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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Evidenciação

Mês de dezembro infrutífero
e repleto de fé.
Madurou-se a sombra de janeiro,
e a mariposa teimosa de novembro
já subia para a nuvem de luz
Soou bem cedo a madrugada
quando ainda era tarde, e sobejava a
impunidade do dia seguinte.
Olhou de soslaio para o lado
e lado não havia, somente
o desejo de sair ainda atormentava.
-A que veio? perguntou a moça
que até ontem não me conhecia:
Vendo que nada dizia, só o olhar impugnado
de vertigem a olhar sem sentir, desistiu de
questionar.
-Não é preciso dizer que não vim de onde quis, broto
apenas em questão de hora e vago no limite
da consciência. Prefiro o silêncio de quem não diz nada.
do que falar do que ainda aprendo.
Sou o irrisório do nada que se desprende de
um casulo que não morreu, mas, morto, seria
bem mais afetuoso.
O sol quando não se levanta, não significa que não existe, até a chuva que não cai, se esconde em algum lugar.
Pergunta-me: -Á que venho?
Sei tão pouco sobre o que quero, que até tenho medo de me lembrar.
Se eu soubesse o caminho de volta, tenho como certo que não estaria aqui. Se me pergunta: - o que desejo?
Se não for o que todos querem, então nunca serei gente como tu.
Herta Fischer

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Tempo bom


Havia luz nas lamparinas
a flamular nas esquinas,
havia luar em dias quentes ,
mais até do que gente.
Havia gosto por dormir,
e cedo para acordar e sentir.
Havia pai, havia mãe, irmãos para brincar,
havia laços de afetos nas ramadas,
chão demais nos quintais.
Risos alegria, até banho
de água fria.
Havia pranto em dia de mortos, mas era só por
um dia, fileira e vela acesa até que o
dia se despedia.
Havia carne comendo fumaça, defumando
no arraial, gostoso frescor de cheiro muito
sentimental.
Havia mesa farta, frutos doces no quintal,
lual sertanejo e muita cantiga legal.
Havia apreço por visita, café quentinho na xícara,
causo contado e falado, rasgo no
vestidinho de chita.
Havia os sons noturnos, coruja la na cunheira,
galo a cantar de madrugada, eita vida hospitaleira...
Hertinha Fischer









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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Estou no diminutivo

Eu acho legal quando as pessoas se descrevem. Eu
não consigo sequer imaginar me descrevendo.
Estou sumindo aos poucos como nuvem sem água.
Minha banda só toca a musica que não compus, Não ha nada
em mim que não haja em outra pessoa.
Só mesmo a vontade de perfeição mora aqui do lado,
do lado em que não posso alcançar.
A unica coisa que cresce sem parar são as minhas unhas, de resto é só querer.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A felicidade de construir

Depois de algum tempo em jejum, volto a velha mania de
escrever.
Gosto de me envolver com as lembranças do passado, parece, que,
quanto mais me lembro mais me desperto para o agora.
Havia um tempo, ainda há. nem sei por quanto ainda haverá.
Enquanto existir-me-ei, experimentarei a razão de poder
viajar no tempo da memoria.
E a memoria sempre volta ao tempo mais precioso, quando me deu
a passagem mais valiosa, abrindo-me todas as portas possíveis.
Um trem que nunca para passou pelos trilhos perto de casa, embarquei
mesmo sem saber ao certo onde iria. Alguém me estendeu as mãos, e
me fez vibrar alçando-me para dentro da vida,
Por um bom período de tempo, inacabada,dormi.
Quando as células amadurecidas me fez completa, já podendo
identificar os elementos e as pessoas, veio uma sede de saber.
E a primeira coisa que admirei foi saber que podia aprender a
ler e a escrever.
Já com todos os sentidos despertos, faltava-me o principal.
Porque a leitura e a escrita podia me fazer mais sábia, que apenas
absorver da sensualidade das coisas.
Minhas pequenas mãos ainda estavam meio envergonhadas e tímidas,
mas o cérebro se abria como um ermitão em busca de si mesmo.
Dependi de outras pessoas para alçar esse novo voo, precisava de
incentivo, de alguém a dirigir meus dedos, até poder desenhar pela
primeira vez, o alfabeto inteiro.
No começo parecia difícil, o caminho era estreito, quase que não me cabia.
mas, aos poucos, sem perceber, fui entrando nesse mundo gramático.
Não era escolha minha, propriamente dito, algo muito maior
se desenrolava em mim.
Meus pais analfabetos, meus irmãos com pouca vontade, a escola
muito longe, tudo parecia contra.
Porém, nada pode afetar aqueles que querem com tanta vontade.
E eu quis, a ponto de fazer até meu pai compreender.
Tinha um pouco menos que um metro de altura, aos seis anos de idade,´e lá
fui eu, a conhecer o mundo da escrita.
Quantos versinhos desconexos eu verbalizei, quantos arranjos de poesia
eu escrevi para eu mesma.
Se avancei muito, não sei!
Se cheguei ao patamar desejado, também não sei!
Só sei que quando quero, simplesmente pego o computador e despejo tudo
o que penso.
Herta Fischer








segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sem controle

Ando miudinha feito
formiga nascendo.
Achei que o certo seria como
pensava, acabei descobrindo que, muitas
vezes, só controlo.
Quero controlar os outros, o tempo
e até a vontade de Deus.
Quero controlar as atitudes alheias,
as formas de viver, os costumes,
as falhas.
Acabo de descobrir que em um
certo momento, deixo tudo para trás.
E o mundo seguirá sem mim, e o
controle deixará de existir, e eu vou,
não sei se vou, ou não vou, nem isso está sob
meu controle.
Tento desesperadamente construir em minhas
ideias, uma esperança inútil. de que posso, em algum
momento voltar em outro corpo, como alguém
que não sou eu.
Sem memoria, apenas para ser o que chamamos de
recompensa.
Recompensa pelo quê?
Se não mais me lembrarei de quem fui, nem do que fiz?
Pagar por alguma coisa e fazer outras dividas que
também terei que pagar, até quando?
Como instruir se nem sei bem o que é instrução?
Como formar uma opinião a respeito da vida
se a minha historia é só minha?
Eu escolho por mim, não pelo outros: O que como ou
bebo depende do meu paladar, e o meu paladar
pode diferenciar de outros paladares.
Então o que me serve não serve a ninguém.
Sou uma energia tocável, visível, mas em algum momento, serei apenas algo que desconheço.
Para onde irei, só Deus sabe.
No que me transformarei, só Deus sabe.
Não acredito que tudo a nosso respeito já vem programado,
acho que tudo depende do acaso.
Herta Fischer