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Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Estou no diminutivo

Eu acho legal quando as pessoas se descrevem. Eu
não consigo sequer imaginar me descrevendo.
Estou sumindo aos poucos como nuvem sem água.
Minha banda só toca a musica que não compus, Não ha nada
em mim que não haja em outra pessoa.
Só mesmo a vontade de perfeição mora aqui do lado,
do lado em que não posso alcançar.
A unica coisa que cresce sem parar são as minhas unhas, de resto é só querer.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A felicidade de construir

Depois de algum tempo em jejum, volto a velha mania de
escrever.
Gosto de me envolver com as lembranças do passado, parece, que,
quanto mais me lembro mais me desperto para o agora.
Havia um tempo, ainda há. nem sei por quanto ainda haverá.
Enquanto existir-me-ei, experimentarei a razão de poder
viajar no tempo da memoria.
E a memoria sempre volta ao tempo mais precioso, quando me deu
a passagem mais valiosa, abrindo-me todas as portas possíveis.
Um trem que nunca para passou pelos trilhos perto de casa, embarquei
mesmo sem saber ao certo onde iria. Alguém me estendeu as mãos, e
me fez vibrar alçando-me para dentro da vida,
Por um bom período de tempo, inacabada,dormi.
Quando as células amadurecidas me fez completa, já podendo
identificar os elementos e as pessoas, veio uma sede de saber.
E a primeira coisa que admirei foi saber que podia aprender a
ler e a escrever.
Já com todos os sentidos despertos, faltava-me o principal.
Porque a leitura e a escrita podia me fazer mais sábia, que apenas
absorver da sensualidade das coisas.
Minhas pequenas mãos ainda estavam meio envergonhadas e tímidas,
mas o cérebro se abria como um ermitão em busca de si mesmo.
Dependi de outras pessoas para alçar esse novo voo, precisava de
incentivo, de alguém a dirigir meus dedos, até poder desenhar pela
primeira vez, o alfabeto inteiro.
No começo parecia difícil, o caminho era estreito, quase que não me cabia.
mas, aos poucos, sem perceber, fui entrando nesse mundo gramático.
Não era escolha minha, propriamente dito, algo muito maior
se desenrolava em mim.
Meus pais analfabetos, meus irmãos com pouca vontade, a escola
muito longe, tudo parecia contra.
Porém, nada pode afetar aqueles que querem com tanta vontade.
E eu quis, a ponto de fazer até meu pai compreender.
Tinha um pouco menos que um metro de altura, aos seis anos de idade,´e lá
fui eu, a conhecer o mundo da escrita.
Quantos versinhos desconexos eu verbalizei, quantos arranjos de poesia
eu escrevi para eu mesma.
Se avancei muito, não sei!
Se cheguei ao patamar desejado, também não sei!
Só sei que quando quero, simplesmente pego o computador e despejo tudo
o que penso.
Herta Fischer








segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sem controle

Ando miudinha feito
formiga nascendo.
Achei que o certo seria como
pensava, acabei descobrindo que, muitas
vezes, só controlo.
Quero controlar os outros, o tempo
e até a vontade de Deus.
Quero controlar as atitudes alheias,
as formas de viver, os costumes,
as falhas.
Acabo de descobrir que em um
certo momento, deixo tudo para trás.
E o mundo seguirá sem mim, e o
controle deixará de existir, e eu vou,
não sei se vou, ou não vou, nem isso está sob
meu controle.
Tento desesperadamente construir em minhas
ideias, uma esperança inútil. de que posso, em algum
momento voltar em outro corpo, como alguém
que não sou eu.
Sem memoria, apenas para ser o que chamamos de
recompensa.
Recompensa pelo quê?
Se não mais me lembrarei de quem fui, nem do que fiz?
Pagar por alguma coisa e fazer outras dividas que
também terei que pagar, até quando?
Como instruir se nem sei bem o que é instrução?
Como formar uma opinião a respeito da vida
se a minha historia é só minha?
Eu escolho por mim, não pelo outros: O que como ou
bebo depende do meu paladar, e o meu paladar
pode diferenciar de outros paladares.
Então o que me serve não serve a ninguém.
Sou uma energia tocável, visível, mas em algum momento, serei apenas algo que desconheço.
Para onde irei, só Deus sabe.
No que me transformarei, só Deus sabe.
Não acredito que tudo a nosso respeito já vem programado,
acho que tudo depende do acaso.
Herta Fischer

