Vou falar uma coisa para vocês.
Difícil não errar. Só não erra
quem não vive. As escolhas feitas
na juventude, geralmente, só servem
para suprirmos os dias, movidos
pala emoção de quem procura pelo sol.
Ninguém entra num barco furado, sabendo-o
furado. ninguém experimenta veneno sem
ter consciência de que vai morrer, ninguém
escolhe lágrimas ao invés de felicidade.
Tudo é movido pela fé do momento,
ou pela procura do viver um sonho.
Lembre-se! aquele(a) que não deu continuidade
para ser o seu ideal, em algum momento
foi o que mais você deu valor, por sabê-lo amor,
por pensar amor.
As águas de um rio se vão pelo córrego e
se renovam, porque água parada é lugar de bactérias e
algas. Se faltou sentimento é por estar carente de tudo.
Talvez, tenha sido bem intencionado, talvez pudesse
se verdadeiro no momento, só que a sensualidade das coisas
são inconstantes, quando se dá valor ao prazer..ao querer ou
a novidades em relação ao ego.
Porque muitos lares são desfeitos? As vezes, por falta de cuidado,
outras pela incompreensão, nunca pela falta de sentimento, muitas vezes é até pelo excesso dele em relação ao que se espera do outro.
É o mesmo cuidado que se deve ter com uma casa. Ela precisa de manutenção, de limpeza, de cuidado, senão as tempéries e as pragas acabam com ela.
Uma relação madura de "amor" paixão, só se firmará quando estamos dispostos a não ser dois, mas dois em um.
Infelizmente, as vezes, ou, quase sempre, nos colocamos como
deuses numa relação. venha a mim. quando que, na verdade teria que ser, venha a nós.
Isto analisado da forma normal, mas também existe anormalidade
nas coisas, no sentimento individual de cada um, na maneira de ser, na maneira de gostar, na inconstância do prazer, no caráter, no D.N.A. na forma que se relaciona externamente, pois a maioria dos problemas conjugais estão relacionadas com ambientes externos, que geram ciumes e desconfianças.
Eu afirmo: em questões de afetos homem-mulher, ninguém fica com ninguém por pena.
Tudo é suportável nesta vida.. menos o toque sem emoções,
a não ser que haja segundas intenções
Herta Fischer.
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Restos do resto
Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Dona de mim (Cap 5 )
Eu não conhecia razão,
embora,tudo fizesse sentido
na razão do meu existir.
Não tinha nada que me arrepiasse,
nem a vida, nem a morte, apenas
o medo do escuro. não era a escuridão
que me atormentava, e sim, o que eu
não podia ver além dela.
Eu gostava de presença, mesmo da longínqua
plenitude dos ares, aquele azul intenso, cheio
de mistérios e incógnitas, e a escuridão o encobria
com um manto silencioso, colocando tudo para dormir.
Eu não gostava daquele silencio ameaçador, definitivamente,
eu não amava a noite, depois que ela crescia.
Tudo porque eu amava o dia, eu o amava tanto que
as noites pareciam eternas, crueldade demais ter que esperar
pela luz,
A noite só era-me notável, enquanto ainda criança, quando havia ainda
alguns resquícios do dia, mesmo quase que dormindo, quase a fechar
os olhos, ainda me proporcionava alegria.
Mas era preciso, se não houvesse noite em meu viver, como apreciar o alvorejar, quando
o sereno caia bem de mansinho, e sobre a relva caminhar, com as gotas a se divertir
sobre a grama fina, acariciando meus pequenos pés.
E o sol tão brincalhão a secar as lágrimas da noite, colocando um fim em seu martírio.
E a alegria despertava comigo, tudo era festa, tudo era cor, e perfeição.
Tão bom ser criança, tudo que é pequeno, é mais verdadeiro, é mais bonito, é mais aconchegante,
até parece que Deus deseja o simples, pois nos dá com mais abundância.
Assim como as marcelas que nascem em seu tempo e deixa os campos mais contentes, assim é com todas as flores da vida, quanto mais simples, mais satisfação.
A gente cresce, assim como as ervas do campo, alcançando a sua altura, vai se enverdejando até
amarelar-se de prazer ao atingir a plenitude.
Como as ondas do mar, que se quebram nas encostas, de dor não desfalece, cresce e toma seu caminho de volta, como quem nunca morre.
Tantos dias, muito se parece, mas na verdade são apenas pingos, pouco para viver e muito para sofrer, como uma flor a se romper em seu caule.
Finalmente, depois de trabalhar para viver, dar seus frutos no verão, vai se definhando até virar
pó. Não sabendo como veio e sem saber que caminho o toma de volta.
Assim é a vida, e a minha história não poderia ser diferente. Eu sabia que crescia, que seria andarilha pelas ruas tortas de meu destino, para enfim alcançar vitoria, na esquina de tantas glorias.
Glorificados somos no despertar, quando a água nos expele para fora, nas estações do plantio, o tempo nos enaltecem com seus préstimos pressupostos, até que o tempo se findem no corpo
que amadurece.
Da água á terra. Ambas, simbolo de fertilidade. Dois princípios de vida: O começo e o fim.
Como duvidar da continuidade? Algo para se refletir!
Herta Fischer (Hertinha)
embora,tudo fizesse sentido
na razão do meu existir.
Não tinha nada que me arrepiasse,
nem a vida, nem a morte, apenas
o medo do escuro. não era a escuridão
que me atormentava, e sim, o que eu
não podia ver além dela.
Eu gostava de presença, mesmo da longínqua
plenitude dos ares, aquele azul intenso, cheio
de mistérios e incógnitas, e a escuridão o encobria
com um manto silencioso, colocando tudo para dormir.
Eu não gostava daquele silencio ameaçador, definitivamente,
eu não amava a noite, depois que ela crescia.
Tudo porque eu amava o dia, eu o amava tanto que
as noites pareciam eternas, crueldade demais ter que esperar
pela luz,
A noite só era-me notável, enquanto ainda criança, quando havia ainda
alguns resquícios do dia, mesmo quase que dormindo, quase a fechar
os olhos, ainda me proporcionava alegria.
Mas era preciso, se não houvesse noite em meu viver, como apreciar o alvorejar, quando
o sereno caia bem de mansinho, e sobre a relva caminhar, com as gotas a se divertir
sobre a grama fina, acariciando meus pequenos pés.
E o sol tão brincalhão a secar as lágrimas da noite, colocando um fim em seu martírio.
E a alegria despertava comigo, tudo era festa, tudo era cor, e perfeição.
Tão bom ser criança, tudo que é pequeno, é mais verdadeiro, é mais bonito, é mais aconchegante,
até parece que Deus deseja o simples, pois nos dá com mais abundância.
Assim como as marcelas que nascem em seu tempo e deixa os campos mais contentes, assim é com todas as flores da vida, quanto mais simples, mais satisfação.
