Total de visualizações de página

Restos do resto

Tento falar de outras coisas, mas elas sempre acabam sendo as mesmas. Os encontros viraram vazio, quem ainda se conhece? A cama guarda o car...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sou pó

É nevoado este meu descaso,

é louco esse meu

desinteresse.

Queria ser sereno e

não passo

de pó.


(hertinha)

domingo, 4 de outubro de 2015

Tempo escorrendo entre os dedos

Sinto medo

da morte, fato

inevitável

da vida,

por isso sinto urgência


em descobrir


o verdadeiro

sentido que há


em mim

.
Falo de amor

,
porque é este


sentimento que


pretendo deixar


refletido no vazio


que irá ficar


quando tiver que


partir

.
Hertinha

sábado, 3 de outubro de 2015

Preciosa é a vida

Pois todo dia trago
no coração uma vontade
de seguir,
E em meus dias frios,
sempre falo que não
quero mais.
Mas em minha frente,
se abre um caminho
que não posso
descartar.
Vou então, pisando miudinho
com medo de não conseguir.
Uma força maior
me encara, dizendo:
Vai em frente,
parar? jamais!
Como se minha vontade
de nada valesse, como
se corresse sem
querer, e os obstáculos
fossem todos
transponíveis, e
meus sonhos possíveis,
Encaro essa corrida
não como corredor, mas,
como quem quer alcançar
o maior amor.
E lá vou eu, rasgando
o espaço, como
cometa que se arrasta,,
não conhece o seu caminho, mas
confiante vai.
(Herta Fischer) Hertinha


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Enlevo


Sinta-me

apenas

não desperdice-me,

Sou como água de chuveiro,

levemente arranco suspiros,

mas, tão logo passo
.
Sou o suspiro imediato

do prazer que sente,

para tão logo

desaparecer,

na esquina de

teu cansaço.

(Hertinha)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Desconectar como?

É fácil falar em desconexão, em deixar para la, em
fique frio, isso não é da sua conta! Porém, quando chega a conta na sua casa e você precisa escolher qual pagar e qual deixar para depois, e no mês seguinte concluir que terá de pagar mais por conta dos juros, então verá o quanto não compensa desconectar.
isto só funciona para os Eremitas que escolhem viver o presente
sem nada, nem para comer...
Hertinha

Seu caminho, o meu caminho se estende por muitos
anos, ou por alguns anos, mas não muda sua trajetória como muitos pensam, nem é condizente com o nosso desejo de escolha.
O diabo quer contrapôr Deus, e assim como enganou muitos anjos no paraíso, usa de artifícios de engano para fazer com que também descaminhemos, fazendo-nos acreditar que, o que nos acontece de errado é culpa de Deus. Mas na verdade a culpa é nossa, quando deixamos de ser honestos para com os outros, agindo contra Deus. Só para adquirirmos status. mesmo sabendo que a nossa vida  é transitória.
Hertinha

Cansei de jogar mel para os caranguejos, agora, vou incendiar
a mata e acabar com as abelhas..
Hertinha

A luz nos eirados

Sinto que já não tenho mais esperança,
 embora. ainda haja
esperança em mim.
O que se construiu no mundo já não
fazem assim, tanta diferença.
Ha um poço fundo entre eu e a
camaradagem, pois o
que tenho para dar
não é o que querem.
Então, comecei a falar de dores.
de desespero, de catástrofes,
de morte, de tristeza, e todos
me olharam.
Um silencio profundo invadiu o
meu ser, por não poder mais levar
alegrias. Dizem que um cachorro
também se alegra com um prato de comida.
ou quando o seu dono chega. Fora isto, é só
desesperança.
Porque se alegrar com o que se come ou se bebe,
ou quanto muito, com a alegria da presença de
alguém. É muito pouco!
Eu quero é mais, eu não quero chegar e logo ter que sair,
eu quero é ficar mais um pouco, sobre a compensação
inefável de quem faz, de quem produz, não só
para si,mas também para o outro.
Quero ser gaivota que voa, não quero a sistemática
de quem percorre curtas distâncias, e se regala
em ir e vir.
Cansei dessa lei!
Comer e beber não me satisfaz. Pode satisfazer meu
organismo, mas minha alma continua esfomeada.
Esfomeada de amor, mesmo me sentindo amada por
alguns. Não é desse amor que falo. Falo do amor humano,
do amor fraterno, quando nos olhamos com ternura, quando
nos abraçamos com os olhos.
Não sei o que aconteceu nestes tempos, o que mudou?
Éramos tão amorosos uns com os outros, tinha entrada, tinha saída,
porém, tudo se fechou tão de repente.
Como se agora nos deleitássemos com coisas,
as coisas se tornaram tão mais importante,
que ternura ficou noutro plano.
Ter ou ser, não faz nenhuma diferença, fazer
parte dos planos de Deus é que vale.
O difícil é plantar consciência boa quando
a consciência se distancia do necessário.
Herta Fischer