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Espinhos na alma

Da para tirar esses espinhos
que nos levam a ilusões?
O perfeito dia, a perfeição em nós,
ainda é algo que se encontra
na impossibilidade.
Enquanto precisarmos do que comer,
do que se cobrir, dos outros, haverá fraqueza
em nós.
A carne é corrupta, mesmo que,
espiritualmente, desejarmos não
ser, mesmo assim, ainda seremos.
Fomos semeados na corrupção, Em Eva herdamos
o pecado da cobiça. (desejo ardente de possuir ou conseguir alguma coisa.)
A necessidade individual nos leva a querer: Porque ainda, em nós, mora o querer.
Não sou eu, não é você. Mas, o desejo de possuir que
persiste em nós.
Esse poder de possuir, de conquistar, de sobressair: seja materialmente ou espiritualmente convive com a humanidade desde o dia de sua queda.
Eva deixou-se levar pela cobiça: O ser igual a Deus! Isto é: A possibilidade de conhecimento do bem e do mal.
O animal não conhece o mal, tudo que ele faz, ele faz sem essa consciência. Ele não se envergonha de sua nudez, nem faz conta da nudez do outro. Não se importa se come a comida do outro, ou se não o deixam comer.
Irracionalmente ha disputa por isso ou aquilo, sem estar consciente do mal. Porque o mal está em fazer aquilo que alguém acha que é errado.
A lei nos limita, sem lei não haveria pecado.
Tudo que é licito, isto é: certo para todos, certo é!
O que podemos fazer em certo lugar, não podemos fazer em outro, porque não vivemos todos debaixo das mesmas leis.
As leis dos homens não são as leis de Deus.
Deus deu as suas leis para um povo especifico, não servia para toda a humanidade, exceto para quem vivia
sobre Sua jurisdição. A saber: Os Israelitas de sangue!
Mas, havia leis em outras paragens, Assim como
outras tantas crenças, outros modos de agir.
Porque não pode haver sociedade
sem leis próprias.
O que serve para um país, pode não servir para outro.
Assim, desde que o "mundo" é "mundo", isto é: Num mundo caído, as pessoas adoecem, morrem, causam danos a outrem, nunca estarão satisfeitas, porque são movidas
por um desejo que nunca cessa.
Esse desejo anunciado como pecado está no mundo das coisas, porque como coisas, somos. Como coisas agimos.
Estamos sempre de olhos nas coisas: nos objetos de consumo, no satisfazer desejos libidinosos, que diz respeito a satisfação do corpo. tudo para mostrar aos outros o quanto somos poderosos. Como se de fato, vivêssemos expostos numa vitrine.
A morte deveria ser vista como consequência do pecado, no sentido de libertação. No
entanto, ainda consideramos permanecer no mundo do pecado, acreditando que, voltaremos algum dia, revestidos do mesmo corpo de corrupção.
A promessa de transformação ocorre quando pudermos, por meio Daquele que venceu a morte: Como está escrito:
Serão transformados, num abrir e piscar de olhos. O corpo corruptível se revestirá de incorruptibilidade, e o corpo mortal se revestirá de imortalidade (1 Coríntios 15:51-53);
Voltaremos a origem, assim como Adão e Eva no paraíso: sem a consciência do mal, libertos da corrupção da carne, sem os desejos que nos fazem errar.
Herta Fischer.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Vaidades

Entrei na vida como a pedir licença.
Como Sodoma e Gomorra o vi. Na penumbra se faz o que
se diz para não fazer e o
fazem,
Como mascarado em plena avenida.
dançando sobre o tablado com
sons distintos, entre
letras abstratas. num
compasso de ouvir.
Sai de madrugada,
e madrugada não houve,
só o cheiro de terra molhada
ante um orvalho sem chuva.
E de meus pais soube de mim,
que em noite enluarada na dor
e lamento me trouxe.
Trouxe-me não sei
de onde, mas para onde ir eu
soube, quando perdi alguém.
Lá na estrada dos mortos,
entre uma ruína de pedra,
bem lá eu vi a minha morada.
Não quis saber de meus desertos, a não ser
as flores que insistem, em estarem abertas
em temporão.
Fui crescendo, e vendo que nem sempre
esta bençãos nos alcança,
Ontem alguém se foi ainda criança.

sábado, 27 de abril de 2019

Talvez nem é

O mundo. Que mundo?
Se o que 
conheço é só pedaço.
Um aqui, outro acolá.
sonhando.
E eu, continuando
a deslocar meu cérebro
até que doa,
para entender e supor
que amanhã é talvez...
Que o talvez pode nem ser
Que o que pensamos que seja,
e brigamos para ser,
não passa de talvez,
um talvez aconteça,
mas que também passa
abrindo caminho
para mais e mais
historias que acabam por
acabar no mesmo...

Hertinha Fischer

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A inocência do viver

Engraçado como a gente cresce por dentro, Será o
tempo o melhor professor?
Eu acredito que para alguns o tempo
deixa a desejar, tudo dependerá do que o indivíduo procura.
Acabei de ler um texto que dizia: O dinheiro é o melhor
dos amigos! - Acredita nisto?
Para alguns, sim! principalmente o dinheiro dos outros.
Mas, também tem aqueles, que assim como eu,
nem sabem direito o que fazer com o dinheiro, exceto
o que ele pode comprar para a sobrevivência!
Meu guarda roupa se veste melhor do que eu. Compro
ou ganho vestidos novos, e sem demagogia, nem sei ao certo
quando usar.
Meu estômago é pequeno, não cabe mais do que
o necessário.
E os bens que não necessito só me trazem mais trabalho.
Talvez eu seja única, um caso raro de desapego.
Não que eu viva sem o dinheiro, isto é impossível, mas, que,
não fico de olhos grandes em cima dele.
Talvez eu não tenha crescido o suficiente, e ainda
me encontre criança, me satisfaça com doces.
Com a doce magia de uma boa amizade, daquelas em que a gente
possa contar a nossa historia, sem medo do que fala, nem da forma
em que nos julguem.
Da doce estadia passada, entre os laranjais maduros e suculentos, na
companhia de meus pais, entre uma tarefa e outra,
É dessa doçura que gosto: das boas lembranças, da saudade que sinto
de tudo o que já não posso viver.
As vezes penso no céu: nas promessas de Deus, e não
consigo sequer imaginar, uma vida como á dos animais.
Sinto gosto pela inteligencia, pelos sentimentos: Tristeza, alegrias, encantos.
Sinto gosto pelo que nasce, e me interesso em saber o por que da morte.
Não consigo imaginar-me vivendo para sempre!
A não ser que tenhamos mais do que temos agora.
Assim o tempo me leva ao encontro do nada, talvez, do tudo, não se sabe!  mas,
a maneira que eu vivo entre os vivos, com a consciência de que terei um fim, não me incomoda,
mesmo porque, gosto de sentir tudo o que eu vejo e tento compreender como certo.
Né professor?
Por Hertinha Fischer