A gente cresce, assim como as ervas do campo, alcançando a sua altura, vai se enverdejando até
amarelar-se de prazer ao atingir a plenitude.
Como as ondas do mar, que se quebram nas encostas, de dor não desfalece, cresce e toma seu caminho de volta, como quem nunca morre.
Tantos dias, muito se parece, mas na verdade são apenas pingos, pouco para viver e muito para sofrer, como uma flor a se romper em seu caule.
Finalmente, depois de trabalhar para viver, dar seus frutos no verão, vai se definhando até virar
pó. Não sabendo como veio e sem saber que caminho o toma de volta.
Assim é a vida, e a minha história não poderia ser diferente. Eu sabia que crescia, que seria andarilha pelas ruas tortas de meu destino, para enfim alcançar vitoria, na esquina de tantas glorias.
Glorificados somos no despertar, quando a água nos expele para fora, nas estações do plantio, o tempo nos enaltecem com seus préstimos pressupostos, até que o tempo se findem no corpo
que amadurece.
Da água á terra. Ambas, simbolo de fertilidade. Dois princípios de vida: O começo e o fim.
Como duvidar da continuidade? Algo para se refletir!
Herta Fischer (Hertinha)
Dona de mim (cap 4 )
A gente sempre está no tempo devido,
no tempo certo, No tempo é que devemos
construir.
Naquele tempo, quando para mim, tudo
era tão reduzido. No pouco espaço
que conhecia, era como se meu mundo
aparente se consistisse em ser o que era,
pois tudo estava em seu lugar. Era como
renascer todas as horas, numa eterno.
brincar de viver,
Ao sair para brincar, a pequena estradinha de terra
parecia se desenhar em cada passo, como quem
me levava a passear pelo meu destino, sem
grandes preocupações.
O mundo fervia como um caldeirão esquecido no fogo,
Havia revoluções por toda parte; pessoas sumindo, pessoas
morrendo, pessoas lutando por um ideal. E, eu, sem grandes
causas para lutar,
Compreendida pelo lugar que me acolhia, pela mansidão das horas lentas
que vivificavam as células do meu crescimento em estatura. Muito
mais crescia em entendimento, não como os adultos, que só pensam em si,
na qualidade do que comem, na beleza de vestimenta, no prazer de receber.
Meu intento sempre foi viver saber e crescer, assim como uma árvore que
se dá bem em seu lugar.
De manhãzinha quando o sol despontava no horizonte, tão meigo
e tão puro como uma tocha iluminada pelo fogo da esperança de apenas
nascer por ser preciso, eu , assim como ele, renovava a esperança de
seguir.
Não existiam dias e meses e anos, apenas as horas que me acompanhavam
porque o tempo era o tempo, aquele tempo presente em cada brincadeira, em cada
sonho de criança, em cada sabuguinho de milho debulhado, que carinhosamente
se transformava em bonequinha tão carinhosa e tão meiga presença.
Aquele mundinho reduzido, onde a casinha era a ramada que se deitava sobre
as grandes árvores, a cama feita de folhas fresquinhas e macias, o fogãozinho
de tijolos e gravetos, o fogo imaginário, a comida apetitosa brincadeira de
um cérebro fértil e brincalhão.
Sobre um céu encantado eu brincava, como princesinha sem trono, o castelo
estava em tudo que podia olhar, que se estendia quanto mais longe eu pudesse ir.
Como quem tece uma manta, a próxima trama é sempre novidade.
As vezes eu chegava mais longe, até a esquina das minhas dúvidas, para depois voltar
para o conforto do que realmente conhecia.
Só que não podemos bitolar nossas andanças, senão o mundo rola sozinho, e eu
precisava fazer companhia ao espaço que ainda não me conhecia.
Fui seguindo aos poucos, não havia necessidade de absorver tudo de uma vez. Meus
olhos eram teimosos, estavam ávidos por exploração, antes mesmo de agir eu precisava
aprender, e como aprender se não pudesse observar?
Nenhum conhecimento chegava fácil, tudo era muito difícil. As coisas se isolavam, omitiam
a sua essência, tinha que descobrir por mim mesma.
E pela primeira vez em ninha vida, finalmente, tive consciência de mim.
Já não me bastava ser criança, já não me bastava ser como qualquer animal, começava a formar opinião.
Observava meu pai, minha mãe, meus irmãos, ficava atenta ao que diziam, ao que faziam, mesmo
fingindo que não me importava.
Meu mundinho de repente ficou enorme, como se não pudesse mais contro-lá-lo.
Ficar ciente da cegueira de uma hora para outra, é muito triste. Precisei me esforçar para
aprender a enxergar, agora com mais clareza, esforçar-me para aprender sem ofender, pois,
naqueles dias havia uma certo tabu em relação a muitas coisas que os adultos faziam ou diziam,
nem tudo estava ao meu alcance.
Precisava sondar os passos, as vezes, tinha mesmo que apagá-los, não podia deixar pegadas,
para não sofrer castigos.
Fazer papel de adivinha: O que pode e o que não pode?
Não havia cartilhas ensinando a viver, apenas uma vara encostada num canto pronta para ser usada
caso pisasse em falso,
E o caminho era incerto, e os desejos impuros, e o que fazer? eu não sabia!
Mesmo o que nos parecia certo aos olhos alheios, mesmo assim. havia uma certa dúvida no ar.
Será?
Tornei-me uma alquimista profissional em relação a minha vida. Nada estava as claras, cada sentimento que descobria, precisava estar bem guardados dentro de uma caixinha de segredos, que só poderia ser aberta na solidão, marcados nos encontros comigo mesma.
Fiquei mocinha no silencio, nem sabia que me tornara moça naquele dia fatídico, quando vi
meu próprio sangue a escorrer, Por sorte, meus olhos furtivos já haviam presenciado alguma
coisa semelhante, e tirei minhas conclusões.
Então, me pareceu natural.
E do resto, o mundo se encarregou. O mundo ou o tempo, não sei. Não tem diferença entre um ou outro. pois o que nos leva são as experiências e as necessidades.
Nosso destino e nossa sorte estão em cada decisão que tomamos, independente da estação, movidos
mais pela necessidade do que propriamente por escolhas.
Herta Fischer (Hertinha)
no tempo certo, No tempo é que devemos
construir.
Naquele tempo, quando para mim, tudo
era tão reduzido. No pouco espaço
que conhecia, era como se meu mundo
aparente se consistisse em ser o que era,
pois tudo estava em seu lugar. Era como
renascer todas as horas, numa eterno.
brincar de viver,
Ao sair para brincar, a pequena estradinha de terra
parecia se desenhar em cada passo, como quem
me levava a passear pelo meu destino, sem
grandes preocupações.
O mundo fervia como um caldeirão esquecido no fogo,
Havia revoluções por toda parte; pessoas sumindo, pessoas
morrendo, pessoas lutando por um ideal. E, eu, sem grandes
causas para lutar,
Compreendida pelo lugar que me acolhia, pela mansidão das horas lentas
que vivificavam as células do meu crescimento em estatura. Muito
mais crescia em entendimento, não como os adultos, que só pensam em si,
na qualidade do que comem, na beleza de vestimenta, no prazer de receber.
Meu intento sempre foi viver saber e crescer, assim como uma árvore que
se dá bem em seu lugar.
De manhãzinha quando o sol despontava no horizonte, tão meigo
e tão puro como uma tocha iluminada pelo fogo da esperança de apenas
nascer por ser preciso, eu , assim como ele, renovava a esperança de
seguir.
Não existiam dias e meses e anos, apenas as horas que me acompanhavam
porque o tempo era o tempo, aquele tempo presente em cada brincadeira, em cada
sonho de criança, em cada sabuguinho de milho debulhado, que carinhosamente
se transformava em bonequinha tão carinhosa e tão meiga presença.
Aquele mundinho reduzido, onde a casinha era a ramada que se deitava sobre
as grandes árvores, a cama feita de folhas fresquinhas e macias, o fogãozinho
de tijolos e gravetos, o fogo imaginário, a comida apetitosa brincadeira de
um cérebro fértil e brincalhão.
Sobre um céu encantado eu brincava, como princesinha sem trono, o castelo
estava em tudo que podia olhar, que se estendia quanto mais longe eu pudesse ir.
Como quem tece uma manta, a próxima trama é sempre novidade.
As vezes eu chegava mais longe, até a esquina das minhas dúvidas, para depois voltar
para o conforto do que realmente conhecia.
Só que não podemos bitolar nossas andanças, senão o mundo rola sozinho, e eu
precisava fazer companhia ao espaço que ainda não me conhecia.
Fui seguindo aos poucos, não havia necessidade de absorver tudo de uma vez. Meus
olhos eram teimosos, estavam ávidos por exploração, antes mesmo de agir eu precisava
aprender, e como aprender se não pudesse observar?
Nenhum conhecimento chegava fácil, tudo era muito difícil. As coisas se isolavam, omitiam
a sua essência, tinha que descobrir por mim mesma.
E pela primeira vez em ninha vida, finalmente, tive consciência de mim.
Já não me bastava ser criança, já não me bastava ser como qualquer animal, começava a formar opinião.
Observava meu pai, minha mãe, meus irmãos, ficava atenta ao que diziam, ao que faziam, mesmo
fingindo que não me importava.
Meu mundinho de repente ficou enorme, como se não pudesse mais contro-lá-lo.
Ficar ciente da cegueira de uma hora para outra, é muito triste. Precisei me esforçar para
aprender a enxergar, agora com mais clareza, esforçar-me para aprender sem ofender, pois,
naqueles dias havia uma certo tabu em relação a muitas coisas que os adultos faziam ou diziam,
nem tudo estava ao meu alcance.
Precisava sondar os passos, as vezes, tinha mesmo que apagá-los, não podia deixar pegadas,
para não sofrer castigos.
Fazer papel de adivinha: O que pode e o que não pode?
Não havia cartilhas ensinando a viver, apenas uma vara encostada num canto pronta para ser usada
caso pisasse em falso,
E o caminho era incerto, e os desejos impuros, e o que fazer? eu não sabia!
Mesmo o que nos parecia certo aos olhos alheios, mesmo assim. havia uma certa dúvida no ar.
Será?
Tornei-me uma alquimista profissional em relação a minha vida. Nada estava as claras, cada sentimento que descobria, precisava estar bem guardados dentro de uma caixinha de segredos, que só poderia ser aberta na solidão, marcados nos encontros comigo mesma.
Fiquei mocinha no silencio, nem sabia que me tornara moça naquele dia fatídico, quando vi
meu próprio sangue a escorrer, Por sorte, meus olhos furtivos já haviam presenciado alguma
coisa semelhante, e tirei minhas conclusões.
Então, me pareceu natural.
E do resto, o mundo se encarregou. O mundo ou o tempo, não sei. Não tem diferença entre um ou outro. pois o que nos leva são as experiências e as necessidades.
Nosso destino e nossa sorte estão em cada decisão que tomamos, independente da estação, movidos
mais pela necessidade do que propriamente por escolhas.
Herta Fischer (Hertinha)
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Dona de mim (continuação) cp 3
Era dia, era noite, tanto fazia. Era eu
que não via o tempo se descabelar.
Tudo certo. Não havia nada fora do seu lugar:
o vento bailando com o tempo,
as nuvens passeadoras, o céu feliz com
suas estrelas. Tudo isto acontecia enquanto o
dia dormia.
Quando o dia acordava, um tanto preguiçoso,
tão formoso e tão amante. Tudo se transformava em meu mundo:
o feio ficava bonito, o preto mudava de cor,
o vento assoviava a passar por entre os torrões
de terra que agora endurecidos faziam parte das
paredes que nos rodeava, e
minha casinha ficava muito mais feliz.
Dentro dela morava um duendezinho, que
nos trazia alegrias, era a caprichosa esperança que enchia
nossos celeiros de paz..
Papai ia na frente como um rei, o seguíamos como
seus súditos, fazendo tudo o que nos pedia.
Mamãe, a rainha do lar, amiga das comidas gostosas,
das camas arrumadas com gosto, lençóis perfumados e passados
a ferro, quentinhas e carinhosas.
Também era amiga do sorriso, nunca nos faltavam gargalhadas.
Ela nos emprestava seus préstimos, seu carinho, mais do que tudo,
que perfeição!
Dizem que precisamos melhorar as coisas, colocá-las no lugar,
mas, está tudo tão perfeito, Eu não mudaria nada!
Até o chapéu do meu pai estava no lugar certo, pendurado
sobre um prego na parede, se exibia satisfeito e orgulhoso
por seu lugar de destaque,
O balde com água descansava sobre uma pequena prateleira,
feliz sobre seu posto, nos matava a sede por dias. A
prateleira um tanto curvada, não estava muito feliz, por ter que ficar com o peso,
mas mesmo assim, nunca reclamava.
Nosso quintal ensolarado, feliz com o verão ou inverno, tanto fazia,
pois, tinha-nos a passar por ele em qualquer estação.
Pela la das quantas da noite, a lua surgia no céu, prateando o meu quintal,
e nós, pequenos guerreiros do dia, deitávamos em sua ternura sobre
a terra crua, a fitá-la com amor.
Lá se chegavam os anjos, balançando as suas asas, com luzes e serenata
a se regalar pelo ar. tinham nome: vaga-lumes.
A noite sorria, a lua cantava, e as estrelas dançavam na mágica dos
nossos segredos. Eram anjos, eram anjos!
