quinta-feira, 23 de março de 2017

Sorte de principiante

Estou aqui, neste espaço, segura como ninguém,
Nada perturba a minha mente, nada!
Nem os ventos, nem o tempo, tudo
é cuidado, tudo é proteção.
Apenas se desfaz o que não veio para ficar,
E o eterno do existir, aquele que me chamou
e me iniciou, tem muito mais a me dar,
 Acaso não me espreita, acaso não me desmonta,
posso passar numa rua desconhecida,
algo pode tentar me afetar, mas, na sublinhes
d'Aquele que me fez, me faz, não me separará
do que sou.
A solidez da semente que sou, pode até ficar
inativa por longo tempo, pode até demorar
para despertar, pode
até dar á alguns, a certeza do não mais existir,
mas, tirar de mim, a certeza de estar ali, ah!
nunca e ninguém!
Meu primeiro choro, não me lembro, acho
que foi de fome, ou de medo.
Meu primeiro passo, acho que foi por
mérito, ou desejo, eu não sei!
A primeira palavra sussurrada, acho que foi
por ouvir, ou sentir, quem sabe?
O primeiro amor, acho que foi
por emoção do olhar do outro
sobre mim, um
olhar diferente, desejoso, Talvez!
A primeira decepção, o não me sentir importante,
bonita, atraente, sei lá?
O primeiro sonar de sabedoria, acho que foi por Deus,
quando despertei da duvida, quando resolvi
me calar por dentro, quando não mais
sondei incertezas. observando a.luz.
Quando confiei que sempre fui
forte, mesmo quando me senti fraca, que na escuridão
permanente de ideais que nunca vinham, dos sonhos
irrealizados, desejos reprimidos, ainda assim, a luz
estava por trás de tudo, lá no limiar da superfície embaçada
pelas nevoas da ignorância que me cegava,
Abri então as janelas, e o sol apareceu, me dando a certeza plena
de ter encontrado Deus. E em Deus a minha sorte que vence a morte!
Herta Fischer   (Hertinha)