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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Espinhos na alma

Da para tirar esses espinhos
que nos levam a ilusões?
O perfeito dia, a perfeição em nós,
ainda é algo que se encontra
na impossibilidade.
Enquanto precisarmos do que comer,
do que se cobrir, dos outros, haverá fraqueza
em nós.
A carne é corrupta, mesmo que,
espiritualmente, desejarmos não
ser, mesmo assim, ainda seremos.
Fomos semeados na corrupção, Em Eva herdamos
o pecado da cobiça. (desejo ardente de possuir ou conseguir alguma coisa.)
A necessidade individual nos leva a querer: Porque ainda, em nós, mora o querer.
Não sou eu, não é você. Mas, o desejo de possuir que
persiste em nós.
Esse poder de possuir, de conquistar, de sobressair: seja materialmente ou espiritualmente convive com a humanidade desde o dia de sua queda.
Eva deixou-se levar pela cobiça: O ser igual a Deus! Isto é: A possibilidade de conhecimento do bem e do mal.
O animal não conhece o mal, tudo que ele faz, ele faz sem essa consciência. Ele não se envergonha de sua nudez, nem faz conta da nudez do outro. Não se importa se come a comida do outro, ou se não o deixam comer.
Irracionalmente ha disputa por isso ou aquilo, sem estar consciente do mal. Porque o mal está em fazer aquilo que alguém acha que é errado.
A lei nos limita, sem lei não haveria pecado.
Tudo que é licito, isto é: certo para todos, certo é!
O que podemos fazer em certo lugar, não podemos fazer em outro, porque não vivemos todos debaixo das mesmas leis.
As leis dos homens não são as leis de Deus.
Deus deu as suas leis para um povo especifico, não servia para toda a humanidade, exceto para quem vivia
sobre Sua jurisdição. A saber: Os Israelitas de sangue!
Mas, havia leis em outras paragens, Assim como
outras tantas crenças, outros modos de agir.
Porque não pode haver sociedade
sem leis próprias.
O que serve para um país, pode não servir para outro.
Assim, desde que o "mundo" é "mundo", isto é: Num mundo caído, as pessoas adoecem, morrem, causam danos a outrem, nunca estarão satisfeitas, porque são movidas
por um desejo que nunca cessa.
Esse desejo anunciado como pecado está no mundo das coisas, porque como coisas, somos. Como coisas agimos.
Estamos sempre de olhos nas coisas: nos objetos de consumo, no satisfazer desejos libidinosos, que diz respeito a satisfação do corpo. tudo para mostrar aos outros o quanto somos poderosos. Como se de fato, vivêssemos expostos numa vitrine.
A morte deveria ser vista como consequência do pecado, no sentido de libertação. No
entanto, ainda consideramos permanecer no mundo do pecado, acreditando que, voltaremos algum dia, revestidos do mesmo corpo de corrupção.
A promessa de transformação ocorre quando pudermos, por meio Daquele que venceu a morte: Como está escrito:
Serão transformados, num abrir e piscar de olhos. O corpo corruptível se revestirá de incorruptibilidade, e o corpo mortal se revestirá de imortalidade (1 Coríntios 15:51-53);
Voltaremos a origem, assim como Adão e Eva no paraíso: sem a consciência do mal, libertos da corrupção da carne, sem os desejos que nos fazem errar.
Herta Fischer.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Vaidades

Entrei na vida como a pedir licença.
Como Sodoma e Gomorra o vi. Na penumbra se faz o que
se diz para não fazer e o
fazem,
Como mascarado em plena avenida.
dançando sobre o tablado com
sons distintos, entre
letras abstratas. num
compasso de ouvir.
Sai de madrugada,
e madrugada não houve,
só o cheiro de terra molhada
ante um orvalho sem chuva.
E de meus pais soube de mim,
que em noite enluarada na dor
e lamento me trouxe.
Trouxe-me não sei
de onde, mas para onde ir eu
soube, quando perdi alguém.
Lá na estrada dos mortos,
entre uma ruína de pedra,
bem lá eu vi a minha morada.
Não quis saber de meus desertos, a não ser
as flores que insistem, em estarem abertas
em temporão.
Fui crescendo, e vendo que nem sempre
esta bençãos nos alcança,
Ontem alguém se foi ainda criança.

sábado, 27 de abril de 2019

Talvez nem é

O mundo. Que mundo?
Se o que 
conheço é só pedaço.
Um aqui, outro acolá.
sonhando.
E eu, continuando
a deslocar meu cérebro
até que doa,
para entender e supor
que amanhã é talvez...
Que o talvez pode nem ser
Que o que pensamos que seja,
e brigamos para ser,
não passa de talvez,
um talvez aconteça,
mas que também passa
abrindo caminho
para mais e mais
historias que acabam por
acabar no mesmo...