Todo dia e noite, toda noite e dia eram assim, não ficava nada fora do seu lugar.
Dormir e acordar, acordar e dormir, tanto faz, a mágica estava no ar.
Não fazia diferença: todo dia era dia, qualquer dia, qualquer hora, a felicidade
não dormia.
As vezes chovia, e ai morava o encanto, tilintar sobre o telhado era a melhor brincadeira
que as gotas não dispensavam. E minha mãe sentada ao lado do fogãozinho a lenha a contar
piadas, enquanto um cheirinho de comida caipira dançavam sobre nosso nariz.
Tudo na hora certa: café, almoço, café e jantar. Nada era mais gostoso que a hora de dormir.
As galinhas começavam primeiro, se empoleirando nas copas das árvores, pareciam cantar uma
canção de ninar, pois até aquietar-se, faziam muito barulho.
A noite caia de mansinho, quase que, silenciosamente, não fosse as canções das galinhas.
Tudo era penumbra, uma cor roseada caia sobre os montes, tocavam o chão de suas colinas, para
depois transforma-se em alaranjado, até sumir das vistas e tornar-se tudo tão negro como carvão.
Amava as cores da noite. tudo era tão perfeito, quanto o lugar que nos abrigava.
Herta Fischer (hertinha)
que não via o tempo se descabelar.
Tudo certo. Não havia nada fora do seu lugar:
o vento bailando com o tempo,
as nuvens passeadoras, o céu feliz com
suas estrelas. Tudo isto acontecia enquanto o
dia dormia.
Quando o dia acordava, um tanto preguiçoso,
tão formoso e tão amante. Tudo se transformava em meu mundo:
o feio ficava bonito, o preto mudava de cor,
o vento assoviava a passar por entre os torrões
de terra que agora endurecidos faziam parte das
paredes que nos rodeava, e
minha casinha ficava muito mais feliz.
Dentro dela morava um duendezinho, que
nos trazia alegrias, era a caprichosa esperança que enchia
nossos celeiros de paz..
Papai ia na frente como um rei, o seguíamos como
seus súditos, fazendo tudo o que nos pedia.
Mamãe, a rainha do lar, amiga das comidas gostosas,
das camas arrumadas com gosto, lençóis perfumados e passados
a ferro, quentinhas e carinhosas.
Também era amiga do sorriso, nunca nos faltavam gargalhadas.
Ela nos emprestava seus préstimos, seu carinho, mais do que tudo,
que perfeição!
Dizem que precisamos melhorar as coisas, colocá-las no lugar,
mas, está tudo tão perfeito, Eu não mudaria nada!
Até o chapéu do meu pai estava no lugar certo, pendurado
sobre um prego na parede, se exibia satisfeito e orgulhoso
por seu lugar de destaque,
O balde com água descansava sobre uma pequena prateleira,
feliz sobre seu posto, nos matava a sede por dias. A
prateleira um tanto curvada, não estava muito feliz, por ter que ficar com o peso,
mas mesmo assim, nunca reclamava.
Nosso quintal ensolarado, feliz com o verão ou inverno, tanto fazia,
pois, tinha-nos a passar por ele em qualquer estação.
Pela la das quantas da noite, a lua surgia no céu, prateando o meu quintal,
e nós, pequenos guerreiros do dia, deitávamos em sua ternura sobre
a terra crua, a fitá-la com amor.
Lá se chegavam os anjos, balançando as suas asas, com luzes e serenata
a se regalar pelo ar. tinham nome: vaga-lumes.
A noite sorria, a lua cantava, e as estrelas dançavam na mágica dos
nossos segredos. Eram anjos, eram anjos!
Todo dia e noite, toda noite e dia eram assim, não ficava nada fora do seu lugar.
Dormir e acordar, acordar e dormir, tanto faz, a mágica estava no ar.
Não fazia diferença: todo dia era dia, qualquer dia, qualquer hora, a felicidade
não dormia.
As vezes chovia, e ai morava o encanto, tilintar sobre o telhado era a melhor brincadeira
que as gotas não dispensavam. E minha mãe sentada ao lado do fogãozinho a lenha a contar
piadas, enquanto um cheirinho de comida caipira dançavam sobre nosso nariz.
Tudo na hora certa: café, almoço, café e jantar. Nada era mais gostoso que a hora de dormir.
As galinhas começavam primeiro, se empoleirando nas copas das árvores, pareciam cantar uma
canção de ninar, pois até aquietar-se, faziam muito barulho.
A noite caia de mansinho, quase que, silenciosamente, não fosse as canções das galinhas.
Tudo era penumbra, uma cor roseada caia sobre os montes, tocavam o chão de suas colinas, para
depois transforma-se em alaranjado, até sumir das vistas e tornar-se tudo tão negro como carvão.
Amava as cores da noite. tudo era tão perfeito, quanto o lugar que nos abrigava.
Herta Fischer (hertinha)
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Dona de mim (continuação) cap. 2
Tão dona de mim. Tão dona de nada.Trago sonhos,
faço entregas , mas, o bem, nunca será aceito em sua totalidade,
porque traz em seu leito, renúncias.
Voltei-me novamente ao tempo presente, que de presente, me concede todos
os dias, amargor. Não é um amargo feroz, é tão manso que me deixa afagá-lo,
que me faz sorrir, pois sorriso eu tenho de sobra, mesmo que toda luz se apague, mesmo
que fique cega pela adaptação de quem não precisa mais da luz, mesmo assim, o sorriso
me é fiel, estará caminhando a meu lado como o melhor amigo que já conheci.
Eu nasci forte, diz minha mãe que nasci tão forte, que nem cabia mais em sua barriga, que o caminho que fiz para chegar, era pequeno demais, que tiveram que rasgá-lo.
Eu me enchi de coragem, atravessei lentamente por aquele caminho sofrido, humildemente avancei
sem me preocupar com as dores. e me fiz como um dia feliz. Nunca mais o abandonei.
Estava eu ainda pequena, nenhum entendimento me consolava, me tornava conhecida das coisas, e as coisas de mim, faziam parte. dançavam a minha frente, exibiam-se como bailarinas no palco, e
me deixavam alucinada pela forma que despertavam meu interesse, ensinando-me a curiosidade.
A curiosidade me fazia cocegas, como uma irmã brincalhona, e as coisas se colocavam como fábulas contadas, com verdadeiro ensejo de serem descobertas e sentidas pelo meu desejo de tocá-las.
Aquele era o meu tempo, colado em mim como uma lesma em seu caracol, pelas suas mãos fortes me levava como background do meu viver.
Não existia mundo além de mim, não existia mal algum que me vigiasse, não havia dores, nem misérias, embora estivesse cercada dela.
Era rodeada pela falta de conforto, mas não sentia desconforto, era tudo que eu conhecia, então, o que estava além, não existia.
