Talvez o digno fosse um viajante,
cujas mãos alcançavam o céu.
Segurava uma foice,
repleta de força em cada corte.
O fogo sempre pronto para um espaço,
quase sempre em acero,
nunca tomava o que era seu por direito.
Mesmo entre as torres de Babel,
a simplicidade era sua essência.
Não perturbava o natural,
certo de que a presa livre estaria
em seu quintal.
Assim vivia, ouvia e transmitia,
nada do elevado o preenchia.
Fazia o que sabia fazer.
O mundo ao seu redor o atraía,
aprendia com as lições que se desenhavam,
mas nada o incomodava.
Seguiu pelos anos como um caminho
que já nasceu traçado,
absorvendo as marcas
que formaram as ruas.
Vinha de outros cantos, e o lugar
já lhe pertencia,
assim como ele pertencia
a todos os lugares que via.
Fez-se na pequenez, cultivou a tristeza,
sobrou proeza e uniu-se
à amada Tereza.
E, a partir do nada,
construiu uma estrada de felicidade
para a posteridade.
Hertinha Fischer
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