversei com seu pai e decidimos consertar isso.
— Sim, papai já me deixou ficar aqui por um tempo, e sou muito grata por isso, mas estou curiosa para saber como conseguiram chegar antes de mim, se contei onde estava há apenas alguns minutos.
— Sim, papai já me deixou ficar aqui por um tempo, e sou muito grata por isso, mas estou curiosa para saber como conseguiram chegar antes de mim, se contei onde estava há apenas alguns minutos.
Sua madrasta, com um jeito divertido, respondeu:
— Viemos voando. Brincadeira! Quando conseguimos falar com você pelo celular, já estávamos aqui, seu pai e eu. Assim que percebemos sua fuga, desconfiamos que você só poderia vir para cá.
— Vocês me conhecem tão bem assim?
— Você ainda tem alguma dúvida de que te amamos?
— Não. Nenhuma dúvida!
Enquanto tomavam café numa saletinha aconchegante, a tia de Luiza colocou a mão na cabeça e exclamou, com certa insatisfação:
— Meu Deus!
Todos olharam sem entender, mas foi Luiza quem perguntou:
— Que foi, tia? Algum problema?
— Fred. Esquecemos completamente dele!
Luiza quase teve um ataque do coração. Como podia esquecer alguém que fora tão importante para ela naquelas últimas horas?
— Onde ele está?
As duas o chamaram quase ao mesmo tempo e, sem resposta, começaram a procurá-lo pela casa. Foi Lúcia quem o encontrou dormindo no sofá da sala, seguida logo por Luiza, que, colocando o dedo sobre a boca, pediu silêncio à tia. Quando se preparavam para sair, Fred abriu os olhos, ainda sonolento, passou as mãos pelos cabelos e se desculpou:
— Acabei dormindo, estava muito cansado, desculpe!
Luiza o olhou com ternura, ao vê-lo ali tão desprotegido, mas foi sua tia quem falou primeiro:
— Eu é que peço desculpas, esqueci completamente de você. Não estava esperando tantas visitas e acabei me envolvendo demais na situação.
— Eu é que peço desculpas, esqueci completamente de você. Não estava esperando tantas visitas e acabei me envolvendo demais na situação.
Luiza também aproveitou para falar, sentindo-se ainda mais culpada que sua tia por aquele episódio:
— Fred, tive uma ótima viagem graças a você, e também por sua ajuda cheguei aqui sem precisar me estressar procurando o endereço em listas telefônicas. Não me perdoo por ter negligenciado nossa amizade desse jeito, mas a situação foi tão inusitada que acabamos esquecendo que você poderia participar da conversa sem problema algum. Por que veio se refugiar aqui? Por que não ficou lá conosco?
Fred, muito educadamente, explicou suas razões:
— Achei melhor não, era um assunto de família e seu pai poderia ficar constrangido com um estranho entre vocês.
Lúcia balançou a cabeça, contrariada:
— De jeito nenhum, meu filho, você já é de casa. É que, com toda essa confusão, acabei esquecendo de você. Mais uma vez, aceite minhas sinceras desculpas.
Fred segurou a mão daquela mulher tão bondosa e respondeu com carinho:
— Estão desculpadas!
Lúcia e Luiza praticamente arrastaram Fred até a copa e, logo após as apresentações, Luiza contou carinhosamente todos os detalhes da viagem e como conheceu seu amigo. Pouco depois, os pais de Luiza se despediram e voltaram à cidade onde moravam.
Lúcia levou Fred até o cômodo em que ele ficaria, acompanhada por Luiza, que queria amenizar a culpa por tê-lo esquecido enquanto resolvia seus problemas. Ao deixar o amigo em seus aposentos, Lúcia apresentou também o quarto que Luiza iria ocupar, dizendo-lhe com carinho:
— Você vai ficar no quarto de hóspedes. Embora seja pequeno, acho que ficará bem aqui. Poderia oferecer o quarto do meu filho, que está vazio, mas acredito que ele voltará em breve, e é muito chato ficar mudando de lugar toda hora.
— Você vai ficar no quarto de hóspedes. Embora seja pequeno, acho que ficará bem aqui. Poderia oferecer o quarto do meu filho, que está vazio, mas acredito que ele voltará em breve, e é muito chato ficar mudando de lugar toda hora.
— Tia, você já está fazendo muito me recebendo como hóspede, e o quarto está ótimo. Muito obrigada!
Assim que a tia a deixou sozinha, Luiza fez um balanço do dia, que fora extremamente exaustivo. Pensou em tudo o que havia acontecido nos últimos dias e ficou chocada com suas próprias lembranças. Conhecera Arthur na saída da escola e, assim que o viu, sentiu uma forte atração, que parecia ser recíproca. Porém, logo após o primeiro beijo, já percebia o perigo daquela relação. Ela era inexperiente e ele parecia um deus, fazendo-a se sentir no paraíso. Tão rápido quanto o sentimento vieram as carícias ousadas e, com o calor delas, o fogo se acendeu.
A consequência… ela nem queria relembrar, pois era dolorosa demais. Lágrimas quentes escorriam pelo rosto enquanto recordava que, depois de consumado o ato, simplesmente esperou por ele dias e dias, até que ele desapareceu sem explicação. Um mês se passou desde então, e o desespero tomou conta, com o medo de estar grávida, pois, em sua imaturidade, nem pediu que ele usasse preservativo, acreditando que a iniciativa deveria partir dele. Conclusão: tremenda burrice!
Foi pensando nisso que acabou pegando no sono. No dia seguinte, acordou cedo, um pouco indisposta, e, sem conseguir ficar mais tempo na cama, resolveu se levantar. Encontrou a tia tomando café da manhã e, assim que percebeu sua presença, saudou-a com um belo sorriso:
— Bom dia! Dormiu bem, minha pequena?
— Bom dia pra você também! Dormi sim, muito bem, obrigada.
A tia reparou nas olheiras profundas e, sem rodeios, comentou:
— Parece que a noite não foi tão boa assim, você não me parece muito bem!
— Acho que foi o cansaço e também o fato de não estar acostumada com o lugar... Nem com a cama. Acordei com um pouco de dor de cabeça.
— Tome o café, que o seu mal deve ser fome.
Ficaram à mesa por um tempo, enquanto Lúcia despejava uma enxurrada de perguntas e Luiza apenas respondia com acenos afirmativos ou negativos. Como a conversa não fluiu, a tia se levantou e disse:
— Eu preciso sair um pouco, tenho compromissos. Você se importa de ficar sozinha?
Luiza respirou aliviada antes de responder e, percebendo que algo estava errado, a tia a abraçou e sussurrou ao pé do ouvido:
— Não se preocupe, eu entendo que ainda não temos intimidade para conversar. Sei que você se sente um pouco presa, mas logo isso passa e poderemos nos tornar grandes amigas.
Luiza fortaleceu ainda mais aquele abraço, sentindo a sinceridade da tia. — Sim, eu sei que vamos ser grandes amigas. Desculpe-me, estou realmente um pouco indisposta hoje.
Assim que a tia fechou a porta e saiu, Luiza foi para a cozinha fazer um chá, sentou-se numa cadeira para saboreá-lo, um tanto sem expressão. Quando notou a porta se abrindo, pensou ser sua tia voltando por ter esquecido algo. Virou-se pronta para falar, mas o que viu a deixou sem palavras. Pigarreando, como se estivesse engasgada, conseguiu emitir apenas um som quase inaudível:
— O que você está fazendo aqui?
O homem estava branco como cera, quase tão surpreso quanto ela, e respondeu com a voz um pouco trêmula:
— Eu moro aqui! Não vai me dizer que você é minha prima?
— Então... você é...?
— Arthur. Eu sou Arthur, filho da sua tia Lúcia!
— Não pode ser... Como? — Esse é o problema, todos se referiam a você como filho da Lúcia.
Ela fechou os olhos, achando ser um pesadelo, mas ao abri-los ele continuava ali, absurdamente real. Tão real que a deixou sem ação.
Já recuperado da surpresa, ele falou com sarcasmo:
– Ora, ora... Então é realmente a priminha de quem tanto falam. Que coincidência!