A roupa velha que me vestia, tinha apenas a finalidade de me cobrir a nudez, pouco importava o seu estado, pouco importava os olhos que me vissem e me condenassem por ser maltrapilha e indecorosa
aquela forma de ser.
Alguém me assistia naquele singelo lugar. Uma casinha pequena que não perturbavam meus grandes sonhos. Acolhia-os. Eram grandes e tão pequenos, que cabiam em qualquer canto.
Se a minha casinha era tão pequena e nela cabiam meus grandes sonhos, quão grande seria essa casinha, embora pequena, era maior que tudo o que eu sonhava.
Porque meu espaço era o meu mundo, e o meu pequeno mundo tão grande para mim.
Me sentia no paraíso. e o paraíso continha uma família da qual eu fazia parte, que de parte eu ficava
por ter sonhos demais.
Eu me sentia um pássaro sem asas a explorar a grande mata, a catar sementinhas, para criar minhas fantasias que eram muitas.
Todas as horas se me abriam os biquinhos, famintos de novidades, e eu os alimentava com minha
amiga esperteza.
Fui crescendo entre os braços do tempo, e minha curiosidade aumentava enquanto o relógio marcava suas horas sem cessar. Me dizia assim bem manso: sua hora vai chegar.
-Que horas, eu pensava: - todas as horas são minhas!
Nesse balanço enfadonho do vai e vem e vem e vai, para mim era só brincadeira de existir.
Até que comecei a sentir desconforto em não saber. Olhava para os outros, eles sabiam tudo de tudo, e eu, uma simples criança perdida nas manhãs dos meus devaneios.
Tudo era manhã, não existia noite, nem tarde, nem dia, era a mesma coisa em todo lugar, apenas manhãs brincalhonas.
Eu precisava avançar, eu tinha sede de saber, queria seriedade, queria participar do mundo, não só daquele que criara com tanta afeição, eu precisava descobrir se havia vida em outros lugares. Já era tempo de dar a luz novamente, desta vez um pouco mais ousada eu seria.
Uma escolinha havia em algum lugar que eu desconhecia, eu sabia que estava lá, pois via meus irmãos saírem sorrindo, acompanhados de suas mochilas, que carregavam lápis, borrachas, cadernos
tudo tão organizadinhos que me traziam surpresa no olhar.
Eu os via saindo, e ficava carrancuda, porque eu também não poderia ir?
Meu pai, não raramente, me pegava tentando escrever. Ficava me fitando com orgulho e satisfação. Ele não sabia escrever, a oportunidade de alfabetização não lhe bateu a porta, a necessidade do trabalho foi mais urgente..
Num certo dia eu brincava de menina, meu sonhos estavam comigo.- numa ladeira de esperança, eu
empurrava uma vontade de ler e expandir o meu universo, queria-o um pouco mais aberto queria-o aos meus pés. Precisava ser dona de mim.
Com apenas seis anos de idade, meu pai me disse que eu ainda era tão jovem, eu tinha que esperar por mais um ano para poder iniciar a carreira de estudante. Ah! mas eu não podia esperar!
Sinceramente, acho que no céu eu tinha amigos, pois meu pai tão arrogante, só fazia a sua vontade, enfim, resolveu me matricular.
E eu fui, tão pequenina, sozinha no estradão empoeirado, como a rainha de sabá cantando a sua vitória, falando com minha mochila que mais parecia um bocó. Olha para mim, eu dizia: Você carrega os meus sonhos, tenha cuidado, em você está meus lápis, meu caderno e minha borracha.
Comigo vai a vontade de estudar. delas eu tiro coragem para crescer.
E minhas mãozinhas frias e desengonçadas entrelaçaram felizes quando enfim eu fui aceita na escolinha encantada.
Timidamente cheguei no dia seguinte com uma alegria contagiante, acompanhada de um certo medo. tudo me parecia irreal.
Uma escolinha toda pintada de branco, a minha cor preferida, depois da cor azul. Um banheirinho do lado de fora. Com telhadinho e tudo. Lá dentro um piso feito de madeira com um largo furo no meio, Para mim, tinha cheiro de escola. Muito sofisticado para o meu gosto que só conhecia o ínfimo das coisas.
Entrei: havia muitas cadeiras pedintes, pediam que as usasse, e uma delas me cativou. A primeira da fileira me pareceu mais interessante. Atendiam pelo nome de Carteiras, Basicamente: um banco de dois lugares, Onde se encaixavam uma bancada com compartimento para guardar pertences,
A filha da professora seria minha parceira, E, eu, quase morria de vergonha ao me deparar com tamanha beleza e sofisticação.
Me sentia como um ovinho de codorna em comparação com um ovo de avestruz. Mas, para minha surpresa, não tinha nada que a desabonasse. Muito pelo contrário: era bondosa e companheira.
Tanto, que, depois da aula, a professora me convidava para tomar chá com elas. Nossa escola. A escola do meu mundinho, era muito distante da cidade, obrigando, assim, que a professora morasse nela. Então, como tinha que se ausentar de sua casa na cidade por cinco dias na semana, ela trouxe sua filha para lhe fazer companhia, assim, poderia estudar também.
E nós nos tornamos boas amigas. Marta era seu nome.
Logo nos primeiros momentos, quando meus sonhos gritavam, minha professora tomava a minha mão entre a a dela, e me ajudava a fazer os primeiros rabiscos.
Tão logo comecei a escrever sozinha. tão logo meus talentos se afloraram.
Conheci o outro lado da moeda. De um pequeno mundo composto de sete pessoas á uma classe cheia de gente. E quando tinha que voltar para casa, alguns moleques me bolinavam, obrigando-me a conhecer malandragem.
Perto da escola havia um barranco como trincheiras de guerra, entravam lá para jogar pedras no teto da escola, e me obrigavam a entrar com eles. E com medo de sofrer violência pela desobediência, eu tinha que fazer o mesmo que eles faziam.
Eu acabei contando para a professora, e ela, tão bondosa, me segurava na classe até que todos iam embora. Assim, me livrei de muitas dores.
Tantos anos se passaram, e me levaram com ele, como o vento e sua andorinha plainando no conforto
um do outro.
Eu e o tempo, sonhos roubados, foi tudo em vão.
Tão logo me encontrei com as letras, tão logo as conheci, tão logo as abandonei. Meu mundo de palavras ainda me foram poucos. Assim como aconteceu com meu pai e minha mãe, eu tive que parar com os estudos, tinha urgência em aprender outras coisas. Estudar não enche barriga.
Fui para a roça, talvez, com menos alegria, mas, com muita coragem.
Peguei no cabo da enxada, tão pesada e tão malandra, não fazia nenhuma força, só deixava se levar pela minha.
