De repente era apenas uma luz quase se apagando.
Com medo de ficar completamente no escuro, tentei conservar aquele pequeno foco, ficando ali , parada.
Mas, como se a luz tivesse controle sobre ela mesma, lentamente foi se afastando de mim, como se eu a amedrontasse.
Então a escuridão se apossou de tudo, e no meio da negritude absoluta eu só ouvia a voz do meu pensamento que me acusava.
Nada era mais perfeito que a própria imagem do nada que se estendia, que alimentava as minhas veias fazendo um terrorismo absurdo em meus olhos.
Eu não enxergava, mas, imaginava coisas estranhas que colocavam meus cabelos em pé.
Que mundo era aquele , onde não havia luz? Meus pés se agarravam firmemente ao chão como garras de gavião segurando a sua presa.
O silencio era quase que insuportável, era como se o mundo inteiro jazesse entre as pedras da minha agonia, e o mundo em que acreditava, de repente se transformasse em meu cruel devorador.
Eu queria sair dali, mas a crueldade da força que me segurava era bem maior que eu, e simplesmente, meu querer transformou-se em bolas de fumaças, tentava alcança-la, mas não encontrava nada.
Lágrimas de tristeza caiam sobre algo que eu não conseguia definir, e os som dos pingos me apavoravam ainda mais, pois devido ao silencio, tornavam-se um barulho ensurdecedor por sobre a escuridão que me consumia.
Não havia nada além de mim, naquele lugar, pois eu era a única coisa que ainda poderia sentir, alem daquele medo que me dominava completamente.
Me tornei a própria imagem da ignominia, do silencio e da morte que espreitava.
Sozinha, desamparada, sem luz, sem alento, esperando desesperadamente por uma mão que segurasse a minha, e que me tirasse dali.
Mas, só encontrava mais com meus pesadelos, sonhar era como acreditar no impossível.
Conseguindo vencer um pouco a fraqueza, dei alguns passos, e a escuridão se tornou mais densa, Mas, olhando para cima, encontrei um pontinho de luz, que por alguns momentos embotaram-me a visão. Comecei a ouvir sons de harpa muito distante, quase inaudível, e seguindo a melodia, eu ia saindo do chão.
Minha mente começou a dar sinais de contentamento, eu já ensaiava a lembrança de um sorriso, mas minha boca ainda permanecia fechada.
Fui saindo sutilmente do lugar, um passo de cada vez, a respiração ofegante eu até já podia ouvir, e o silencio foi se despedaçando aos poucos, até que meus olhos puderam sair da escuridão aos poucos, e me acostumando com a luz recente dei de cara com uma certeza:
Andamos muitas vezes sobre as trevas, mas a luz nunca nos abandona para sempre!
Autora: Herta Fischer direitos reservados.
Total de visualizações de página
Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sábado, 20 de abril de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
Queria novamente as estradas que percorriam minha alma, corajosas com suas nuvens de pó a fechar meus olhos. Dando nome ao novo, sussurrando...
-
Ando em linha reta pelos caminhos tortos, morro um pouco, mas não por completo. Sei que a justiça tarda, mas, um dia, ela trará as sua...
-
Eis que ainda brilha a esperança no pó da estrada. Sem cavaleiro, o cavalo troteia; sem trovador, os versos encontram seu destino. Ainda se ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário