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A dose certa

Enquanto o dia começava a trazer a luz do sol mais perto, as rosas dançavam, espalhando suas pétalas adormecidas pelo chão. O céu, de um azu...

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

O tempo e eu

 Nasci em dia de sol, talvez, por isso, tenha

tanta energia.

Gosto de caminhar, de escrever, de sonhar.

Tudo que aprendi, foi por mim mesma. Criar

é minha raiz.

Sou casada, tive filhos, tenho netos. Uma composição

orquestrada por lutas e desafios.

Nada foi fácil, O difícil é que me fez crescer.

Os passos que minhas estradinhas criaram, o

asfalto que por elas passaram, as histórias que

me contaram, criaram sonhos que me levaram.

Aprendi com a natureza, á enfrentar as correntezas e

a florir nas incertezas.

Ainda há um certo brilho em meu olhar, uma vontade

de construir, de subsistir, de ir e vir.

Gosto de tudo que se integra : Gente, animais, flores, poesia.

Se existe tempo, o tempo é agora, até que, o tempo,

desista de mim, mas ainda não é hora.

Herta Fischer



domingo, 2 de novembro de 2025

Sorte ou destino

Tereza sentia a necessidade de aprender pelo olhar, a única maneira que conhecia, sua única escola. Seu pai, vindo da simplicidade, não sabia ler nem escrever, mas aprendeu observando. O mundo lhe oferecia, através do olhar, todas as ferramentas necessárias para o aprendizado. Suas mãos fortes apontavam direções, e a sola dos pés calejados mostrava o caminho.


Aos dezesseis anos, Tereza estava pronta para casar, mas ainda gostava de escalar os arvoredos ao redor de sua palhoça e brincar de boneca com espigas de milho verde. Não escolheu seu parceiro; ele a escolheu. Coube a ela aceitar e, de repente, se tornar mulher. Sentia-se adulta, mas a criança dentro dela ainda vivia, instigando e assumindo o controle.


No começo, era como brincar de dona de casa. Ela adorava acender o fogão a lenha pela manhã, mergulhar uma colher no pote de banha de porco, besuntar uma panelinha de alumínio e brincar de cozinhar. Mas o tempo foi exigindo mais dela. Sem saber números ou letras, precisava improvisar para medir porções. Muitas vezes chorava quando algo saía errado, e seu marido frequentemente perdia a paciência.


Por sorte ou destino, sua sogra veio morar perto e começou a ensiná-la o que sabia, ajudando-a a amadurecer. Na sua pobre casinha de solteira, não havia relógio, mas seu marido mantinha um de pulso pendurado na parede. Quando ele chegava para o almoço, ela olhava os ponteiros se juntando no topo. Assim, pela educação do olhar, Tereza foi aprendendo e, com o tempo, criou seus próprios códigos para cozinhar.


Certa manhã, começou a sentir calafrios pelo corpo e a boca cheia de água, o que a deixou muito mal. Correu até a casa da sogra, contou o que estava sentindo e descobriu que estava grávida. Ficou assustada.  Enquanto a barriga crescia, crescia também o seu mundo, e o faz de conta tornou-se coisa séria.

Herta Fischer