Ha uma grande tristeza aqui dentro, o coração
tão pesado aflige minha alma.
Tantas andanças e não resultaram em muita coisa.
Talvez seja a velhice me castigando, talvez seja
o tempo me limitando, e as tristezas encontrando
mais espaços.
Sinto uma dor no corpo, um infinito cansaço.
Das coisas, dos sonhos, da comodidade, da falta
do que fazer, do caminho que não se abre.
Ontem eu escolhia viver, hoje já vejo a morte
bem mais de perto, olho no olho.
Não tenho medo, sinto até um certo conforto,
até parece dolorido se transmitido, em mim, no
entanto, vejo o céu mais próximo
naquele descanso de que necessito.
Já fiz as minhas malas, dentro dela
alguns pertences. Pouca coisa, eu sei!
talvez um ponhado
de saudades que levo, e algumas que deixo.
Já não sou tão necessária.
Não me compreendem os que
aqui eu deixo, a peça envelheceu num canto,
apenas algumas marcas de um copo que
ali foi esquecido, mas, que,
que já foi tirado.
Herta Fischer
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A dose certa
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
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