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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sábado, 30 de dezembro de 2023

Tez -Ouro de Deus

 Ainda em reprodução do nada.

Em corpo condenado, que enfado

Assim como luz e escuridão,

quem vence?

A escuridão se afasta da luz, 

ou a luz encobre a escuridão?

De onde sai as falhas,

Da ordem ou das desordens?

Não pode haver folhas sem caule,

ou frutos sem flor, a flor vira fruto

e as folhas enfeitam os caules.

Sabem me dizer por quê?

Uma ilusão de tempo é a vida.

Ou o tempo e a vida são ilusões?

Sabedoria é saber, e saber onde está:

se não te contam.

Coisas obscuras, que as claras, não se vê.

Ou não compete saber, ou, de propósito

se esconde, para que os mortais

continuem mortos, após, a passagem da morte?

Hertinha Fischer.





Lua em festa

 A lua me vizinha, galopeira que só ela.

Em luzes, de mim se aprofunda

Num céu sem azul

Lança-se em sombras,

onde não alcança.

Onde galhos e galos se amarram

Cantando suas penas

Caracóis de meus costumes

Força que se aprume

Sonhos sonhados, esquecidos,

lembrados, quem define?

Luarada, enluarada, Luto e espera

Futuro do amanhã, 

Mansidão do ar, chuvas serenas

Folhas inundadas de prazer

Nos orvalhos de bem querer.

Luar, gloria da escuridão,

sol na sugestão.

Hertinha Fischer






quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

hospedagem da esperança

 Fim ou seguimento?

Surgimento, ânsia por outro.

Um caminhar, caminho, caminhando.

Ainda desperta estou, sou.

Anos que sobem e descem,

caminhos, os mesmos.

Solitário, vem, solitário vai,

figuras e fogos, alienados, impulsos.

Estômago cheio, vazios inúteis

Cama preparada, mesmo cobertor,

cismas e esperança, ao dispor

Ovos de borboletas ou peixes,

fora, dentro, folhas e água.

Como um gato se esgueirando 

sobre telhados, 

Como sorriso enfrentando mágoa de

tempos e injurias passados.

chorando igual criança,

brigando com o nada.

Lá vou eu, na espinheira,

sangrando mais uma vez.

Quem inventa o futuro

vive de embriagues.

Logo que um ano termina,

lá vem outro com rudez.

Hertinha Fischer







terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Regresso

 Saudade é o lema.

Juventude fantasma
rostos e figuras
que se foram
Imenso infortúnio é o tempo.
memórias e tristezas
Por que passado?
poderia passar sem levar.
De tantos caminhos lavados
com tantos prantos e brados
Rostos em areia transformados
Lança sobre nós,
uma secura por dentro,
mas, ainda com delicadeza
cria, além de memórias,
um lugar para seguir,
já sem antes. Num antes
modificado.
Hertinha Fischer.

domingo, 24 de dezembro de 2023

invisível da alma

 Ao longe o horizonte, perto, o irmão

Que luxo amar.

Sendo que amar não deriva de luxúria, 

luxúria é eu.

Amar é, todos.

Basta viver e deixar que vivam.

Assim como as palmeiras escondem

seus palmitos.

Assim como as aves voam e o ar é grande

para todas as asas.

Assim como o caule que produz flores e não o é.

De onde se formam?

Eu , que de mim, sou

e na ganância me acho mais.

E em minha prepotência me broto

Sou uma pequena pena dentro de um revolver,

pronta para atirar, achando

que tiro a vida.

Que pretensão, se nem caibo em mim

A quem pertence a vida? senão, aquele que a dá?

O instrumento não vale nada se não for manuseado,

ou, mesmo manuseado, não será nada sem competência.

O prego jamais será fincado com as mãos, é preciso a força do ferro, para

que as mãos faça efeito.

Posso ver o prego, o martelo, mas, a força me será sempre

invisível.

Assim como vejo o corpo a se mover. Penso, logo existo!

Ou existo para pensar?

Hertinha Fischer







sábado, 23 de dezembro de 2023

Ritmos do olhar

 Poesia também cabe dentro da desesperança.

Desde a chegada,  já estive de malas prontas para voltar.

Voltar sem ter ido, sonhos

A primazia fez parte, fui o primeiro em tudo,

até perceber que não era o único bobo da corte.

Fiz rir, rir de mim, as vezes, pelas costas.

Piada pronta.

Hoje me envergonho um pouco, por ter me deixado levar.

E os rios corriam em mim, entre pedras lavadas

Ouvia-se por dentro, cordas arrebentadas, sons de pingos no telhado.

Não houve tempo, córregos se abriam.

Um medo de seguir me impulsionava, o ir era o obstáculo.

Cheguei onde muitos chegaram. ou cheguei onde muitos desistiram

Falhei na revoada, bati com as asas no ar, e me refiz, quando alcancei o chão.

O limite  me eliminou.

Como uma arca perdida entre areias, ventania seria salvação,

Voltei-me com idade mais avançada

e descobri a felicidade, dentro de uma bacia de mel

Me dei ao clima, ao ânimo das estações me refiz. Aqui e agora me reconheci!

Hertinha Fischer.



sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Pretérito perfeito

 A grade ainda reside

na ânsia que a vida prende

Favor que se estende

á quem só quer se valer

de nada se vale

O ontem, sabor pretérito,

o hoje,  lambança,

amanhã, vizinhança.

Quem se quis de madrugada,

não ouviu a alvorada,

se foi na enluarada

que o dia encurralou.

Nem sou querer que se prende,

nada sei do amanhã.

nem saberei se amo ou se apenas

quero desejar o amor.

Ou ainda que me conheça,

ou me esqueça. Nada sou.

Hertinha Fischer