– Eu preferia que fosse um pesadelo, seu cafajeste. Por quê? Me pergunto a todo momento. O que fez você sumir da minha vida sem nenhuma explicação?
– Eu não queria compromisso e, geralmente, mocinhas virgens como você sempre sonham com casamento. Deixam a gente louco e depois se fazem de santinhas, jogando a culpa sobre nós e tentando forçar um matrimônio. Então eu fujo. Não quero isso para mim.
– Se não quer compromisso, ao menos poderia ficar alguém com mais experiência, não acha?
Debochando, ele respondeu:
– O que vier, eu traço!
Luiza não conteve a fúria. Levantou o copo e jogou o líquido no rosto do primo, como se aquilo aliviasse a vergonha e o desprezo que sentia por si mesma. Não esperou que ele se recuperasse; enquanto ele passava a mão pelo rosto e dizia palavras sem sentido, ela saiu correndo e se refugiou no quarto do amigo Fred, que naquele momento estava em seu novo trabalho.
Não soube quanto tempo ficou ali, estagnada, parecendo um defunto vivo, sem energia ou vontade de pensar. Quando alguém entrou, ela estremeceu, temendo que fosse Arthur, mas logo respirou aliviada ao reconhecer a voz alegre:
– Luiza! Que bom te ver aqui me esperando!
– Oi, Fred. Desculpe invadir seu quarto assim, mas eu precisava me esconder.
– Esconder? – perguntou Fred, confuso.
– Sim – respondeu Luiza. – Você não sabe o que aconteceu?
– Se você não me contar... Até parece que viu um fantasma!
— Antes fosse. Você lembra quando te falei que estava fugindo? Pois é, estava fugindo de mim mesma e... de alguém que conheci na nossa cidade. Essa pessoa não sabe o quanto mal me fez... Eu... vou te contar tudo.
— Antes fosse. Você lembra quando te falei que estava fugindo? Pois é, estava fugindo de mim mesma e... de alguém que conheci na nossa cidade. Essa pessoa não sabe o quanto mal me fez... Eu... vou te contar tudo.
Luiza começou a revelar seus segredos a Fred, que ouvia sem interromper. Ela parecia nervosa e descontrolada, falando sem parar:
— Hoje o destino me pregou outra peça. Ultimamente minha vida virou uma coincidência atrás da outra. Tentei fugir dos meus problemas, mas acabei reencontrando a causa.
Fred a observava, sem entender muito bem, e decidiu esclarecer:
— Luiza, não dá pra ser mais objetiva? Você me contou do seu romance frustrado, até aí tudo bem. Só não entendo essa sua preocupação... quem nunca amou e, por algum motivo, ficou a ver navios?
Luiza esfregava as mãos nervosamente. Não sabia como dizer ao rapaz que aquele romance deixara uma marca para o resto da vida. Diante de tanto estresse, sentiu algo escorrendo por suas pernas: um líquido quente e abundante. Incapaz de disfarçar, deu um grito que assustou Fred:
— Não pode ser? — e correu para o banheiro.
Logo percebeu seu engano: não estava grávida, apenas um atraso na menstruação que causara toda aquela confusão. “E agora? O que eu vou fazer?”, pensou. Sem outra saída, deixou a porta entreaberta e chamou:
— Fred, por favor, venha aqui um momento!
Preocupado, ele foi até a porta, temendo que ela estivesse passando mal. Então ouviu o pedido:
— Dá pra ir à farmácia comprar um pacote de absorventes e trazer aqui pra mim? Aconteceu um acidente...
