Já vivi dias na correria, quando
queria vencer o relógio.
E me vi fazendo mais coisas,
menos bem feita,
E o tempo?
Ah, esse não mudava. Era sempre o
mesmo: doze horas por dia, Sendo que nove,
quase sempre desperdiçamos, comendo
com os olhos, a comida que os
outros comem com a boca.
Eu posso parar. O tempo continua,
Eu posso correr, o tempo, não.
Ele continua em seu traço, mesmo
que eu cruze os braços.
Dia e noite, noite e dia, tudo igual,
Mesmo que me sugue, mesmo
que me acabe, é só viver e pronto,
nunca irá me socorrer.
Tudo que vive, vive em seu tempo,
Todo o tempo é para os vivos.
depois que o tempo se acaba e
não haver mais tempo, o tempo,
mesmo assim, continua para
alguém.
Como um nascer constante em favor
da vida, e a vida contida no tempo
não é para sempre.
Por um tempo se lembra
e no decorrer do tempo também
se esquece.
Herta Fischer (Hertinha)
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Restos do resto
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
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