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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Pensamento

Não adianta repudiar a pedra quando nós mesmos a atiramos.

A vida


A vida é como a terra e o mar.
cheios de surpresas.
As vezes, ondas raivosas e fortes, noutras
quebradiças e lentas.
Minha alma, as vezes, descansa em mim,
noutras, me desobedece e se cansa.
Sou como a maré, que sobe e desce,
quando sobe, encobre as encostas se enchendo
de si, mas, ao descer, se vê desnuda e transparente.
Também se parece com a terra: As vezes, anda sedenta
a busca de frescor, noutras, encharcadas e sem vigor.
Como o vento que sopra a areia, fazendo-a rodopiar
em suas asas, e acomodar-se em algum ponto, assim,
também sou eu, ser dançante na terra, que de lá para cá,
se faz errante em seu caminho.
Quem dera, pudesse uivar como folhas de agosto, sobre
uma brisa suave que vem do mar, e que longe chega,
sem se cansar.
Ou então, ainda receber alento, como as gotas de chuva,
refletindo a luz do sol, chegasse ao olho do observador.
Sou um pouco de tudo: uma mescla do passado na terra,
e uma sombra do que ainda virá. Não chego nem perto
dos sonhos, embora seja um pouco dele.
Que é certeza, em mim?
Chego sem bagagem, nem pago passagem, e passo
como um risco no céu.
A única diferença entre eu e a terra, é que ela fica, e eu vou.....
(Hertinha)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Coisas da vida

Amo um prato cheio a minha frente,
porém, preciso entender o limite.
Tudo que é demais engorda,
o que esta cheio transborda,
e o contrario de alegre é triste!

Amo ter muitos amigos,
porem, o que é demais
não significa fartura,
o desperdício pode,
fatalmente virar penúria.

Amo a fala, amo palavras escritas,
 mas tudo
tem de ser bem dosado,
para não ser acusado
de falar ou escrever o
que pode ser considerado
errado.
.

Nunca fui poeta,
só sobrevivente,
no palco invisível
de uma vida de
crente,
que se mostra impaciente
com os incultos e
indulgentes.

Antes de caçar, também
me torno presa,
No escuro mantenho sempre
uma vela acesa,
para não cair
em um poço de incerteza.

(Hertinha)




Sem vergonha de praticar

Sou meio analfabeta neste meio tecnológico, por
isso, tenho tão pouco recurso.
Só mesmo esta imensa vontade de
voar por ai, semeando alguma
esperança. Ainda bem que, palavras
voam, não precisam do corpo,
basta se ter alma leve.
Talvez, para alguns, isto não signifique
muito, mas, para mim, significa
vida.
Sou como certos pássaros, que, não se
conformam só com o seu meio, Procuram
fortalecer suas asas para alcançar longas distâncias.
Para isso, confiam nos ventos. Eu confio nas palavras.
Fico imensamente grata ao meus pais, que me deram a riqueza,
de poder fazer parte daqueles que aprenderam a escrever. Pode,
no entanto, não ser muito, Porém se aprendermos a usar
tais ferramentas, e não termos vergonha, nem constrangimento
de praticar, logo, estaremos voando sem limitações.
Eu engatinhava, agora já dou meus pequenos passos,
chegará a hora em que estarei apta para dar maiores passos.
Não quero dizer com isso, que espero grandes retornos, só
mesmo a realização de se saber notória.
Obrigado a todos, aqueles que, de certa forma, me inspiram,
Ter um número bom de leitores já é um bom passo.
(hertinha)


O homem e sua essência

Você acredita mesmo que o homem envelhece?
Eu não!
O que envelhece é o vaso onde o homem foi plantado.
O homem nasce, cresce e amadurece, para depois ser colhido
no melhor do seu estágio...Alguns vão para o cesto de Deus, outros,
apodrecem na terra do mundo....
(Hertinha)



Palavras são só complemento do que
já esta escrito no coração. Já nascemos com
um livro pronto. Alguns conseguem lê-lo com facilidade,
outros, demoram a vida toda para entender a sua linguagem..

(Hertinha)


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Pensamento

A gente não tem que batalhar por mudança.. quem muda são as estações e

o tempo.. a gente precisa lutar pelo que somos... seres humanos..feitos para

confraternizar, não para guerrear como felinos em busca de prazeres da carne...
.
(Hertinha)

Da terra venho

Abri meus olhos, e compreendi que tudo
estava exatamente onde deveria estar.
Meu pai e minha mãe, companheiros inseparáveis, irmãos
e irmãs brotando da terra, como sementes santas,
descansavam sobre a sombra de um céu azul.
Um a um, se apresentavam, e como se já
me conhecessem, sorriam para mim.
Minha casinha de pau-a-pic, o primeiro
descanso da minha alma, me recebeu de braços abertos,
Conheci então, a fidelidade de braços constates a
me ninar.
Já havia escurecido, um carinho em forma de mãos,
me cobriram, e um tilintar doce sobre o telhado me
fez adormecer. conheci então, a chuva.
Deus me visitava em toda manhã, quando seios
fartos me preparavam a força.
Nessa constância dos dias, enquanto  crescia
na mágica canção do amor, ensaiava sorrisos.
Meus pés foram se firmando, os músculos
se fortalecendo para me colocar em pé.
Que belo e singular era o luar, quando em danças
e musicas perfeitas se instalavam sobre meu
olhar, quando a noite caia, e meu pai nos levava
a sentar no jardim.
Ouvia murmúrios nos cafezais, pássaros se acomodado,
prontos para descansar, nada me soava mais supremo.
Não tínhamos muita coisa, apenas o necessário, porém,
o mundo estava a meus pés.
Não sei bem o por quê, mas já tinha ânsia de vida, nada
me escapava aos olhos e aos ouvidos, estava
apta para aprender.
Grandes pés de laranjeiras nos ofereciam seus frutos, e no tempo
certo, as jabuticabeiras também floresciam, e nos
encantavam com seus pontinhos pretos.
Quando usei meus pés pela primeira vez, já sabia,
que meus caminhos se abriam para além do portão.
Então, conheci as estradinhas de terra, que sobre meus pés tremiam,
e se levantavam até cobrir-me com sua doce poeira,
Recebia da terra o alimento, a alegria do dar e receber. da semente
plantada, a riqueza do cuidado, o prêmio no final.
Sou caipira, não nego, quanta honra de ser quem eu sou,
hoje vivo na cidade, como recém chegado, que não
vê a hora de voltar.
Foi na terra que nasci, foi na terra que cresci, e é
de terra que, outra vez, vou me transformar
(Hertinha)