Total de visualizações de página

Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Cardo extremus

 Sei e quando vi, já era tarde.

A paineira já desabava
Teu braço que me acolhia
de cansaço, se recolhia
Entretanto, entre tantos,
minha vista se cansava
A neve que caia de seus galhos,
no outono.
Assim como eu, já secava
As beiras floridas das estradinhas,
sulcos abertos de tanto passar,
transformou-se num ladrão de
memória, solidão a solidarizar.
Já na festa não ha muita musica.
nem cigarras á despertar
Horrenda limpeza de cores
telhados a desdenhar.
Ruído de vozes ao longe,
amarga e sem conteúdo,
voz de criança, mudez.
Sem sementes para despertar,
só na casca se torna graúdo
O cansaço me toma de todo
da raiz a ponta dos dedos.
Sem cheiro e sem paladar
ameaça com seus enredos
Nada significa, tudo se intensifica
Não simplifica, nem justifica
Inútil ir sem causa, enfim
que a causa morre ante mim.
È como passar sem perceber,
e perceber o amarrotar.
Hertinha Fischer.


Nenhum comentário:

Postar um comentário