E sobra-me o tempo
que antes faltava.
Em frente ao fogão, espero impaciente
pelo cozimento do feijão.
Onde tem pó, tem cabelo em pé.
O que antes era saudade, hoje
é medo.
Medo de não ver mais
o amanhecer.
E o tempo
sobrando se derramando
em tédio.
Uma vontade de usar
as mãos para
pregar um botão,
que nem sei por que, nem
mais cai.
O carro a me chatear
não me deixa mais andar.
E o tempo, para
que te quero, tempo?
Pela manhã
já tem tudo feito,
A tarde me põe de castigo
sobre o colchão, quanto
tempo para cochilar sem
vontade.
E uma vontade de vencer o
tempo que me sobra
com coisas mais úteis
Mas, o tempo passou depressa
e o tempo que
ainda precisa do meu tempo,
já não me dá mais força...
Herta Fischer.
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Entre buracos
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019
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