Foi então que Fred entendeu o motivo pelo qual Luiza estava tão estranha: era apenas TPM. Ele foi até a farmácia mais próxima, voltou com o pacote nas mãos e o entregou a Luiza pelo vão da porta entreaberta. Depois retornou à sala e se sentou no sofá, aguardando por ela. Assim que se recuperou da surpresa — desta vez muito agradável, pensava ela —, Luiza foi até a sala que também servia de quarto para Fred. Mas, em vez de sentar no sofá, acomodou-se na cama dele. Olhou para o amigo com uma expressão de fazer dó e, suavemente, começou a falar:
Foi então que Fred entendeu o motivo pelo qual Luiza estava tão estranha: era apenas TPM. Ele foi até a farmácia mais próxima, voltou com o pacote nas mãos e o entregou a Luiza pelo vão da porta entreaberta. Depois retornou à sala e se sentou no sofá, aguardando por ela. Assim que se recuperou da surpresa — desta vez muito agradável, pensava ela —, Luiza foi até a sala que também servia de quarto para Fred. Mas, em vez de sentar no sofá, acomodou-se na cama dele. Olhou para o amigo com uma expressão de fazer dó e, suavemente, começou a falar:
— Acho que é a terceira vez que lhe peço desculpas hoje, não quero que pense que sou maluca. Eu estava achando que estava grávida... Pronto, falei!
Fred começou a rir sem parar, contagiando Luiza, que também caiu na risada. Ela parecia uma criança travessa, com as bochechas coradas combinando com os cabelos avermelhados. Ao perceber que isso mexia com ele, Fred parou de sorrir, levantou-se da poltrona e se sentou ao lado dela na cama. Segurou suas mãos com ternura e disse:
— Menina, você é tão jovem e bonita, mas tão confusa. Me diga, por que está tão assustada? Não pode ser só porque achava que estava grávida. Há muito mais por trás dessa história. Vai, me conta, mas desta vez sem esconder nada.
Luiza então revelou o encontro com seu primo Arthur, o homem que a deixara tão abalada.
— Fred, estou tão assustada. Não posso contar isso para minha tia sem magoá-la, mas também não posso fugir de novo. Preciso encarar tudo como adulta. Me ajude!
— Luiza, você é tão jovem, precisa enfrentar a vida com determinação. Há coisas que acontecem e que não cabe a nós entender, e nem tudo sai como o esperado. Esqueça essa dor e siga em frente, sem mágoas nem ressentimentos.
Não devia envolver sua tia nisso, deixe a culpa para o Arthur. Acredito que ele não esteja bem, sabendo que enganou a própria prima. Volte para casa e esqueça tudo isso, afinal, graças a Deus esse caso não trouxe um problema maior; pior seria se, nessas circunstâncias, você estivesse realmente grávida, aí a situação seria diferente. Luiza refletiu sobre o que seu amigo disse e concluiu que ele tinha razão. Não havia necessidade de mais confusão além da que já havia causado, então decidiu voltar para a casa da tia. E foi o que fez, de cabeça erguida. Entrou pela porta dos fundos, encontrou a tia na cozinha e sentiu um cheiro delicioso de comida. Alegremente falou:
Não devia envolver sua tia nisso, deixe a culpa para o Arthur. Acredito que ele não esteja bem, sabendo que enganou a própria prima. Volte para casa e esqueça tudo isso, afinal, graças a Deus esse caso não trouxe um problema maior; pior seria se, nessas circunstâncias, você estivesse realmente grávida, aí a situação seria diferente. Luiza refletiu sobre o que seu amigo disse e concluiu que ele tinha razão. Não havia necessidade de mais confusão além da que já havia causado, então decidiu voltar para a casa da tia. E foi o que fez, de cabeça erguida. Entrou pela porta dos fundos, encontrou a tia na cozinha e sentiu um cheiro delicioso de comida. Alegremente falou:
– Oi! Que cheiro é esse?
– Bom, né! Estou preparando um jantar especial para comemorar a volta do seu primo. Vocês já se encontraram?
– Sim, nos encontramos logo cedo, depois que você saiu.
– E o que achou do seu primo? Ele é bonito, né!
Luiza riu do jeito que a tia falava e respondeu, de forma brincalhona:
– Né, ele é muito charmoso e gostaria que soubesse que eu já o conhecia!
Lúcia olhou para ela sorrindo e balançou a mão num gesto de “deixa de brincadeira”.
– Não, tia, não é brincadeira. Eu o conheci há mais ou menos um mês e meio, em nossa cidade.
– Como?
