sexta-feira, 7 de abril de 2017

Somos um pouco do tudo

Ha um renascer aqui dentro
como uma semente descartando
cascas e se modificando
na dor de vencer a si mesma.
Rompe-se de dentro para fora se oferecendo a terra
 como libação de seus dias mortos.
E sem merecimentos desce em movimentos
 sinuosos
sobre um vento primaveril que
o leva para onde não pediu nem
creu.
Como uma musica escrita na dor, que com
letras incertas transforma-se em poesia
para se cantar e compor.
Ha uma fadiga sem igual na esperança,
mas, também ha uma esperança
em cada suspiro.
Flui dentro de mim como uma
fonte jorrada em terra seca, a certeza
de ir e de chegar, Pois
de ter e precisar já estou cansada.
Só mais um passo, mais um passo
em direção ao nada que me espera,
Como um viajante se espreita
pelas estradas sem saber para
onde vai, está sempre chegando, nunca
partindo.
Falo de mim, e por mim, sempre
no mesmo ritmo, sempre das mesmices
e inconstâncias que me suprem
e me descarrega dos sonhos
que me ensinaram e que nunca
se concluiu.
Não passei a minha vida a escolher
razões, nem a prestar muita atenção
ao derredor, nem a me desesperar
por nada.
Estava deitada em terra os desatinos, a tristeza sempre
me desmentia ao chegar a aurora doutro dia.
 A luz da felicidade inundava-me enquanto o mundo
sofria sua dores vãs, Pois de certo, eu já sabia,
que o dia tem cheiro de morte, mas a morte
nada é, senão uma parceira da vida que dá, que tira, para
reaver em outra instancia.
Ainda prego á mim mesma, ainda vejo no tempo
as escaladas, o sumiço e o nada, mas que o nada,
tudo é.
Realejo submerso, a entrada e a saída, a saída e a chegada,
os mistérios e universo.
Herta Fischer  (Hertinha)
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