Em minhas breves viagens pela vida, a insistência tirava a magia de sentir. Caminhava rápido demais pelos caminhos das conclusões, até que me fechei em mim mesma, podando as descobertas mais importantes e me tornando formal demais. O medo de errar, de causar desconforto a alguém, de precisar de correção, me causava pânico. Cada passo precisava ser milimetricamente estudado, as palavras escolhidas e as ações alinhadas ao que eu julgava apropriado. Essa mania de perfeição sugava toda minha energia, a ponto de, muitas vezes, não querer mais estar. Nos momentos solitários, sentindo pena de mim, divagava de uma lembrança ruim a outra, ressaltando memórias que só me deixavam mais perdida. Havia uma divergência entre o que pensava e o que sentia. Sentia um bem enorme pairando no coração, mas, no íntimo, esse bem virava peso. Não deixava nada para depois, apenas para evitar cobranças futuras. E assim os anos passaram quase automaticamente, sem grandes vitórias ou derrotas, sem felicidade ou infelicidade. Como um redemoinho no ar, que começa e termina. Mas estou evoluindo! Quero mais do que simplesmente passar. Quero sentir as emoções da corrida, sem me preocupar com medalhas, apenas pelo prazer de estar no páreo e sentir o gosto de participar.
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Estrada da vida
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