Pois é... de vez em quando continuo sonhando, ou melhor, sigo firme sobre meus pés, pois detesto subir apoiado nos pés dos outros. Meus sonhos ficam como sonhos, mas o resto eu faço acontecer. Diante dos fracassos, não me desanimo; há coisas que não mereço e, se não mereço, não vale insistir. Quando perdemos algo de valor, só damos importância por um tempo, depois cai no esquecimento. Dizem que nada é culpa do tempo, mas é ele quem nos afasta das coisas. Passamos com ele, e assim como nos envelhece, envelhece também as memórias. Nunca corri atrás do nada, pois o nada não tem corpo e, sem corpo, como alcançá-lo? Vivo o dia como ele se apresenta, seja em descanso ou luta, alegria ou dor. Se somos passageiros do tempo, devemos nos sujeitar ao que acontece nele. Nada acontece igual para todos ao mesmo tempo, mas pode acontecer igual para alguns em tempos diferentes. A vida é dona de si enquanto é oportuna, e tudo depende das circunstâncias que ela dá a quem está vivo e dela depende. Nada podemos fazer enquanto definhamos, pois desde o nascimento já nos preparamos para morrer. Só o homem não se fia nisso, pensa que pode impedir a morte, cria métodos para esticar a vida até que envelheça e se vá, sem ter conseguido um milagre para si. Por isso, fico na minha. Vivo enquanto posso, pois não sei até quando. Não vivo como se fosse morrer, mas sei que posso morrer. Então, pra que me preocupar demais com o fim, se, quando ele chegar, não terei consciência disso? Toda flor nasce para deixar semente, assim como os frutos, sabendo que perpetuam a espécie. Nascem e morrem, mas não deixam de existir, apenas se renovam a cada primavera.
(Hertinha)
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
terça-feira, 23 de junho de 2015
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