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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sábado, 27 de agosto de 2022

Antípoda: a onda do agravo

 É canto, é lágrima

Tanta gente e a gente sozinho.
É a carroça e o boi
sem saber onde foi.

É a fala sem língua e a língua esculpindo
É a magra lembrança
que engoda e espezinha
É o João lá longe e perto da vizinha.

É um céu feito de terra,
em órbita, esperança maluca
testa lambida e pelos na nuca.
É porco que nasce em árvore e a
árvore é que fuça.

É cães a dormir na cama
gente em sacos de papel.
É laço no pescoço, na perna um anel
Comendo depressa os favos
jogando fora o precioso mel
menos linha e muito carretel

É gente demais, caráter de menos
tantos lugares bonitos e tantos gemendo
Matos fincados na rua e mata querendo
Finos pratos de alguns, e fome de feno

É grandes prados vazios
Gados confinados,
poucas terras em cerco,
e cidades abarrotado

É um mundaréu de beleza,
por fora,
caiada e bem cuidada
por dentro ferro retorcidos
folhas secas e abobalhada

É o mundo e suas fétidas
conclusões
de deboche se confunde
O que é certo pouco importa
desde que de poder se abunde!
Hertinha Fischer




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