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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

terça-feira, 19 de outubro de 2021

O temido

 Já tentei de tudo para driblar o tempo,

até gotas de orvalho já fabriquei nos olhos.

E o tempo, assim como o vento, me leva.

Ainda existe uma pequena margem á que

me redesenho, na insistência e resiliência

dos absurdos.

Dou marcha a ré, toda vez que chego bem perto do porto,

atracar é muito cruel.

Mas, mesmo patinando, o impulso me leva mais para perto

do limite do fim.

Penso que não quero ali chegar, mas o ali chega em mim.

E o silêncio de quem não mais precisa de nada já me acolhe

e acolhendo já não me resta tantos sonhos.

Porque o que tinha de ser plantado, já foi colhido, e o

colhido já foi degustado, e o degustado perdeu o sabor.

Tudo fica para trás, inclusive a lembrança de nós mesmos.


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Vidas engarrafadas

 Componho meus dias com versos reversos, quase canção de exílio.

Letras garrafais e tudo mais, melodia como sinais.
Aurora boreal por dentro, por fora, o entardecer a tecer.
Sentimento e ressentimento, tocando como tambor, cordas arrebentadas, som do sonar.
Lutas e lutos, flores e frutos, a desembocar na emboscada.
Triste alegria em riste, sorriso largo no lagar.
Vanglorias sem gloria, eu e o mar, a se destacar no nada
que corrói e se decanta no mais lindo cantar.
Nessa crescente onda de acontecer.