– É, mais uma coincidência na minha vida. Eu o encontrei num barzinho perto da escola onde estudava. Costumava ir lá com as amigas depois da aula, e foi num desses dias que conheci o Arthur. Conversamos bastante e depois tivemos vários encontros, mas jamais poderíamos imaginar que fôssemos parentes.
– Agora estou me lembrando, o Arthur me disse que esteve na cidade de Batatais da última vez que veio aqui, mas não me falou nada sobre nenhuma garota.
Acho que ele não teve muito tempo, pois passou por aqui tão rapidamente. Como você sabe, sendo representante no setor de alimentos, vive viajando.
— Eu sei, tia, realmente nossa amizade... não foi muito importante.
A tia de Luiza estava atarefada naquele momento, com muitas coisas no fogo, e para não chatear a sobrinha dizendo isso, resolveu sugerir:
— Por que você não toma seu banho antes do jantar?
Luiza concordou com um aceno de cabeça e saiu devagar em direção ao quarto. Quando estava prestes a entrar, ouviu a voz de Arthur atrás dela:
— Luiza, podemos conversar um pouco?
Ela sentiu um frio no estômago, respirou fundo, segurou a gola da blusinha com força e voltou-se para o primo:
— Podemos... acho que temos alguns assuntos pendentes.
Arthur olhou para a prima, depois baixou os olhos, envergonhado diante daquele olhar suave.
— Eu... queria pedir perdão. Fui um tolo, ou melhor, sou um tolo, sempre digo o que não devo e me meto em confusão. Desta vez estou provando do meu próprio veneno. Você não merecia!
— Olha, Arthur, eu fiquei muito chateada com você... quase te odiei, mas agora vejo que não tenho razão para te culpar. Você não me forçou a nada. Tudo o que aconteceu entre nós, embora eu agora saiba que foi um erro, foi porque eu também quis. Então não há o que desculpar, a não ser pelo jeito como você se referiu a isso, como “o que vier eu traço”. Isso foi cafajestagem da sua parte.
— Eu sei, Luiza. Às vezes falo o que não quero, principalmente quando sou pego de surpresa, ainda mais dando de cara com você na minha casa e descobrindo que fui cafajeste justo com minha prima. Isso foi demais para mim.
— Bom, acho que devemos esquecer esse episódio e seguir em frente. Quero que saiba que contei para sua mãe que já nos conhecíamos, apenas omiti o fato de que tivemos um caso. Não quero magoá-la, e espero que você também não queira magoar sua mãe. Da minha parte, está tudo esquecido, só não espere de mim nada além de amizade.
— Bom, acho que devemos esquecer esse episódio e seguir em frente. Quero que saiba que contei para sua mãe que já nos conhecíamos, apenas omiti o fato de que tivemos um caso. Não quero magoá-la, e espero que você também não queira magoar sua mãe. Da minha parte, está tudo esquecido, só não espere de mim nada além de amizade.
— Obrigado, Luiza.
Depois dessa conversa, os dois se encontraram à mesa do jantar e fingiram que aquela história nunca havia acontecido. Muitos dias se passaram desde o diálogo com o primo, e tudo voltou ao normal. Luiza fazia frequentes visitas ao quarto de Fred, e aquela amizade começou a se transformar em algo mais. Até que um dia:
— Fred, queria lhe dizer que você se tornou muito importante para mim. Mais do que possa imaginar.
Fred olhou com ternura para a menina que estava começando a se tornar mulher e, meigamente, respondeu:
— Eu também sinto o mesmo há muito tempo. Só não lhe falei porque não queria forçá-la a nada. Senti que precisava de um tempo, mas agora...
Os olhos de Luiza tinham um brilho nunca visto antes, a luz de um amor verdadeiro e cheio de emoção. Naquele momento, dois lábios se uniram na mais doce promessa. Um amor nascido em meio a uma confusão de sentimentos, que, pela magia do destino, se intensificou e tomou proporções infinitas.
O que aconteceu depois é íntimo demais para ser contado, então deixo à imaginação de cada um, porque todos nós já vivemos ou ainda vamos viver um grande amor.
Fim
autora: Hertinha
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