Tudo passou. Depois de tudo, Fui indo, fui voltando. As experiências foram tantas, Voltei a estudar, e conclui o segundo grau, aprendi um pouco mais. E agora, estou aqui, como quem faz alguma coisa que gosta. Tão pouco, mas tão muito para mim. Assim, como minha casinha pequeninha que guardavam meus sonhos grandes, Meus sonhos ainda encontram algum espaço para crescer.
Herta Fischer (hertinha)
faço entregas , mas, o bem, nunca será aceito em sua totalidade,
porque traz em seu leito, renúncias.
Voltei-me novamente ao tempo presente, que de presente, me concede todos
os dias, amargor. Não é um amargo feroz, é tão manso que me deixa afagá-lo,
que me faz sorrir, pois sorriso eu tenho de sobra, mesmo que toda luz se apague, mesmo
que fique cega pela adaptação de quem não precisa mais da luz, mesmo assim, o sorriso
me é fiel, estará caminhando a meu lado como o melhor amigo que já conheci.
Eu nasci forte, diz minha mãe que nasci tão forte, que nem cabia mais em sua barriga, que o caminho que fiz para chegar, era pequeno demais, que tiveram que rasgá-lo.
Eu me enchi de coragem, atravessei lentamente por aquele caminho sofrido, humildemente avancei
sem me preocupar com as dores. e me fiz como um dia feliz. Nunca mais o abandonei.
Estava eu ainda pequena, nenhum entendimento me consolava, me tornava conhecida das coisas, e as coisas de mim, faziam parte. dançavam a minha frente, exibiam-se como bailarinas no palco, e
me deixavam alucinada pela forma que despertavam meu interesse, ensinando-me a curiosidade.
A curiosidade me fazia cocegas, como uma irmã brincalhona, e as coisas se colocavam como fábulas contadas, com verdadeiro ensejo de serem descobertas e sentidas pelo meu desejo de tocá-las.
Aquele era o meu tempo, colado em mim como uma lesma em seu caracol, pelas suas mãos fortes me levava como background do meu viver.
Não existia mundo além de mim, não existia mal algum que me vigiasse, não havia dores, nem misérias, embora estivesse cercada dela.
Era rodeada pela falta de conforto, mas não sentia desconforto, era tudo que eu conhecia, então, o que estava além, não existia.
A roupa velha que me vestia, tinha apenas a finalidade de me cobrir a nudez, pouco importava o seu estado, pouco importava os olhos que me vissem e me condenassem por ser maltrapilha e indecorosa
aquela forma de ser.
Alguém me assistia naquele singelo lugar. Uma casinha pequena que não perturbavam meus grandes sonhos. Acolhia-os. Eram grandes e tão pequenos, que cabiam em qualquer canto.
Se a minha casinha era tão pequena e nela cabiam meus grandes sonhos, quão grande seria essa casinha, embora pequena, era maior que tudo o que eu sonhava.
Porque meu espaço era o meu mundo, e o meu pequeno mundo tão grande para mim.
Me sentia no paraíso. e o paraíso continha uma família da qual eu fazia parte, que de parte eu ficava
por ter sonhos demais.
Eu me sentia um pássaro sem asas a explorar a grande mata, a catar sementinhas, para criar minhas fantasias que eram muitas.
Todas as horas se me abriam os biquinhos, famintos de novidades, e eu os alimentava com minha
amiga esperteza.
Fui crescendo entre os braços do tempo, e minha curiosidade aumentava enquanto o relógio marcava suas horas sem cessar. Me dizia assim bem manso: sua hora vai chegar.
-Que horas, eu pensava: - todas as horas são minhas!
Nesse balanço enfadonho do vai e vem e vem e vai, para mim era só brincadeira de existir.
Até que comecei a sentir desconforto em não saber. Olhava para os outros, eles sabiam tudo de tudo, e eu, uma simples criança perdida nas manhãs dos meus devaneios.
Tudo era manhã, não existia noite, nem tarde, nem dia, era a mesma coisa em todo lugar, apenas manhãs brincalhonas.
Eu precisava avançar, eu tinha sede de saber, queria seriedade, queria participar do mundo, não só daquele que criara com tanta afeição, eu precisava descobrir se havia vida em outros lugares. Já era tempo de dar a luz novamente, desta vez um pouco mais ousada eu seria.
Uma escolinha havia em algum lugar que eu desconhecia, eu sabia que estava lá, pois via meus irmãos saírem sorrindo, acompanhados de suas mochilas, que carregavam lápis, borrachas, cadernos
tudo tão organizadinhos que me traziam surpresa no olhar.
Eu os via saindo, e ficava carrancuda, porque eu também não poderia ir?
Meu pai, não raramente, me pegava tentando escrever. Ficava me fitando com orgulho e satisfação. Ele não sabia escrever, a oportunidade de alfabetização não lhe bateu a porta, a necessidade do trabalho foi mais urgente..
Num certo dia eu brincava de menina, meu sonhos estavam comigo.- numa ladeira de esperança, eu
empurrava uma vontade de ler e expandir o meu universo, queria-o um pouco mais aberto queria-o aos meus pés. Precisava ser dona de mim.
Com apenas seis anos de idade, meu pai me disse que eu ainda era tão jovem, eu tinha que esperar por mais um ano para poder iniciar a carreira de estudante. Ah! mas eu não podia esperar!
Sinceramente, acho que no céu eu tinha amigos, pois meu pai tão arrogante, só fazia a sua vontade, enfim, resolveu me matricular.
E eu fui, tão pequenina, sozinha no estradão empoeirado, como a rainha de sabá cantando a sua vitória, falando com minha mochila que mais parecia um bocó. Olha para mim, eu dizia: Você carrega os meus sonhos, tenha cuidado, em você está meus lápis, meu caderno e minha borracha.
Comigo vai a vontade de estudar. delas eu tiro coragem para crescer.
E minhas mãozinhas frias e desengonçadas entrelaçaram felizes quando enfim eu fui aceita na escolinha encantada.
Timidamente cheguei no dia seguinte com uma alegria contagiante, acompanhada de um certo medo. tudo me parecia irreal.
Uma escolinha toda pintada de branco, a minha cor preferida, depois da cor azul. Um banheirinho do lado de fora. Com telhadinho e tudo. Lá dentro um piso feito de madeira com um largo furo no meio, Para mim, tinha cheiro de escola. Muito sofisticado para o meu gosto que só conhecia o ínfimo das coisas.
Entrei: havia muitas cadeiras pedintes, pediam que as usasse, e uma delas me cativou. A primeira da fileira me pareceu mais interessante. Atendiam pelo nome de Carteiras, Basicamente: um banco de dois lugares, Onde se encaixavam uma bancada com compartimento para guardar pertences,
A filha da professora seria minha parceira, E, eu, quase morria de vergonha ao me deparar com tamanha beleza e sofisticação.