Hertinha Fischer

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A inocência do viver

Engraçado como a gente cresce por dentro, Será o
tempo o melhor professor?
Eu acredito que para alguns o tempo
deixa a desejar, tudo dependerá do que o indivíduo procura.
Acabei de ler um texto que dizia: O dinheiro é o melhor
dos amigos! - Acredita nisto?
Para alguns, sim! principalmente o dinheiro dos outros.
Mas, também tem aqueles, que assim como eu,
nem sabem direito o que fazer com o dinheiro, exceto
o que ele pode comprar para a sobrevivência!
Meu guarda roupa se veste melhor do que eu. Compro
ou ganho vestidos novos, e sem demagogia, nem sei ao certo
quando usar.
Meu estômago é pequeno, não cabe mais do que
o necessário.
E os bens que não necessito só me trazem mais trabalho.
Talvez eu seja única, um caso raro de desapego.
Não que eu viva sem o dinheiro, isto é impossível, mas, que,
não fico de olhos grandes em cima dele.
Talvez eu não tenha crescido o suficiente, e ainda
me encontre criança, me satisfaça com doces.
Com a doce magia de uma boa amizade, daquelas em que a gente
possa contar a nossa historia, sem medo do que fala, nem da forma
em que nos julguem.
Da doce estadia passada, entre os laranjais maduros e suculentos, na
companhia de meus pais, entre uma tarefa e outra,
É dessa doçura que gosto: das boas lembranças, da saudade que sinto
de tudo o que já não posso viver.
As vezes penso no céu: nas promessas de Deus, e não
consigo sequer imaginar, uma vida como á dos animais.
Sinto gosto pela inteligencia, pelos sentimentos: Tristeza, alegrias, encantos.
Sinto gosto pelo que nasce, e me interesso em saber o por que da morte.
Não consigo imaginar-me vivendo para sempre!
A não ser que tenhamos mais do que temos agora.
Assim o tempo me leva ao encontro do nada, talvez, do tudo, não se sabe!  mas,
a maneira que eu vivo entre os vivos, com a consciência de que terei um fim, não me incomoda,
mesmo porque, gosto de sentir tudo o que eu vejo e tento compreender como certo.
Né professor?
Por Hertinha Fischer





terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

A manhã

Ontem eu pensava no amanhã, sem saber que já era o estrado dos meus pés.
A manhã chegou, amanhã é hoje, amanhã existe,
amanhã se realiza em todas as manhãs: A manhã.. cedo, agora, hoje, o tempo sonhado e realizado em cada dia
que se desperta e nos desperta pra viver....

Herta Fischer (Hertinha)


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Tristeza profunda

Ha uma grande tristeza aqui dentro, o coração
tão pesado aflige minha alma.
Tantas andanças e não resultaram em muita coisa.
Talvez seja a velhice me castigando, talvez seja
o tempo me limitando, e as tristezas encontrando
mais espaços.
Sinto uma dor no corpo, um  infinito cansaço.
Das coisas, dos sonhos, da comodidade, da falta
do que fazer, do caminho que não se abre.
Ontem eu escolhia viver, hoje já vejo a morte
bem mais de perto, olho no olho.
Não tenho medo, sinto até um certo conforto,
até parece dolorido se transmitido, em mim, no
entanto, vejo o céu mais próximo
 naquele descanso de que necessito.
Já fiz as minhas malas, dentro dela
alguns pertences. Pouca coisa, eu sei!
 talvez um ponhado
de saudades que levo, e algumas que deixo.
Já não sou tão necessária.
Não me compreendem os que
aqui eu deixo, a peça envelheceu num canto,
apenas algumas marcas de um copo que
ali foi esquecido, mas, que,
que já foi tirado.
Herta Fischer







terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Despedida dolorida

Foi assim que te vi indo embora

Na sombra de um arco-íris entre
cores sobrepostos, em gravetos
escondia sua força e atitude.
Não se via nem se ouvia
seus cantos esquecidos.
Suas mãos suavam e suavizavam
tantas vontades sussurradas.
No descaso de outros olhos
a musica afinada de tua lavoura,
lia-se no silencio.
Entre os arvoredos de dores
seus passos gemiam, e no farfalhar
de seu outono, só pisaduras duras.
Limitada fostes pelo saber de
outras fontes, enquanto a tua era lua.
Não brilhava na soberba, nem
de holofotes se fartava, só sussurrava
no sol do meio dia, a agonia
de suas pupilas,
Foi se indo, indo embora, como nunca
havia sido, como
nunca o esperado,
abrindo sulcos de saudades,
como
semeador e seu arado.....
Herta Fischer