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A cruel passagem

Hoje o dia escondeu sua luz, trazendo um toque de nostalgia ao meu olhar. Não me incomoda a ausência do azul do céu nem a coroa do sol encob...

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A cruel passagem

Hoje o dia escondeu sua luz, trazendo um toque de nostalgia ao meu olhar. Não me incomoda a ausência do azul do céu nem a coroa do sol encoberta; estou aqui, e isso me basta. O que me incomoda é essa saudade de um tempo que já não existe, que se foi e não volta mais, embora seja sempre o mesmo, girando como um bambolê na cintura. Deveríamos nascer, crescer e morrer juntos — utopia! Tudo se resume a um pouco, e um pouco de tudo se resume a nada. Sinto falta da minha mãe, do meu pai, das conversas silenciosas no olhar, dos vagalumes nas noites de verão, do fogo aceso no centro da cozinha, quando aquecíamos os pés nos dias frios, das manhãs que se derramavam em águas, deixando o dia tão aguado quanto meus olhos nesta manhã. Pergunto-me: onde o tempo escondeu esse tempo? Continuo perdendo: um dia meu irmão se foi, noutro, minha irmã mais velha. Assim como hoje, a mesma mudança, o mesmo desconforto, a mesma saudade — e nada a dizer. 

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