Me sentia como um ovinho de codorna em comparação com um ovo de avestruz. Mas, para minha surpresa, não tinha nada que a desabonasse. Muito pelo contrário: era bondosa e companheira.
Tanto, que, depois da aula, a professora me convidava para tomar chá com elas. Nossa escola. A escola do meu mundinho, era muito distante da cidade, obrigando, assim, que a professora morasse nela. Então, como tinha que se ausentar de sua casa na cidade por cinco dias na semana, ela trouxe sua filha para lhe fazer companhia, assim, poderia estudar também.
E nós nos tornamos boas amigas. Marta era seu nome.
Logo nos primeiros momentos, quando meus sonhos gritavam, minha professora tomava a minha mão entre a a dela, e me ajudava a fazer os primeiros rabiscos.
Tão logo comecei a escrever sozinha. tão logo meus talentos se afloraram.
Conheci o outro lado da moeda. De um pequeno mundo composto de sete pessoas á uma classe cheia de gente. E quando tinha que voltar para casa, alguns moleques me bolinavam, obrigando-me a conhecer malandragem.
Perto da escola havia um barranco como trincheiras de guerra, entravam lá para jogar pedras no teto da escola, e me obrigavam a entrar com eles. E com medo de sofrer violência pela desobediência, eu tinha que fazer o mesmo que eles faziam.
Eu acabei contando para a professora, e ela, tão bondosa, me segurava na classe até que todos iam embora. Assim, me livrei de muitas dores.
Tantos anos se passaram, e me levaram com ele, como o vento e sua andorinha plainando no conforto
um do outro.
Eu e o tempo, sonhos roubados, foi tudo em vão.
Tão logo me encontrei com as letras, tão logo as conheci, tão logo as abandonei. Meu mundo de palavras ainda me foram poucos. Assim como aconteceu com meu pai e minha mãe, eu tive que parar com os estudos, tinha urgência em aprender outras coisas. Estudar não enche barriga.
Fui para a roça, talvez, com menos alegria, mas, com muita coragem.
Peguei no cabo da enxada, tão pesada e tão malandra, não fazia nenhuma força, só deixava se levar pela minha.
Tudo passou. Depois de tudo, Fui indo, fui voltando. As experiências foram tantas, Voltei a estudar, e conclui o segundo grau, aprendi um pouco mais. E agora, estou aqui, como quem faz alguma coisa que gosta. Tão pouco, mas tão muito para mim. Assim, como minha casinha pequeninha que guardavam meus sonhos grandes, Meus sonhos ainda encontram algum espaço para crescer.
Herta Fischer (hertinha)
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Dona de mim (capítulo 1)
Cheguei e me recolhi em um canto choroso, tudo as escuras,
o sol apenas me sondava furtivamente entre as paisagens
distantes do meu desconforto.
Em ruínas estava o meu mundo, desabado e inacabado acima
das minhas lágrimas de cristal.
Achava que podia mudá-lo, achava mesmo. Poderia colocá-lo
no paraíso dos meus sonhos, mas ele estava tão distante, tanto
quanto meu sonho descabido.
Subi para o meu quarto, também estava escuro, escondido entre quatro paredes
e uma porta de esperança, que também se encontrava fechada. Dei meia volta,
não queria tirar seu sossego, e fui para a sala sombria.
Liguei um radiosinho de pilha que no canto fazia silencio, sintonizei
virando o botão vagarosamente,
logo uma melodia encheu de encanto o ar, e tudo ficou mais viçoso.
Tinha nas mãos uma tela, a espreita estavam os pincéis e as tintas, que
se logravam cada um de seu intento.
Pequei-os, meio tímida e confusa. De que me adiantava ter todos
loucos para trabalharem, quando que minha vontade e habilidade
não estavam lá.
Ha muito perdi minha vontade, eu as tinha, mas se perderam
na fumaça do descaso que nunca me incentivava.
Era eu e minha luz, era eu e minha certeza, que se amavam até
se perderem em tristezas,
Tudo aconteceu tão de repente, quando ainda havia sol nos meus dias,
e a alegria não fazia de conta: existia, assim como dia e noite.
Era sol e dia claro, sorriso de mãe e de pai constantes me empurraram
para a vida. quando, tão cedo, se apagou embaixo de uma lápide qualquer.
Tentei seguir, tentei não olhar para trás, fiz meu olhar olhar para a frente,
só para a frente, onde meu futuro se fazia.
Mas esse futuro não tinha lugar, era errante assim como eu. Não conhecia
caminho, não se lhe abriam estradas, apenas o desconforto de ter que seguir.
Minha sina se pôs de frente, como um tenebroso inverno, que na secura
se faz, e sobre o gelo vive. A dor da perda me levou a lugares selvagens, quando
tudo que se ouvia eram uivos, e a escuridão melindrosa me roubava toda luz.
Andei em lugares sombrios, tateando como cego a procurar por nada, E os
lobos continuavam a espreita, guerreando contra a inocência.
Quero seguir, preciso. Mas não tenho mais pés que se alegram em me levar, não
tenho mais coragem que me acompanhe, não tenho mais nada, a não ser
os dias que ainda insistem em nascer.
Dizem que filosofar é viver, mas para mim, filosofar é para quem já cansou de viver,
de esperar por dias melhores, quando tudo que se enxerga são densas nuvens se abrigar
no peito, enchendo o coração da visão de que não tem mais jeito.
A primavera nos alegra com flores, para depois, nos lançar na penúria do inverno, fazendo
os sonhos transformar-se em pó.
Eu já fiz muito, já fiz de tudo, já tive e perdi. mas também já cansei de me doar na
escuridão, quando ninguém me vê.
Não que eu queira ser vista por aquilo que faço, ou falo, mas que seja reconhecida por aquilo que sou.
Por ser alguém que galga o bem.
A vontade que eu tinha em estar já se perdeu pelos anos, se foi como a areia que o mar leva, sem nunca mais voltar a terra.
A alegria me visitou na juventude como quem visita um irmão, era tão macia e ativa como a lã de um carneiro, tão amorosa e atenciosa como uma mãe é com seu bebe. Com o passar dos anos, foi indo-se, afastando-se até não encontrar mais o seu lugar.
Ela se foi, dando lugar a rebeldia, a solidão, ao descaso, e amargou a fonte que antes jorrava abundante,
Desci das minhas certezas, subi pelas ruas tristes, encontrei-me no vazio.
Agora, enquanto ainda tenho folego, eu quero seguir, eu preciso sair de mim, para poder novamente encontrar um pouco do que já fui.
Quem sabe, ainda exista uma rua de sonhos, por onde passe gente como eu, que ainda se importe com o outro, que possa trazer-me de volta a confiança perdida.
Já se fez noite em meu caminho, e novamente a luz se foi, como quem tem medo, como
quem precisa se ausentar assim como se ausentou meus melhores anos.