Desanimados e rebeldes

O maior milagre foi quando nasci e ouvi
minha mãe dizer; É uma linda menina!
Sentada num banquinho de madeira talhada,
entre o fogãozinho a lenha e uma pequena
mesa dando-me de mamar.
Foi neste dia que me descobri, que ouvi
meu coraçãozinho acelerar de satisfação,
Finalmente eu era reconhecida por ser alguém.
É lógico que não me lembro, apenas me enlevo
em pensar que assim aconteceu.
Enquanto meu pai trabalhava na plantação
de cebolas, minha mãezinha cuidava dos
frutos do seu ventre, entre uma corrida para
fazer o seu dever de casa e a satisfação
de poder ser mãe em tempo integral.
Éramos bem pobrezinhos, não tínhamos
quase nada, apenas o necessário para sobreviver com
uma certa dignidade.
Um pequeno riacho ao fundo, do lado de um
 pé de jabuticabeira exibindo suas flores branquinhas,
ali mesmo, minha mãe lavava suas roupas,
enquanto brincávamos debaixo de sua sombra.
Que felicidade o existir, o ir descobrindo sonhos,
uma realização sem igual.
Felicidade era ouvir o cântico das cigarras quando
chegava o verão, ou ainda, o sorrir do vento quando
o verão dava espaço para o inverno fazer a sua estação.
Descobrir sons e cores eram a nossa diversão, pegar
galhos miudinhos, colocá-los a boca, sentir  a textura, o sabor,
depois cuspir ou engolir, enquanto minha mãe tão concentrada
ficava a  bater as roupas na tabua, de cabeça baixa,
ajoelhada sobre ela, com seus cabelos compridos
quase encostando na água.
Uma imagem surreal, uma imagem quase divinal, parecia
um anjo, dançando ao som da água que caia duma biquinha,
no vai e vem do esfrego da limpeza.
E nós, seres tão pequeninos, entregues a natureza, comovidos
com tanta dedicação.
Crescidos um pouquinho, já um tanto mais sabidos, embrenhávamos
na mata, tão majestosa e serena, tinha vida, tinha sonhos, era igual a nós.
Esperava pela chuva, assim como meu pai aguardava pela mesma, para
deitar a semente ao chão, e ela vinha em seu tempo, toda molhadinha,
mansinha, a fazer a sua parte, assim como todos nós.
Que saudade daquele tempo, sem luz elétrica, sem fogão a gaz, sem maquina
de lavar, sem trator, sem motor para irrigar, mas a força de vontade substituía
tudo isto.
Deus nos olhava, Deus nos dava o que precisávamos, as quatro estações definidas,
o sol cooperava vindo fraquinho, a chuva chegava no tempo certo, tudo tinha regras
bem definidas,. Éramos lavoura santa, e a colheita também era santa. dava e sobrava.
Meu pai sustentava cinco filhos pequenos, mais minha mãe e ele, e vinha tantas bençãos,
mas tantas bençãos, que só sabíamos agradecer.
Hoje nada tem graça, temos tudo e nos falta alegria, Temos água encanada e reclamamos,
temos máquina de lavar e nos falta coragem, que foi que aconteceu?
O tempo ficou maluco. Nós o enlouquecemos. Quando esta calor, clamamos por frio, quando
está frio, falamos mal dele, quando chove, reclamamos, quando não chove, oramos,
Enfim, por estarmos insatisfeitos com tudo, acabamos por se mal agradecidos, e o
tempo nos da as compensações.
Herta Fischer