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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

terça-feira, 19 de outubro de 2021

O temido

 Já tentei de tudo para driblar o tempo,

até gotas de orvalho já fabriquei nos olhos.

E o tempo, assim como o vento, me leva.

Ainda existe uma pequena margem á que

me redesenho, na insistência e resiliência

dos absurdos.

Dou marcha a ré, toda vez que chego bem perto do porto,

atracar é muito cruel.

Mas, mesmo patinando, o impulso me leva mais para perto

do limite do fim.

Penso que não quero ali chegar, mas o ali chega em mim.

E o silêncio de quem não mais precisa de nada já me acolhe

e acolhendo já não me resta tantos sonhos.

Porque o que tinha de ser plantado, já foi colhido, e o

colhido já foi degustado, e o degustado perdeu o sabor.

Tudo fica para trás, inclusive a lembrança de nós mesmos.


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Vidas engarrafadas

 Componho meus dias com versos reversos, quase canção de exílio.

Letras garrafais e tudo mais, melodia como sinais.
Aurora boreal por dentro, por fora, o entardecer a tecer.
Sentimento e ressentimento, tocando como tambor, cordas arrebentadas, som do sonar.
Lutas e lutos, flores e frutos, a desembocar na emboscada.
Triste alegria em riste, sorriso largo no lagar.
Vanglorias sem gloria, eu e o mar, a se destacar no nada
que corrói e se decanta no mais lindo cantar.
Nessa crescente onda de acontecer.

terça-feira, 29 de junho de 2021

laços de amizade

 O rincão, da criancice, que traz saudade de outrora, 

quando, o piso, de terra batida, tinha  gosto de amora.

O meu cavalo no pasto, a relinchar de paixão,

por gosto de trabalhar, andava a riscar o chão.

O fogareiro no canto, a cantar sobre as brasas

esquentando a chaleira e a água,

a fumaça a bater suas asas.

A maçã a desejar minha boca,

suspensa ali se encontrava

de tão doce e suculenta, quase, 

em minhas mãos, se jogava.

As gotas, de orvalho, que nos saudava,

de prata,  pintava  a relva suave,

o vento, a deslizar, suavemente,

com a alegria, fazendo conchaves.

A semente, a deslizar, dentro da terra

a terra á cobrir-lhe a nudez,

Depois de amadurecer-lhe,

começava tudo outra vez.

Eu, com meus olhinhos curiosos,

a contemplar  tudo com amor,

a vida e sua vitória,

sem lamento ou temor.

Hertinha fischer














segunda-feira, 26 de abril de 2021

Presumindo

 Aquele jardim que se perdeu no tempo, faz tempo!

Aquele sorriso terno e tranquilo que se apagou, sério?
Aquela estrada, que, por tempo guardou suas pegadas,
dando risada!
Aquele abraço que só ficou na imaginação, Triste!
Aquele pedaço de pão tão desejado, que pecado!
Aquela obra inacabada, que piada!
Aquela solução que esperava, que danada!
Aquela "vidinha" sem presunção, descarada!
Aquela piada sem graça, desgraçada!
Aquele sonho sem recheio, que meio!
Aquela hora bendita, que sensatez!
Aquele momento único, maluco!
Aquele beijo roubado, negado!
Aquele passeio a cavalo, novidade!
Aquele encontro fatal, saudade!
Aquele, talvez, nem me lembro, mentira!
Aquele intervalo infeliz, revolta!
Aquele dia de outrora, feliz,
Aquele bem quis, não volta!
Aquele cheguei, nem se nota.
aquele adeus nos sufoca!

sábado, 17 de abril de 2021

Preso na presa da fome


Só se perseguem as presas,

presa  que preza a prosa.

prosa que preza a fome.

Fome que come a carne, carne que

serve a presa.

Não se persegue quem não

conduz perigo,

não conduz perigo quem

não é presa,

A força que o dente da presa  não tem,

sobra nas pernas para correr,

Depois vai para a boca, para contar

suas vantagens, antes

de se tornar presa outra vez.

A presa ta presa no medo

e o perseguidor preso na fome..

Só persegue sem fome, 

aquele bicho chamado

homem.

Hertinha Fischer





sábado, 10 de abril de 2021

Atravessando fases

Estamos atravessando uma fase minguante.
A época de cheia, esvazia-se
Embora, seja crescente, a boa e velha vontade
de continuar.
A boa nova, é que, apesar dos pesares frequentes,
não nos acabamos de todo.
Nunca o sol esteve tão perto da lua, nunca a lua
esteve tão longe da terra.
Incrível como o ciclo não se rompe, a corda continua
apertada - nós, jamais serão desfeitos.
Atravessei três mares: O primeiro, misterioso.
o segundo, nebuloso. Mas, o terceiro, é como se todas
as ondas me saudassem, com suas ondas moderadas
e quentes.
A praia ainda está um tanto distante, talvez!
Só a musica do nova e se renova, continua  em sua crença.
Queria muito, encontrar o caminho que cruza oceanos, onde
as águas se misturam, são águas, mas, parece diferente.
Foram estabelecidas e criadas, na mesma forma e componente,
Estavam todas aprumadas em um só grupo, numa só demarcação.
No entanto, foram tomadas de seus lugares, separadas e submetidas
a exclusões.
Vários oceanos se formaram; Antártico, Ártico, Atlântico,Pacifico e Indico.
E até o sal foi distribuído igualmente entre todos.
E eu ainda não entendi todos os idiomas.
Não compreendi o sentido da desigualdade: das crenças, dos pensamentos, da
força, da verdade.
Éramos todos unidos, não como siameses, mas, como sobreviventes.
Foi, justamente, por não nos entendermos, que passamos a dialetos diferentes.
Então começo a surpreender minha imaginação: Foi preciso separar para
diversificar, senão, não passaríamos de pontinhos brilhantes, assim como
uma estrela qualquer a vagar no espaço.
Hertinha Fischer







sábado, 3 de abril de 2021

Peroração de cada um


Ainda me encontro na vaidade da vida,

sobre escombros me deito.

Gostaria de pensar diferente,

sem essa sensação que me define.

Vago na imensidão estranha e azul

de um céu que me parece sem fim,

e que de fim se alimenta.

Encontrei na escrita um modo de sobreviver,

de encarar minhas próprias futilidades.

Alcançando o que o visível não alcança.

Se me olham, não me veem, o corpo

não sou eu, O eu subsiste, o corpo definha.

O corpo nada mais é do que a vaidade dos homens,

para que o brilho, de fora, ofusque a negritude de dentro,

e não vejam o óbvio, do pecado, que cada um carrega.

Nunca seremos completos em nós mesmos, nunca

nos satisfaremos com o que possuímos, buscaremos

sempre, a perfeição aos olhos alheios.

Me encontro, neste momento, tão diferente,

é como, se, de repente, pudesse absorver a verdade

absoluta de cada existência. 

Não mais como o que se encontra as ocultas, mas, explicito

nos eirados.

Escritos em cada rosto, pregados em cada sentimento, como pregos

que atravessam madeiras.

Somos, apenas isto!

Cada um em cada um, já definido e certificado,

já feito e concluído. Moldado e equipado para

viver ou morrer.

Hertinha Fischer