Talvez o próximo bonde de nome dia, nem me encontre mais, talvez eu já tenha criado asas e subido para outro lugar que me aceite
como este mundo nunca me aceitou, simplesmente, por eu ser assim, tão dona de mim.
Herta Fischer (hertinha)
o sol apenas me sondava furtivamente entre as paisagens
distantes do meu desconforto.
Em ruínas estava o meu mundo, desabado e inacabado acima
das minhas lágrimas de cristal.
Achava que podia mudá-lo, achava mesmo. Poderia colocá-lo
no paraíso dos meus sonhos, mas ele estava tão distante, tanto
quanto meu sonho descabido.
Subi para o meu quarto, também estava escuro, escondido entre quatro paredes
e uma porta de esperança, que também se encontrava fechada. Dei meia volta,
não queria tirar seu sossego, e fui para a sala sombria.
Liguei um radiosinho de pilha que no canto fazia silencio, sintonizei
virando o botão vagarosamente,
logo uma melodia encheu de encanto o ar, e tudo ficou mais viçoso.
Tinha nas mãos uma tela, a espreita estavam os pincéis e as tintas, que
se logravam cada um de seu intento.
Pequei-os, meio tímida e confusa. De que me adiantava ter todos
loucos para trabalharem, quando que minha vontade e habilidade
não estavam lá.
Ha muito perdi minha vontade, eu as tinha, mas se perderam
na fumaça do descaso que nunca me incentivava.
Era eu e minha luz, era eu e minha certeza, que se amavam até
se perderem em tristezas,
Tudo aconteceu tão de repente, quando ainda havia sol nos meus dias,
e a alegria não fazia de conta: existia, assim como dia e noite.
Era sol e dia claro, sorriso de mãe e de pai constantes me empurraram
para a vida. quando, tão cedo, se apagou embaixo de uma lápide qualquer.
Tentei seguir, tentei não olhar para trás, fiz meu olhar olhar para a frente,
só para a frente, onde meu futuro se fazia.
Mas esse futuro não tinha lugar, era errante assim como eu. Não conhecia
caminho, não se lhe abriam estradas, apenas o desconforto de ter que seguir.
Minha sina se pôs de frente, como um tenebroso inverno, que na secura
se faz, e sobre o gelo vive. A dor da perda me levou a lugares selvagens, quando
tudo que se ouvia eram uivos, e a escuridão melindrosa me roubava toda luz.
Andei em lugares sombrios, tateando como cego a procurar por nada, E os
lobos continuavam a espreita, guerreando contra a inocência.
Quero seguir, preciso. Mas não tenho mais pés que se alegram em me levar, não
tenho mais coragem que me acompanhe, não tenho mais nada, a não ser
os dias que ainda insistem em nascer.
Dizem que filosofar é viver, mas para mim, filosofar é para quem já cansou de viver,
de esperar por dias melhores, quando tudo que se enxerga são densas nuvens se abrigar
no peito, enchendo o coração da visão de que não tem mais jeito.
A primavera nos alegra com flores, para depois, nos lançar na penúria do inverno, fazendo
os sonhos transformar-se em pó.
Eu já fiz muito, já fiz de tudo, já tive e perdi. mas também já cansei de me doar na
escuridão, quando ninguém me vê.
Não que eu queira ser vista por aquilo que faço, ou falo, mas que seja reconhecida por aquilo que sou.
Por ser alguém que galga o bem.
A vontade que eu tinha em estar já se perdeu pelos anos, se foi como a areia que o mar leva, sem nunca mais voltar a terra.
A alegria me visitou na juventude como quem visita um irmão, era tão macia e ativa como a lã de um carneiro, tão amorosa e atenciosa como uma mãe é com seu bebe. Com o passar dos anos, foi indo-se, afastando-se até não encontrar mais o seu lugar.
Ela se foi, dando lugar a rebeldia, a solidão, ao descaso, e amargou a fonte que antes jorrava abundante,
Desci das minhas certezas, subi pelas ruas tristes, encontrei-me no vazio.
Agora, enquanto ainda tenho folego, eu quero seguir, eu preciso sair de mim, para poder novamente encontrar um pouco do que já fui.
Quem sabe, ainda exista uma rua de sonhos, por onde passe gente como eu, que ainda se importe com o outro, que possa trazer-me de volta a confiança perdida.
Já se fez noite em meu caminho, e novamente a luz se foi, como quem tem medo, como
quem precisa se ausentar assim como se ausentou meus melhores anos.
Talvez o próximo bonde de nome dia, nem me encontre mais, talvez eu já tenha criado asas e subido para outro lugar que me aceite
como este mundo nunca me aceitou, simplesmente, por eu ser assim, tão dona de mim.
Herta Fischer (hertinha)
Tudo a seu dispor
O dia chegou,
assim, como quem não quer nada,
e me abraçou.
Me vesti com um belo sorriso
e lhe dei.
Tanto era o amor
que nos unia.
Levantei-me, e de um salto,
me vi na vitrine da vida,
satisfeita em mim mesma.
Cabelos dançantes
enfeitavam minha alegria, enquanto
uma musica suave acariciava
meus ouvidos ávidos por som.
Só então, abri a janela,
e lá estavam todos, a rodopiar
em torno de si mesmos.
Quiz aproximar-me, mas estavam
tão preocupados com afazeres
estranhos, que de mim, não se deram
conta, Nem da minha alegria.
Fechei a janela com tristeza,
voltando para o silencio das coisas
que me rodeavam, estava tudo
arrumadinho, cada coisa em seu lugar,
Meu coração estranhou aquele silencio
que se fazia la dentro, e minha alma
se agigantou de tal forma que
quase nem cabia mais em mim.
E perguntei ao dia:
E perguntei ao dia:
-Que me trazes,
se me acordas para viver só?
E silenciosamente, ele se encolheu um pouco,
como que envergonhado por acordar-me
e só me oferecer ausência..
E respondeu-me: - Abra mais uma vez a janela!
E eu abri. Lá estavam sobre o mundo, todas os
sorrisos, todos os amores, enquanto o som
sublime de cantos enchiam o ar.
Então me disse com ar zombeteiro:
- Só fica só quem quer.
Tudo a seu dispor: flores, pássaros,
nuvem, céu, sol, e ainda quer mais amor?
Não é só os que falam que podem te trazer
bem, assim como não é só o que
se come que sacia a fome.
Eu estou aqui todo alvorecer te cobrindo
com o manto da vida, te dou tudo o
que precisa, todas as ferramentas
para se realizar, porém, o que me cobra é,
justamente o que ainda não posso te dar. Ou
aquilo que ainda não consegue ser.
Adianta-te, clama pela fé, cobre-te com
esperança, enquanto o dia ainda o é,
pois ante a escuridão da noite, nada mais
se poderá fazer, a não ser, me esperar.
Herta Fischer (hertinha)
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