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Se existo, sou

Quando criança, raramente se tiravam fotos. Mas, quando acontecia, eu corria para pegar uma rosa ou qualquer outra flor para segurar na mão....

domingo, 30 de agosto de 2026

Se existo, sou

Quando criança, raramente se tiravam fotos. Mas, quando acontecia, eu corria para pegar uma rosa ou qualquer outra flor para segurar na mão. Sentia-me mais confiante, pois pensava que as pessoas se concentrariam na beleza da flor e não na minha figura triste. Sempre fui muito tímida, falava pouco, mas dentro de mim havia um mundo de comunicação. Conversava muito com minha imaginação. Havia dias em que me sentia a rainha das palavras; pouco entendia das coisas, mas elas me contavam seus segredos mais íntimos. O pilão encostado no canto falava de união, quando a força das mãos humanas se combinava com a dureza da madeira, e a dureza no rosto de meu pai se juntava à força da lâmina da enxada. Tudo se encaixava no propósito de existir. Existir é algo complexo, difícil de interpretar. O que significa existir? Para mim, é apenas reconhecer-se no próprio meio. Como a semente que germina e, sem perceber, se torna o que deve ser, entregando-se ao seu mundo, como se o mundo fosse parte dela. E é, dentro do seu entendimento único. Assim se forma o eu sou. Não existe beleza ou feiura, nem capacidade nem incapacidade, o que se forma é o complemento, aquilo que se acomoda para acrescentar.

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